Posts com a tag ‘natal’

12

Jul

07

Operação Impacto em Natal

A faxina continua, agora em Natal. Recebi hoje do amigo Flávio Ferreira:


NOTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS EM APOIO À OPERAÇÃO IMPACTO

Nós, entidades e movimentos abaixo assinados, manifestamos publicamente nosso apoio à OPERAÇÃO IMPACTO realizada pelo Ministério Público, Polícias Federal e Civil do Rio Grande do Norte, que investiga o recebimento de propina por parte de alguns vereadores durante a votação do Plano Diretor de Natal.

Acreditamos que, a partir de agora, o debate público sobre as emendas ao Plano Diretor de Natal assume uma perspectiva coerente, tecnicamente pautada pela preservação da qualidade de vida na cidade e que esteve fortemente ameaçada por interesses particulares e escusos. (…)

Avaliamos que por trás da intransigente e truculenta posição de alguns vereadores existe um forte esquema em defesa dos interesses dos empresários da construção civil, que não têm demonstrado compromisso com o bem-estar da população da cidade do Natal. Segmento este com forte expressão na economia do Estado e que desde o início das discussões vem efetuando lobby na elaboração do Plano Diretor de Natal, em busca de maiores lucros, quando se trata de garantir o direito coletivo ao uso da cidade e não o interesse de grupos econômicos privados. (…)

Em vista disso, exigimos:

  • a continuidade das investigações para apuração da origem dos recursos pagos aos vereadores;
  • a anulação da votação dos vetos do Prefeito ao Plano Diretor de Natal;
  • a cassação dos mandatos dos vereadores comprovadamente envolvidos
  • nas denúncias feitas pelo Ministério Público.

[assinam 26 entidades de movimentos populares e comunitários]

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29

Jun

07

Minhas festas juninas de outrora

Hoje é dia de São Pedro. Uma das datas festivas mais importantes do Nordeste, só perde pra São João e pro carnaval. Tenho recordações bonitas das festas juninas de minha adolescência em Natal. O São João da Rua Bacopari, em Ponta Negra, fez história na primeira metade dos anos 80 – chegou a ser considerado o melhor da cidade.

Os preparativos já eram uma festa em si. Durante um mês inteiro envolviam toda a comunidade da rua e arredores. As pessoas colocavam cadeiras nas calçadas e botavam o papo em dia com os vizinhos. Os ensaios de quadrilha eram momentos deliciosos pra conhecer gente nova, paquerar as gatinhas – praticamente ninguém comia ninguém, o clima era de alegria e excitação ingênua.

Tinha decoração com bandeirinhas e palhas de coqueiro, iluminação, montagem da fogueira, busca dos músicos. O sanfoneiro era contratado pra tocar forró enquanto tivesse gente dançando ou até o sol raiar, o que viesse primeiro. Preparava-se o aluá, uma bebida de origem indígena feita com milho fermentado por quinze dias, mais especiarias… Quentão, adivinhações e simpatias, bolos de milho, pé-de-moleque…

Com o tempo a festa da Bacopari definhou e terminou morrendo, em parte pela mudança ou morte de alguns moradores que eram dínamos da mobilização. Ou talvez pelo natural ciclo de vida das organizações humanas. Mas as festas juninas continuam vivas e muito bem de saúde nas cidades nordestinas. Vim pro Sul, em que isso não tem a mesma força cultural, mas há coisas que não tem lá, como a bernunça e o jaraguá. Nunca mais pintei bigode, botei cadeira na calçada nem dancei quadrilha.

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27

Feb

07

Percepção extra-sensorial

Ontem sonhei com meu grande amigo Marcello Castro, de Natal, que não vejo há alguns anos. E fazia tempo que ele não me aparecia em sonhos também. No mesmo dia, ele encontrou outro grande amigo, João Augusto, na UFRN. Ficaram um tempo conversando e falaram de mim. Aí tentaram me ligar, mas tinham um número de celular antigo. João me mandou e-mail hoje contando isso. E liguei pro Marcello pra contar do sonho.

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06

Feb

07

Autocensura, fronteiras e lembranças aleatórias

Aline comenta em seus Pensamentos Públicos sobre o dilema da autocensura. Respondi dizendo que a autenticidade é uma das suas grandes e muitas virtudes. Todos temos um instinto de autopreservação que funciona no piloto automático. É ótimo quando a gente consegue relaxar e deixar que esse instinto dê o tom das coisas que a gente expressa. Sempre que a gente se bloqueia e limita nossas manifestações ao “socialmente aceitável”, é grande o risco de deixar algumas preciosidades trancadas no baú. Aí lembrei de Henry Miller, cujos livros autobiográficos possivelmente são os mais sinceros da literatura mundial.

Uma coisa puxa outra: lembrei também de uma cena do livro Viajante Solitário, de Jack Kerouac, que acabo de ler. Kerouac estava mochilando pela Europa e tinha acabado de entrar na Inglaterra, vindo da França de barco. Os policiais da alfândega o detiveram e começaram o interrogatório: “O que veio fazer no Reino Unido só com 15 xelins no bolso?” Ele respondeu que era escritor, ia pegar um cheque de direitos autorais e a história podia ser comprovada com o editor dele em Londres. Mas era sábado, ninguém atendeu o fone. Aí ele teve uma lembrança, revirou a mochila e pegou um recorte de revista: era um artigo assinado por ele sobre Henry Miller. O oficial disse: “Miller? Há alguns anos também foi detido por nós, escreveu um monte de coisas”. (Ih, fudeu!, K. deve ter pensado). Mas ficaram satisfeitos com a identificação e o liberaram.

Isso me lembrou um caso engraçado acontecido comigo no Rio Grande do Norte – Ayres, já te contei essa? Eu tava indo acampar em Barra do Punaú, umas três horas ao norte de Natal. Punaú é um riozinho que desagua entre dunas no meio de um coqueiral à beira-mar – descrição pobre pra um lugar paradisíaco. Ayres me recomendou falar com um pescador local amigo dele, Zé Leiteiro. Quando lá cheguei com uma galera, fui recebido por um homem com cara braba, dono do terreno que margeava o riacho. Fui logo perguntando por Zé Leiteiro e aguardando o momento propício pra pedir permissão de armar a barraca. Ele respondeu na lata: “Você é amigo de Zé Leiteiro? Já tá perdendo ponto comigo!”. (Ih, fudeu!, pensei) Mas acabou deixando a gente acampar. Eu soube depois que Zé Leiteiro era posseiro antigo de um terreninho encravado bem no meio do latifúndio do sujeito. Esse pescador nos recebeu com grande hospitalidade. A sombra dos coqueiros depois virou um hotel feioso, mas aí já é outra história.

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