Posts com a tag ‘lugares’

11

Mar

08

Da série entrevistas aleatórias: botecos no Rio

Perguntei ao amigo Zé Dassilva, que entre outras coisas de sua vidinha, é torcedor do Criciúma, chargista do Diário Catarinense, roteirista da TV Globo e morador de Botafogo, quais são os botecos preferidos dele no Rio e por quê. Segue a síntese de suas impressões após exaustivas mas prazerosas pesquisas de campo.

Pra mim, o melhor é o Informal. Trata-se de uma rede de bares estilo “pé-limpo”, com banheirinho ok pras mulheres e mais enfeitadinho na aparência.
Gosto também do Cervantes, perto da Rua Prado Júnior em Copacabana, foco de prostituição mas que tem o melhor sanduba da cidade.
Também não perdi a mania de ir na Cobal do Humaitá. Lá, prefiro o Rota 66 com sua comida mexicana e o recém-inaugurado Joaquina, mistura de restaurante com bar pé-limpo.
E, claro, o Risoto, pé-sujo aqui embaixo de casa, na esquina da Casa da Matriz e freqüentado pela juventude que se prepara para entrar na boate.

E você? Quais são os seus botecos favoritos?

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07

Mar

08

Um momento especial em Pasárgada


Pousada Sítio Pasárgada, em Anitápolis, serra catarinense, 18 de agosto de 2007. Sopinha de legumes, vinho tinto e risadas. Meu pai, 82 anos de piadismo, diz: “Gosto muito de Santa Catarina; aqui as mulheres dão sopa!” Ali perto, o rio da Prata borbulha. Cheiro bom de comida caseira no fogão a lenha. Estou sentado ao lado dos dois homens com quem mais aprendi na vida. Na sala inteira, calor de gente amada. O tempo flui leve como uma pena de passarinho.

Da esquerda pra direita: Augusto, eu, Camillo, Laura, Bruno e Maria Rosa. Foto de Leonardo Camillo.

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01

Mar

08

A fantástica história do índio do buraco

A edição de 13 de janeiro da Washington Post Magazine traz uma grande reportagem do jornalista Monte Reel sobre os índios isolados no Brasil. Em especial, conta sobre o último remanescente de uma etnia desconhecida: um índio nômade que vive numa área de selva rodeada de fazendas, no sul de Rondônia. Não é novidade, sabe-se disso há mais de dez anos, mas a cada vez que leio, me encanto com a síntese que esse caso representa de tantas outras histórias envolvendo os primeiros donos da terra Brasil. Seus ingredientes incluem desmatamento, violência, grilagem de terra, corrupção, pressões políticas. Há também aventura, trabalho duro e paciente, reviravoltas, investigação, ciência e tecnologia – imagens de satélite, por exemplo, foram algumas das evidências utilizadas para identificar clareiras feitas pelo índio.

O índio solitário constrói cabanas improvisadas de palha e cava um buraco dentro delas pra se abrigar. Está em permanente fuga e evita o convívio humano, talvez por um forte motivo: há evidências de que seus parentes foram mortos por jagunços. Arredio e hostil, já atacou a flechadas os que chegaram muito perto. Entre seus pertences foi achado um pequeno arco que provavelmente pertenceu a uma criança.

Há dez anos, em janeiro de 1998, tive o privilégio de ouvir o início da saga do “índio do buraco” narrada por um dos principais personagens, o sertanista Marcelo dos Santos. Laura e eu passamos uma tarde conversando com ele na sua casa em Vilhena, Rondônia. Apaixonado pelo modo de vida dos indígenas, conviveu com os Nhambiquara, Mamaindê e Negarotê durante a expansão da fronteira agrícola para o Norte na década de 70. Na época em que o encontramos, Marcelo era chefe do Departamento de Índios Isolados da Funai no estado. Seu cotidiano era enfrentar dias de caminhada na selva, na tentativa de minimizar os danos do eventual contato dos nativos isolados com madeireiros e fazendeiros.

Marcelo foi um dos reponsáveis por contactar pela primeira vez os Kanoê, com somente cinco sobreviventes, e os Akuntsu, com seis. No mato ou nos gabinetes, não tinha papas na língua pra cumprir a missão. Era inevitável que entrasse em rota de colisão com corruptos do serviço público, fazendeiros gananciosos e políticos escroques. Mas voltando àquela tarde em Vilhena. Ele nos contou que fazendeiros locais tinham todo o interesse em fazer o “índio do buraco” desaparecer para evitar que a área fosse protegida como terra indígena. Por isso era imporrante documentar a existência do homem, respeitando o seu direito de permanecer isolado.

