23
Oct08
Chico, se as críticas dirigidas a você são verdadeiras, não reclame; se não são, não ligue para elas.
Chico Xavier
[via Luimar]
24
Sep08
Coleção de negativas (2)
Yoani Sanchez é uma personalidade admirável. Sua crônica eloqüente do cotidiano em Cuba, crítica sem perder o bom humor, foi amplificada de tal forma pela blogosfera que a mera negação de liberdade pra seu corpo cruzar fronteiras passa a ser de uma bizarrice cruel, inútil e burra. O sorriso dela, implícito em seu texto, me lembra Thoreau em Desobediência Civil, no trecho sobre a noite que ele passou na prisão por se recusar a pagar impostos que financiavam a guerra ao México e o regime escravocrata:
“Não pude deixar de sorrir perante os cuidados com que fecharam a porta e trancaram as minhas reflexões – que os acompanhavam porta afora sem delongas ou dificuldade; e o perigo estava de fato contido nelas. Como eu estava fora do seu alcance, resolveram punir o meu corpo; agiram como meninos incapazes de enfrentar uma pessoa de quem sentem raiva e que então dão um chute no cachorro do seu desafeto. Percebi que o Estado era um idiota, tímido como uma solteirona às voltas com a sua prataria, incapaz de distinguir os seus amigos dos inimigos; perdi todo o respeito que ainda tinha por ele e passei a considerá-lo apenas lamentável.”
24
Sep08
Anotação de leitura: Thoreau e a máquina
(…) Se a injustiça é parte do inevitável atrito no funcionamento da máquina governamental, que seja assim: talvez ela acabe suavizando-se com o desgaste – certamente a máquina ficará desajustada. Se a injustiça for uma peça dotada de uma mola exclusiva – ou roldana, ou corda, ou manivela -, aí então talvez seja válido julgar se o remédio não será pior do que o mal; mas se ela for de tal natureza que exija que você seja o agente de uma injustiça para outros, digo, então, que se transgrida a lei. Faça da sua vida um contra-atrito que pare a máquina. O que preciso fazer é cuidar para que de modo algum eu participe das misérias que condeno. (…)
Henry David Thoreau, A desobediência civil, 1848.
09
Sep08
Aquele que conhece os outros é sábio;
mas quem conhece a si mesmo é iluminado!
Aquele que vence os outros é forte;
mas aquele que vence a si mesmo é poderoso!
Seja humilde e permanecerás íntegro.Lao Tse – Filósofo
[via Luimar]
13
Jul08
O lixo interior
Paulo Coelho não faz meu gênero de leitura, mas esbarrei hoje em um pequeno texto do blog dele, gostei muito e recomendo. Ela escreve sobre a importância de se livrar do lixo emocional, de se desapegar de sentimentos antigos que já nos ajudaram a amadurecer e hoje já não servem mais pra nada. Palavras sábias. As paixões e dores do passado tiveram sua função e devem ficar pra trás, pra que abram espaço ao que é hoje e ao que virá.
25
Jun08
George Carlin – Save the planet
Neste vídeo, George Carlin ironiza a pretensão humana em “salvar o planeta” e, com humor sarcástico, reflete sobre a nossa finitude diante do universo. 7’38″, legendas em português.
14
Jun08
Uma de menos
Idéia aleatória ao barbear: ninguém salva ninguém.
Também lembrei de um personagem de Fernando Sabino, pai do protagonista no romance Encontro Marcado. Sempre que se barbeava, dizia: “Uma de menos”.
(Miguel acaba de chegar do meu lado. Disse que era do elemento água e que seu poder era um chicote, e fingiu me chicotear com a manga da camiseta comprida. Também pediu pra eu comprar uma prancha de surf)
Devo deixar a barba crescer e comprar uma prancha no próximo verão?
06
Jun08
Dica preciosa de como emprestar sem sofrer
Frase sábia neste ótimo texto em Livros e Afins:
“Só empreste aquilo que puder presentear”.
21
May08
Anotação de leitura: Sobre o amor, etc.
Trecho de uma bela e melancólica crônica de Rubem Braga, escrita há exatos sessenta anos, sobre o que há de irremissível nas separações. O tempo perdido na distância nos transforma em outros.
Dizem que o mundo está cada dia menor.É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raramente vamos sequer a Niterói. E alguma coisa, talvez a idade, alonga nossas distâncias sentimentais.
…
É horrível levar as coisas a fundo: a vida é de sua própria natureza leviana e tonta. O amigo que procura manter suas amizades distantes e manda longas cartas sentimentais tem sempre um ar de náufrago fazendo um apelo. Naufragamos a todo instante no mar bobo do tempo e do espaço, entre as ondas de coisas e sentimentos de todo dia.
…
Assim o amigo que volta de longe vem rico de muitas coisas e sua conversa é prodigiosa de riqueza; nós também despejamos nosso saco de emoções e novidades; mas para um sentir a mão do outro precisam se agarrar ambos a qualquer velha besteira: você se lembra daquela tarde em que tomamos cachaça num café que tinha naquela rua e estava lá uma loura que dizia, etc., etc. Então já não se trata mais de amizade, mas de necrológio.Sentimos perfeitamente que estamos falando de dois outros sujeitos, que por sinal já faleceram – e eram nós. No amor isso é mais pungente. De onde concluireis comigo que o melhor é não amar, porém aqui, para dar fim a tanta amarga tolice, aqui e ora vos direi a frase antiga: que é melhor não viver. No que não convém pensar muito, pois a vida é curta e, enquanto pensamos, ela se vai, e finda.
Maio, 1948
18
Apr08
Sofrimento verdadeiro e sofrimento falso
Anotação de leitura antes de ir ao dentista:
…até que nos curvemos e suportemos o sofrimento da vida, sem nos opormos a ele, mas absorvendo-o e sendo-o, não conseguiremos enxergar o que a vida é. De modo algum isso implica passividade, inação; implica, ao contrário, a ação provinda de um estado de completa aceitação. Até mesmo o termo “aceitação” não é muito preciso; quero dizer, simplesmente ser o sofrimento. Uma completa abertura, uma completa vulnerabilidade à vida é (para nossa grande surpresa) o único meio satisfatório de se viver.
Texto de Charlotte Joko Beck, extraído do livro”Sempre Zen”







