Posts com a tag ‘lugares’

29

Jan

07

Fauna campechana

Fauna da Ilha do Campeche
Quati escala árvore. Esses bichinhos foram introduzidos na Ilha do Campeche para combater os escorpiões e servir de caça aos pescadores que ficassem eventualmente ilhados por muito tempo. Terminaram provocando desequilíbrio ecológico, porque não têm predadores naturais. Também se tornaram exímios punguistas: se você bobear com o lanche, eles podem arrastar sua bolsa pra mata.

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29

Jan

07

Sol, riacho, chuva e termas

Sábado curtimos com a criançada – filhos e sobrinhos – um passeio-delícia pra dia de sol escaldante: tomar banho das mais variadas formas. Fizemos um piquenique em Caldas da Imperatriz, a 30 km de Floripa. Lá tem um parte aquático popular – limpinho, organizado e seguro -, com toboáguas e uma piscina d´água corrente no leito do riacho que desce da mata. O calor tava tão intenso que a inevitável chuva de verão veio forte, pra felicidade do meu lado curumim. Pingos grossos ensoparam todo mundo e levantaram aquele cheiro gostoso de terra. Pra fechar o dia, nos molhamos mais nas termas: banho relaxante de banheira a 38 graus. O dia me lembrou muito a infância nos arredores de Manaus, com acampamentos perto de igarapés na mata.

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18

Jan

07

Crônicas da violência cotidiana (2)

Em janeiro de 2000, fazia duas semanas que eu me mudara pro Rio. Tinha terminado de jantar no restaurante Bella Blue, em Botafogo, e estava saindo quando me empurraram porta adentro. Três rapazes de uns 18 anos – um branco e dois negros, todos de calção, camiseta e tênis -, armados de revólveres, invadiram o restaurante:

- Perdeu, perdeu!

Foi tudo muito rápido, três ou quatro minutos. Que ninguém reagisse, senão ia ter morte. Fui confundido com o gerente porque estava na entrada. Um ficou na porta, o segundo saiu recolhendo os celulares nas mesas. O terceiro me apontou a arma e mandou abrir o cofre.

Expliquei que eu era só um cliente. Devagar, tirei vinte reais do bolso e botei na mesa. Imitando o garçom, levantei as mãos. Irritado, ele nos disse pra baixar os braços, chutou minhas costelas e mandou deitar no chão. Vi de perto seu Nike novinho e esperei o tiro.

Fugiram rápido, levando 4 mil reais e os celulares – eu tinha esquecido o meu no hotel. Desprezaram meus vinte paus. Um garçom me ofereceu gelo (depois tirei radiografia, tudo inteiro). Ainda tremendo, peguei um táxi e fui pro hotel no Catete. Lá vi que tinha esquecido a agenda. Peguei outro táxi e voltei. No caminho contei a história e o taxista comentou:

- Isso é comum aqui. Eu mesmo tenho uma bala alojada no pescoço faz cinco anos.

No restaurante o movimento tinha voltado ao normal, com novos clientes e comida quentinha. Meia hora depois do assalto, era como se nada grave tivesse acontecido. Peguei minha agenda e fui embora, pensando na banalização da violência e em como as pessoas se adaptam a tudo pra continuar vivendo.

Pensei, tenho duas opções: voltar ou insistir. Teimoso, fiquei. E vivi quase dois anos na cidade maravilhosa, sem presenciar nenhum outro incidente como esse – uma vez, na noite da Lapa, acompanhava um casal de amigos franceses e fomos seguidos, mas percebi a tempo e entramos num bar. Foram tempos divertidos, com muito cinema, samba de raiz e novos amigos. Aí voltei pra cidade-ilha em busca de sossego pra criar filho.

Nunca vou esquecer os olhos daquele rapaz que não tinha nada a perder, me apontando com raiva um 38 que podia ter interrompido toda minha história num segundo. Mas o que mais me chocou mesmo foi a atitude conformada com que as pessoas se submetem a viver um cotidiano desses. Ainda hoje penso nisso e não encontro respostas satisfatórias.