As únicas imagens disponíveis do “índio do buraco” foram obtidas depois de um susto: Marcelo e um amigo francês, o cinegrafista Vincent Carelli, se aproximaram de uma cabana onde havia sinal de vida e ficaram algumas horas tentando contato. De repente, Vincent se aproximou demais e o homem lá de dentro disparou uma flecha que passou bem perto do cinegrafista. Decidiram se afastar, mas antes amarraram a câmera ligada a um galho de árvore. Alguns minutos depois, aparecia o índio: nu, cerca de trinta anos, moreno, de bigode, segurando um arco. Desconfiado, saiu da cabana com cautela e desapareceu no mato. Com base nas imagens de vídeo e em indícios antropológicos – entre eles o de que houve um massacre de outros índios que também tinham o costume de fazer buracos no chão -, Marcelo conseguiu que a Justiça Federal concedesse liminar interditando uma área de floresta.

Seu empenho lhe rendeu inimigos poderosos. Foi considerado persona non-grata pela Assembléia Legislativa de Rondônia – para a maioria dos parlamentares, a atuação do sertanista atrapalhava o progresso. As pressões políticas o fizeram deixar o estado e sair da Funai. Mas veja as voltas que o mundo dá: em abril de 1999 ele foi condecorado pelo governo federal com a Ordem de Rio Branco, uma das mais importantes honrarias do país. Atualmente de volta à Funai, Marcelo é responsável pela Coordenação Geral de Índios Isolados – existem 46 informações sobre a possível existência desses índios, a maioria na Amazônia Legal. Graças às evidências que sua equipe recolheu em uma década, no ano passado o governo brasileiro finalmente declarou uma área de floresta mais de 20 mil acres como território protegido para o índio solitário.

Em janeiro de 2007, conta a matéria da Washington Post Magazine, uma expedição liderada pelo sertanista Altair Algayer, parceiro de longa data de Marcelo, se embrenhou na mata e encontrou sinais de que o índio continua vivo: restos de coleta de mel e uma cabana recém-construída. Desfecho feliz, por enquanto, para um símbolo de resistência.

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27

Feb

08

Imagens de Cartagena

Cartagena de Índias foi fundada pelos espanhóis na costa caribenha da Colômbia em 1533. Não conheço, mas pelo que ouvi das descrições de viajantes e li nos relatos de Garcia Márquez, é uma das cidades mais belas do mundo. Lugar repleto de histórias de piratas e corsários. Os amigos Silvia Pavesi e Eumano Silva estão por lá agora e compartilham umas imagens no blog Fotos e Fronteiras.

Gostei bastante destas três. A da Silvia mostra a mistura de cores que surpreende nos pequenos detalhes da arquitetura colonial. Um ramo de planta sobre a parede descascada cria uma composição bacana com o ferro curvado do lampião.

As outras duas fotos são do Eumano, tiradas na linda luz do fim de tarde: uma escada em caracol no casario; e o amasso de um casal de namorados em cima da muralha antiga da cidade, com o céu rosado no horizonte e a amiga segurando vela. Dá quase pra sentir a brisa que vem do mar.

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16

Feb

08


Trilha no Cacoal Selva Park Hotel (Sítio do Nério) em RO.

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10

Jan

08

Um quase tsunami de água doce

Ontem por volta das 14 horas, o dique de uma barragem da central hidrelétrica de Apertadinho se rompeu no município de Vilhena, sul de Rondônia. Havia o risco de que um tsunami com ondas de 10 metros inundasse a cidade de Pimenta Bueno, 150 km ao norte da represa e a 67 km a leste de Rolim de Moura, onde estamos agora. O governo chegou a retirar a população que vive às margens do rio Barão de Melgaço e levar as pessoas para abrigos improvisados. Havia um plano de evacuação de emergência de todos os 33 mil moradores de Pimenta Bueno. Felizmente a água foi contida no mesmo dia em outro dique a 20 km da barragem. Antes disso, alagou uma extensa área de floresta amazônica e arrancou árvores de grande porte. Escrevo esta nota com informações da Agência Estado. Aqui continuamos com os pés secos e em segurança.

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08

Jan

08

Epifania na lama amazônica

Essa historinha é do início dos anos oitenta, tempo em que meu sogro Hideharu (Augusto) Tuyama fazia fretes na sua Toyota entre Rondônia, Amazonas e Acre. Na época das águas, muitas estradas da região ficam intransitáveis. As pessoas se sentem pequenas diante da força bruta da natureza e tendem a se irmanar no aperto. Nem todas. Algumas continuam se achando o máximo. Havia um caminhoneiro antipático, daqueles tipos que ignoram os outros e só querem levar vantagem. Ninguém gostava dele. Um dia o sujeito entrou num atoleiro fundo, achando que conseguia passar sozinho, mas ficou preso com lama até o eixo.

