07
Jul08
Os bastidores de Glosa Glosarum
O leitor Elí de Araújo, do Rio Grande do Norte, me escreve sobre um livro engraçadíssimo e admirável do poeta Celso da Siveira, que li há muitos anos: Glosa Glosarum. Caso o editor a quem ele se refere – sem citar o nome – queira apresentar sua versão da história abaixo narrada, o espaço também está aberto. Pelo bem do público que ainda não conhece o escritor potiguar, espero que o impasse editorial se resolva e seja possível lançar novas edições dessa jóia rara.
Dia 06 passado você postou no blog substantivo plural, perguntando pelo Glosa Glosarum de Celso da Silveira. Celso, meu pai, faleceu em janeiro de 2005, deixando encaminhada a edição do Glosa. O editor, entretanto, publicou o livro sem o aval dos herdeiros, estando até hoje sem prestar contas, apesar de ter sido instado amistosamente, por diversas vezes, a fazê-lo. Lamentável porém verdadeiro. O mesmo editor, depois da morte de Celso colocou uma capa de extremo mau gosto no livro, que certamente meu pai recusaria. Além disso, editou mais recentemente, coletânea de poetisas do estado, onde incluiu minha mãe – Myriam Coeli – mais uma vez sem pedir autorização e sem prestar contas. Trata-se, como pode ver, meu caro Dauro, de um facínora das letras. Atenciosamente, Elí de A.
01
Jun08
Substantivo Plural
O saite da vez é feito lá em Natal pelo amigo jornalista Tácito Costa, com a colaboração da poeta Carmen Vasconcelos e dos jornalistas Nelson Patriota e Carlos de Souza: Substantivo Plural. É um espaço dedicado à prosa, poesia e multimídia. A turma está montando aos poucos uma estante com livros, contos e poemas digitalizados, em especial os de autores do Rio Grande do Norte. Bacana.
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Com este post, incluo mais uma tag que faz tempo estou devendo: Natal. A cidade do sol foi meu habitat dos 12 aos 19 anos. Época intensa, cheia de lembranças boas – as ruins, deixa pra lá. É um lugar que mora no coração. Fiz grandes amigos em Natal e espero revê-los em breve.
28
May08
Da Tailândia ao Sertão: fotos de Henio Bezerra
Lindas fotos de Henio Bezerra, meu amigo de adolescência em Natal. Clicou paisagens e pessoas na Tailândia, Vietnã, Cingapura, Hong-Kong, França, Estados Unidos e Rio Grande do Norte.
06
May08
Roteiros do Brasil
A editora Letras Brasileiras e o Ministério do Turismo acabam de lançar a coleção de revistas Roteiros do Brasil, com versões impressa e digital. Material bonito, com belas fotos, textos sintéticos e bem cuidados sobre todos os estados. Contribuí com a redação de algumas revistas – as de Acre, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. A coleção, é claro, não pretende esgotar as possibilidades de viagem por este país gigante (qualquer pretensão nesse sentido seria inútil e burra), mas traz um bom apanhado sobre os principais destinos de acesso relativamente fácil pro turista. Apresenta também opções pros que optam por abrir mão do conforto e encarar um ritmo de aventura (meu estilo preferido de viajar), mas este não é o foco principal da publicação.
Aproveito pra agradecer a todos os que me deram dicas preciosas de roteiros ecoturísticos, gastronômicos e culturais. Escrever sobre o Rio Grande do Norte me deu um prazer especial, pois sou apaixonado pela terrinha onde vivi a adolescência. Por mais que se conheça um lugar, sempre há coisas novas a descobrir. Fiquei cuma vontade danada de visitar com mais calma o Vale do Seridó – já passei um carnaval em Caicó uma vez -, as praias da Costa Branca, no extremo norte do estado, e, quem sabe, aprender a mergulhar com scuba pra explorar mais de perto os corais de Maracajaú. Amigos queridos de Natal, qualquer hora dessas apareço.
p.s.: No dia 30 o Jakzam Kaiser, editor da Letras Brasileiras, recebeu a Medalha Mérito Editor Odilon Lunardelli, concedida pela Câmara Catarinense do Livro pela sua contribuição de mais de dez anos pro crescimento cultural de Florianópolis. Acompanhei essa década bem de perto, com seus altos e baixos, desafios e superações, e afirmo com todas as letras: o homem merece.