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18

Jan

07

Crônicas da violência cotidiana (1)

Essa é do Fernando Evangelista, nosso correspondente para assuntos aleatórios em Malta.

~

Conto um fato que testemunhei recentemente. É uma história real:

Cheguei na escola e vi os professores e funcionários reunidos. Falavam baixo, estavam muito sérios. Clima pesado. Manhã de chuva.

Pensei no pior: Alguém morreu. Quem será que morreu? Como tem morrido gente ultimamente. Fiz uma listinha de cabeça. Tudo gente boa. Os cacos, aqueles que devem morrer, não morrem nunca. Será que foi o diretor?

Perguntei a minha professora, no meio do corredor, quase pedindo desculpas, quase sussurrando:

-O que houve?

E ela, voz de choro:

-Hoje faz três anos do assalto ao banco HSBC.

-Hummm. Quantos mortos?

- Uma pessoa baleada.

- Era alguém da sua família?

- Não, era o John, o guarda. Todo mundo conhece o guarda.

- Ah, sim, o guarda…. mas quantos mortos?

- Nenhum. O John foi baleado, ela repetiu e eu senti – porque é fácil perceber essas coisas – que o tom de voz estava mudando de choroso para impaciente.

- Ele ficou muito ferido?

- Foi uma bala de raspão.

- Que bom! Que sorte!

E ela, estarrecida:

- Que bom?! Nunca tínhamos tido nenhum assalto aqui, uma pessoa foi baleada e você diz que bom!?! Aqui sempre foi tudo muito calmo, nunca teve dessas coisas. Assalto, com revólver, Meus Deus, só em filme.

- A senhora estava no banco?

-Não, mas o país todo ficou muito traumatizado. Será muito difícil esquecer. Parece que foi ontem.

Falou muito séria e saiu. Eu fiquei o dia inteiro pensando nessa história, pensando no guarda e pensando no Brasil.

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22

Dec

06

Na blogosfera

O S.O.S. Ponta Negra é um “espaço aberto-coletivo-democrátivo-e-livre, criado em defesa do principal cartão postal de Natal, RN: a praia Ponta Negra e o Morro do Careca”, que estão sendo detonados pela especulação imobiliária. Morei anos maravilhosos da minha adolescência nessa praia linda, que hoje mal reconheço quando visito a cidade do sol.

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10

Nov

06

Mundo bizarro: no dos outros é refresco

O governo de Cingapura anunciou ontem que pretende discriminalizar o sexo oral e anal entre heterossexuais maiores de 16 anos, mas a prática continuará proibida entre homossexuais. A decisão preconceituosa foi criticada por ativistas gays. O ministro das Relações Interiores disse querer modernizar as leis “para estar na linha mais social e dentro das tendências da sociedade emergente”, o que, segundo ele, “não inclui a homossexualidade”.

Não é o cúmulo do autoritarismo legislar sobre os usos do fiofó?

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13

Jul

06

Viagem na viagem

Viagem na viagem
No trem entre Itália e Áustria. É uma das minhas fotos favoritas. Parece posada, mas não é. Só a vi quando revelamos o filme. Clique pra ver ampliada.

Laura Tuyama, 1997.

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10

Jul

06

Fim de tarde

Fim de tardeMoradores da comunidade Goiabeira, formada por barracos construídos sobre dunas num dos lugares mais bonitos de Fortaleza, a Barra do Ceará.

Clique pra ver ampliada.

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18

May

06

Os lugares da memória

Um texto de Raul e um poema de Drummond no +D1 me levaram a fazer uma pequena viagem ao passado. Por Recife, Natal, praias potiguares e Floripa.

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08

May

06

Cinco lugarzinhos

Sabe aqueles lugares especiais pra você numa cidade? Kátia Negreiros levantou o tema no blog coletivo +D1 e fiz uma lista de cinco dos meus. E você? Quais são os seus?

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