Posts com a tag ‘lugares’

18

Apr

07

Caminhos das Américas: um mês de viagem

Serginho tá em Arica, Chile, e amanhã entra no Peru. Destino: Alaska.
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Conheci o Norte Grande chileno em 89, no retorno de uma aventura de mochila por Bolívia e Peru. Tive uma experiência pouco agradável com os carabineros da fronteira, que já relatei aqui. Depois foi tudo beleza pura. De Arica, encravada no deserto do Atacama, recordo a paisagem árida, as praias de areia grossa e água gelada, nada especiais em comparação com as praias brasileiras, uma cerveja gostosa (Cristal) e uma galera legal na escola pública onde fiquei hospedado. Ah, lembro que pra cruzar a fronteira pegamos em Tacna, no lado peruano, um táxi que era um enorme Chevrolet sem capota, como o do filme Hair. Naquele retão do deserto, com o vento batendo no rosto, tocava na radiola da cachola uma música da trilha: “Good morning, sunshine…”

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11

Apr

07

Tecnologia pela paz

Li agora na Info Exame, que pegou da Reuters: o Google Earth, serviço de imagens por satélite do Google, vai fazer um mapeamento online das atrocidades cometidas em Darfur, no oeste do Sudão. Mais de 200 mil pessoas morreram ali desde 2003, no que é considerado pelo governo norte-americano o primeiro genocídio do século. O projeto é uma parceria do Google com o Museu do Holocausto para tentar identificar essas ocorrências a tempo, com a esperança de que governos e instituições possam impedi-las. Iniciativa louvável. Seria ótimo também se ficassem de olho no Iraque.

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11

Apr

07

Museu Virtual Gentileza

Uma das expressões artísticas que mais me impressionaram nos quase dois anos que vivi no Rio foi o trabalho do Profeta Gentileza. Hoje esbarrei num museu virtual dedicado a ele.

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UPDATE: Olha só: vi agora há pouco na TV que ele estaria completando 90 anos hoje. A data foi comemorada com bolo pelos seus fãs.

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02

Apr

07

Dani em Johannesburg

A Daniela Sampaio, minha colega de trabalho, está fazendo mestrado na África do Sul. Ela criou um blog onde conta um pouco sobre o cotidiano em Johannesburg e suas impressões sobre o país que em 2010 vai ser o centro das atenções do planeta.

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30

Mar

07

Um rasante sobre os Alpes

O GoogleEarth, um dos meus softwares favoritos – seu único defeito é o nome, difícil de pronunciar pros não nativos de inglês – anunciou em sua newsletter que incluiu algumas atualizações importantes: fotos em alta resolução de Dinamarca, Suíça e dos estados americanos de Utah e Wyoming. As imagens dos Alpes suíços são em 3D com resolução de dez metros. Uma amostra bacana, como aqueles sonhos em que a gente tem a sensação de voar, pode ser conferida neste vídeo com um tour aéreo, publicado no Youtube pelo blogueiro Frank Taylor, do gearthblog.

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18

Mar

07

Anotação de leitura: o prazer de viajar de trem

O livro é saboroso, Ivan. Até o momento já viajei com o autor, sem sair da poltrona, por ferrovias inglesas, francesas, suíças, italianas, iugoslavas (o livro é de 1975), búlgaras, turcas, iranianas, afegãs, paquistanesas e indianas. Theroux tem senso de humor sem ser gaiato. Faz observações afiadas sobre a cultura dos países por onde passa, se coloca em cena de maneira discreta mas essencial e nos apresenta personagens incríveis ao longo da jornada. Aliás as paisagens são acessórios nesse relato. A gente é o que mais importa. Trecho:

“Não se espera nada de um passageiro de trem. Em um avião, está-se condenado a viajar horas em uma cadeira estreita; os navios requerem bom humor e sociabilidade; e quanto aos automóveis e aos ônibus, é melhor evitar comentários. O vagão-leito é a forma mais agradável de viajar. Robert Louis Stevenson escreveu em Nos Mares do Sul:

‘Isso me parece ser o atrativo principal das viagens de trem. Ganha-se velocidade tranqüilamente, e o trem perturba tão pouco as paisagens pelas quais passamos que nosso coração enche-se com a placidez e a serenidade do local; enquanto o corpo é transportado na cadeia veloz dos vagões, os pensamentos param, conforme seu capricho, nas estações pouco freqüentadas.’