16
Apr08
Sara
Se viva estivesse, minha mãe completaria 68 anos hoje. Já são 17 anos e meio sem Sara. A presença da ausência – sentimento que redescobri há pouco – continua marcando os meus dias. Saudade aliviada pelo tempo, mas sempre à espreita de uma brecha em sonhos pra me pegar desprevenido no meio da madrugada. Às vezes imagino o que ela estaria fazendo hoje. Provavelmente continuaria a se dedicar, mesmo aposentada, a coisas que a atraíam em seu trabalho de enfermeira: dar aulas sobre hanseníase e aids, assistir doentes. No lazer, artesanato: pintura, bijuterias, confecções, bolsas. E mais viagens de aventura. Num navio-hospital pelos rios amazônicos, revivendo parte de sua trajetória profissional. Dançando tango com meu pai em Buenos Aires. Dirigindo entre cidadezinhas do interior do Ceará. Em sua casa em Natal, preparando feijoada pros amigos ou baixando músicas pela internet, uma evolução natural das suas gravações em fitas cassete. Mimaria os netos – não chegou a conhecer nenhum, pois se foi muito cedo, aos 50, depois de uma besta cirurgia de sinusite. De todas essas fantasias, gosto de imaginar que ela está agora dançando em alguma dobra do tempo, com um daqueles vestidos coloridos que ela mesma costurava. Um parangolé astral, com cores que mudam a todo instante.
19
Jan08
Onde você estava em…?
Recebi este meme do Rogério Christofoletti e repasso a outros três blogueiros: Botelho, Cris Fontinha e Ulysses. Quem mais quiser brincar de mexer nas gavetas da memória fique à vontade. São seis perguntas:
1. O que você estava fazendo em 1978 (há 30 anos)?
Tinha 12 anos e morava em Recife. Estudava no Colégio Militar e aprendia, entre outras coisas, a detestar o militarismo. Levantava às cinco pra engraxar as botas e ir à escola. Ficava acordado até tarde pra ver “O planeta dos macacos”. Jogava futebol de botão com um vizinho catarinense que tinha um time do Figueirense. Sonhava com mulheres inatingíveis. Folheava o atlas e fantasiava viagens. Vibrei com a copa do mundo da Argentina – chuva de papel picado na Bombonera, jogadores com mangas compridas, gol em curva de Nelinho, marmelada no jogo do Peru. Um momento marcante no segundo semestre foi nossa mudança pra Natal pela segunda vez – já tínhamos passado uns meses lá em 76.
(…)
Continua aqui
12
Oct07
Barra de Punaú
Barra de Punaú – ou “do” Punaú se preferirem – fica a 80 km ao norte de Natal. É um dos lugares mais lindos que já conheci. Lá fiz acampamentos inesquecíveis, um deles na lua cheia, no tempo em que era uma praia praticamente intocada (tem uma lembrança aleatória aqui). Uma das diversões era caminhar a pé pelas dunas e depois descer boiando pelo rio morninho e limpo. Numa dessas encontrei um mamão, tinha acabado de cair n’água, e devorei ali mesmo. Hoje existe um hotel na margem do rio, perto da praia. O lugar continua lindo, como você pode ver na imagem do Google Earth, mas aquele das minhas lembranças não existe mais. Por onde andarão o pescador Zé Leiteiro e sua família?
08
Oct07
Eram cinco da manhã e o sol nascia
Um amigão dos tempos potiguares, Flávio Ferreira, deixou um bonito depoimento no meu orkut e aproveitou pra lembrar que já vomitei no carro dele. Faz vinte e tantos anos. Eu achava que já tinha deletado a cena da memória. Nada como uma idônea testemunha ocular pra imprimir esta marca na minha autobiografia não-autorizada. Assumo, es verdá. Agora tudo voltou (ops!) nítido: eram cinco da manhã em Ponta Negra, sol nascendo – sempre bem cedo naquelas paragens – e chegávamos duma festança boa. Ainda tive a decência de botar a cabeça pra fora da janela, mas foi vã a tentativa de livrar a porta… Não entrarei em detalhes sórdidos sobre odor e consistência. Naquela manhã, Flávio demonstrou ser um verdadeiro brother e um gentleman, pois lavou o carro sozinho.
Isso me trouxe um monte de lembranças agridoces, engraçadas, musicais, perfumadas. É curioso, sempre que evoco minha adolescência hedonista em Natal, as cenas vêm acompanhadas de bons odores, exceto em alguns casos como o supracitado. Talvez elas sejam editadas por um superego de bom gosto, sei lá. As recordações com Flávio envolvem noitadas com violão e turma animada, pilequinhos com tira-gosto de laranja na Bodega da Praça, acampamentos enluarados em praias com coqueirais, piadas sarcásticas e comentários jocosos sobre um pouco de tudo, empurrações de carros velhos, crônica falta de dinheiro, festas e mais festas – juninas, escolares, periféricas, a fantasia, sem convite -, o ombro amigo num momento trágico, natação em riacho no fim de tarde, longas caminhadas e papos filosóficos ao sol torrante com pés descalços… Flávio me apresentou pessoas queridas e me fez enxergar mais longe – por exemplo, quando demonstrou o poder do reiki.