Os outros profissionais da estrada foram chegando e o comentário geral era mais ou menos nesses termos: – Deixa esse filhadaputa se lascar pra aprender. Augusto retrucou: – Vamos ajudar! Logo convenceu outras pessoas, arrumaram umas cordas e com esforço conseguiram rebocar o caminhão pra fora. O homem ficou tão agradecido e envergonhado que passou por uma transformação radical. A partir daquele dia ele se tornou um dos viajantes mais solidários, um dos que mais ajudavam os outros. Às vezes é preciso afundar na lama pra se limpar.

~

Epifania é uma súbita sensação de realização ou compreensão da essência ou do significado de algo. (…)
Wikipedia

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06

Jan

08

Leia o Mundo, p.s.

Republiquei o post anterior porque eu tinha errado no título e no texto o nome do projeto: é Biblioteca Leia o Mundo, e não Veja como tava escrito. O link permanente pra vocês passarem o recado adiante passa a ser este aqui.

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06

Jan

08

Leia o Mundo e a magia dos livros

Ontem visitamos a Biblioteca Leia o Mundo. É um projeto social desenvolvido no bairro Bom Jardim pela Afeerm – Associação das Famílias, Educadores e Educandos de Rolim de Moura (Rondônia). A iniciativa nasceu em 2001 como biblioteca itinerante que percorria comunidades pobres pra despertar nas crianças e adolescentes o gosto pela leitura (na época o material foi transportado várias vezes por meu sogro Augusto na carroceria da sua Pampa). Chegou a ser premiada pela revista Nova Escola e saiu numa reportagem da Folha de S. Paulo. Os cinco mil reais do prêmio e as doações de livros deram fôlego à pequena biblioteca, que há dois anos ganhou espaço fixo em um salão da prefeitura.

Esta semana chegou luz elétrica, importante avanço na estrutura precária – faltam banheiro e água encanada, o acervo é limitado, não há gente suficiente pra abrir as portas por mais tempo. Mesmo assim, Leia o Mundo já faz diferença no cotidiano de Bom Jardim, onde as opções de lazer e acesso a livros são quase inexistentes. O bairro é a cara do Brasil esquecido pelo país oficial: um conjunto de casas-caixotes de alvenaria, concebidas com recursos federais pela mente de algum arquiteto sádico – muitas têm puxadinhos nos fundos pra suprir a falta de espaço. Ruas esburacadas de barro vermelho, nada de saneamento. Jovens desempregados nas esquinas, mulheres com bebês no colo, crianças brincando por aí enquanto os pais tentam ganhar a vida. Fomos recebidos com muita simpatia pelos moradores.

Assim que a Valdete, presidente da Associação, abriu as portas da biblioteca, a criançada foi chegando como se atraída por mágica. Logo o ambiente era de festa. Uns meninos sentavam em banquinhos pra ler revistas em quadrinhos. Dois irmãos tentavam decifrar palavras: – Olha, tio, ele já sabe ler a palavra osso. E o pequeno, orgulhoso: – Eu tenho quatro anos, mas já vou fazer cinco. Outros mexiam nas estantes e brincavam de se esconder entre os livros. Os menorzinhos pediam papel pra desenhar – papel é material escasso aqui – e enfeitavam os braços com carimbos. Um miúdo fazia a percussão, batendo com uma colher numa panela vazia. Três adolescentes montavam um jogo de palavras cruzadas com peças móveis.

Leia o Mundo é fruto de vontade e idealismo de muita gente. A Afeerm ainda está em processo de formalização como OSCIP, pra que possa receber recursos públicos. O pessoal tem planos de melhorar o acesso à casa, construir um sanitário, instalar tevê e computador, catalogar as obras. A cada dia é adicionado um tijolinho a mais. Entre as obras encontrei Garcia Marquez, Agatha Christie e Julio Verne. Esses escritores iam gostar muito de saber que podem ser lidos no interior de Rondônia.

Na sua casa tem algum livro ou revista pra passar adiante? Pode ser leitura pra adulto, adolescente ou criança. Que tal dar uma força nesse projeto? É muito pouco pra quem dá e tem valor enorme pra quem recebe. Você pode colaborar enviando doações de livros e revistas pra

Biblioteca Leia o Mundo (a/c Valdete ou Ivone)
Rua das Violetas, 6744, Bom Jardim, Rolim de Moura-RO
CEP 78987-000

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03

Jan

08

Mais fotos de Cáceres

De Cáceres

Pôr-do-sol no rio Paraguai. Restaurante flutuante Kaskata.


Barco Titanic II. O dono tem senso de humor.


À noitinha no centro.

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