Paul Theroux, O Grande Bazar Ferroviário, p. 116.

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E por falar em trens… Raramente publico fotos em que apareço. Não por modéstia deste escriba bonito e joiado. É que me sinto mais confortável atrás da câmera, prefiro compartilhar o que vejo. Uma das exceções que mais gosto é esta tirada na janela de um trem italiano (1997), que só fui ver depois do filme revelado. Estado de espírito semelhante ao dos viajantes acima, captado pela Laura num clique feliz.

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15

Mar

07

A Terra vista pelos livros

A Terra vista pelos livros

Pra quem gosta de livros e de se divertir com a apresentação gráfica de dados, mais uma da turma do Google: o engenheiro de software

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15

Mar

07

Poema contábil

Recebi do Frank, que pegou aqui.

Saldo Negativo

Dói muito mais arrancar um cabelo de um europeu
que amputar uma perna, a frio, de um africano.
Passa mais fome um francês com três refeições por dia
que um sudanês com um rato por semana.

É muito mais doente um alemão com gripe
que um indiano com lepra.
Sofre muito mais uma americana com caspa
que uma iraquiana sem leite para os filhos.

É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga
que roubar o pão da boca de um tailandês.
É muito mais grave jogar um papel ao chão na Suíça
que queimar uma floresta inteira no Brasil.

É muito mais intolerável o xador de uma muçulmana
que o drama de mil desempregados em Espanha.
É mais obscena a falta de papel higiênico num lar sueco
que a de água potável em dez aldeias do Sudão.

É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda
que a de insulina nas Honduras.
É mais revoltante um português sem celular
que um moçambicano sem livros para estudar.

É mais triste uma laranjeira seca num kibutz hebreu
que a demolição de um lar na Palestina.

Traumatiza mais a falta de uma Barbie de uma menina inglesa
que a visão do assassínio dos pais de um menino ugandês

e isto não são versos; isto são débitos
numa conta sem provisão do Ocidente.

Fernando Correia Pina (Poeta português, nascido em 1954. Formado em História, vive em Portalegre, região do Alto Alentejo, junto à fronteira com a Espanha. Portalegre tem cerca de 16 mil almas. Pina é um barnabé municipal lotado no Arquivo Histórico local.)

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12

Mar

07

What time do you usually get up?

Falar em Ásia, acabo de receber e-mail do meu amigo Aidan Doyle, australiano que mora no Japão. Ele dá aulas de inglês pra crianças, adolescentes e adultos. Escreve muitíssimo bem e sempre traz umas histórias engraçadas do seu dia-a-dia. Alguns diálogos de uma exame oral:

Question: I usually get up at 8. What time do you usually get up?
Answer: September 21st.

Q: How old are you?
A: I’m six.

Q: What color is this? (pointing to picture)
A: I’m purple.

Q: What shape is this? (pointing to picture)
A: I’m circle.

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11

Mar

07

De trem pela Ásia

Início de leitura: O grande bazar ferroviário: de trem pela Ásia. Quem escreveu, em 1975, foi o americano Paul Theroux, um apaixonado por trens e por viagens. Com essas duas coisas fortes em comum entre mim e o autor, dificilmente vou deixar de gostar. A indicação é do amigo Antonio Rocha, citado há poucos dias (O postal de Cingapura), ator, mímico e contador de histórias que vive on the road (e in flight) por prazer e necessidade profissional. E também ama os caminhos ferroviários. Pra começar, uma das epígrafes:

...a primeira condição de um pensamento correto é a sensação correta – a primeira condição para compreender um país estrangeiro é sentir seu cheiro…
T.S. Eliot, Rudyard Kipling

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