Faz tempo que não vomito; pra felicidade do meu fígado, nunca mais consegui tomar cachaça e outros destilados com a disposição que tinha aos 15, 18 anos. Por outro lado, quando tento recuperar a sensação de otimismo ingênuo, a onipotência, a voracidade de viver a mil que eu tinha naquela época, é como tentar segurar água corrente com as mãos abertas. A juventude só acontece uma vez. É bom que seja assim, porque o que vem depois também é precioso e depende de ter existido o antes. O que me deixa muito grato à vida é que, nesse caminho, tive a sorte de fazer amigos incríveis. Poucos, bons, divertidos. Fundamentais. A gente passa anos sem se ver, mas na essência essa riqueza está preservada. Um brinde a isso!
27
Sep07
Os livros, as bibliotecas e eu
Desde criança – muito antes de ter acesso ao debate sobre copyleft ou de fazer reflexões existenciais sobre o desapego – a idéia de “ter” um livro ou “ter” uma música sempre me parece estranha. Credito isso em parte ao fato de ter crescido num ambiente rodeado de música e gente: rádio ligado, irmãos cantarolando no chuveiro, LPs espalhados pela casa, fitas cassete no carro. Pra mim era mais que óbvio, o som estava no ar pra ser degustado na hora em que tocava. Cada pessoa que ouvia também passava a ser dona da música (aos seis passei a ser um dos donos dos Beatles).
Com os livros foi um pouco parecido. Tive a sorte de mergulhar cedo no mundo maravilhoso das bibliotecas. Primeiro na escola primária no Recife, numa fase introspectiva aos sete anos – logo depois de passar vergonha porque uma menina contou pra toda a turma que eu tava sem cueca por baixo do calção, mas isso não vem ao caso. O fato é que a escola tinha uma biblioteca interessante, apesar de pequena, e lá eu me refugiei por um tempo na hora do recreio. Momentos de belas descobertas, como a série francesa Petit Nicolas e os livros de Orígenes Lessa.
Aos doze, descobri na Biblioteca Pública de Natal um grande tesouro: a coleção completa de Tarzan, de Edgar Rice Burroughs. Passei tardes muito agradáveis ali, numa deliciosa solidão cheia de aventuras africanas, até ler os mais de vinte livros da série. Aí parti pras obras de Monteiro Lobato, de quem se pode dizer sem exagero: é um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. No ginásio tive um professor que escreveu certo por linhas tortas. Um dia eu fui à aula com meias verdes porque não tinha as meias pretas do uniforme. Ele me mandou de “castigo”. Adivinha pra onde?… Pra biblioteca! Não lhe guardo rancor nem o nome. Outros mestres vieram e me estimularam com mais inteligência.
Como nunca tive grana sobrando pra comprar os livros e músicas que queria, precisei buscar alternativas. Bibliotecas públicas e de amigos, trocas, fotocópias, sebos… E mais recentemente os meios que a tecnologia oferece. Hoje já posso entrar numa livraria e levar um livro novo (é incrível que no Brasil e em tantos lugares isso ainda seja quase um luxo!), embora sempre deixe pra trás uns dez que também gostaria de ter comprado. A idéia de “ter” um livro ou uma música continua me parecendo tão bizarra quanto nos tempos de criança. Minha biblioteca virtual no LibraryThing é composta na maior parte por livros que não “tenho” no sentido físico. Na verdade, são os livros que me têm.
p.s.1. Nunca roubei livros. E não foi por falta de oportunidade, e sim porque isso nunca fez sentido pra mim. Mas confesso que já tive vontade.
p.s.2. Alguns livros marcantes (“disclaimer”: lista em eterna mutação).
p.s.3. Quais são os seus cinco livros marcantes? Se quiser, conte o motivo. Lembrança de um antigo amor, de uma viagem, de um momento bacana? Presente de alguém especial?
02
Aug07
Sonho: colegas de escola há um quarto de século
Sonhei com dois colegas do Colégio Marista em Natal que não vejo há uns 25 anos: George Azevedo e Dalton Barbosa Cunha Filho. O primeiro, há alguns meses tive o prazer de localizar pela internet e bater um papo pelo Skype. É médico, casou e tem filhos. Com Dalton não tive mais contato. Lembro que na época era um extraordinário jogador de xadrez – participamos da mesma equipe num campeonato estadual – e conseguia encostar a língua na ponta do nariz. Pelo que me diz o Google, parece que ele hoje é empresário de leite.








