30
May08
Índios isolados são fotografados no Acre (2)
O amigo Hélio Matosinho comenta a notícia que reproduzi no post anterior. Ele chama atenção pro gilete press (ou, atualizando, Control C + Control V) cometido pela BBC Brasil e reproduzido pelo UOL:
Camarada Dauro,mesmo nesses tempos de blogs em alta, é incrível a força de alguns meios de comunicação tradicionais como o UOL. A notícia dos índios está há uma semana no blog do Altino, http://altino.blogspot.com/, foi publicada no Terra Magazine, pelo próprio Altino, mas só ganhou o mundo quandoo Uol deu a matéria. De toda forma, se quiser ver mais algumas fotos deste registro sensacional, vá até o blog do Edwaldo… http://www.aleac.ac.gov.br/aleac…id=709& Itemid=2
Fui conferir no blog do Altino Machado. O acreano é ex-repórter de O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo. Em sua trajetória, já andou na mira do ex-deputado Hildebrando Pascoal (o da motosserra) e teve que sair do Acre algumas vezes pra não morrer. Altino conta que o caso dos índios isolados não é o primeiro em que suas reportagens foram copiadas e reproduzidas sem o devido crédito da autoria (as fotos são de Gleilson Miranda/Funai). Seu furo sobre as fotos dos índios isolados foi publicado dia 23 de maio na Terra Magazine. O curioso é que, depois da repercussão do gilete press, até jornais do Acre passaram a dar crédito da matéria à BBC Brasil. Conta Altino:
Êta racinha miserável. Espera passar um tempo (cinco dias) e depois publica como se fosse furo deles. Seguem tratando a Amazônia como uma terra exótica, pois não aprofundam na questão que mais preocupa ao sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, que é “O começo do fim da Amazônia peruana“, publicado por Terra Magazine antes do furo internacional de sua reportagem.
29
May08
Índios isolados são fotografados no Acre
A notícia mais emocionante do dia é a localização, pela Funai, de uma tribo de índios isolados na fronteira do Acre com o Peru. As fotos foram divulgadas com a intenção de pressionar os governos brasileiro e peruano a demarcar a área, evitando assim que entrem em contato com não-índios. Em circunstâncias como esta, é a melhor maneira de preservar suas vidas e sua cultura. Como diz o adágio, há mais coisas entre o céu e a terra…
Diz a matéria do UOL:
Uma expedição aérea realizada pela Frente de Proteção Etnoambiental da Funai (Fundação Nacional do Índio) na divisa do Estado do Acre com o Peru conseguiu fotografar pela primeira vez um dos quatro povos indígenas distintos que vivem isolados naquela região. Não há registro de contato dessa tribo com a civilização.
…
“As coordenadas geográficas eu não digo por nada, nem para a Funai”, ironizou Meirelles, em entrevista ao UOL, por telefone. “Não queremos que a civilização chegue até lá”, completou.Ao avistarem os ‘intrusos’, os índios atiraram flechas, e as mulheres e as crianças se esconderam, segundo Meirelles. “Posso dizer que fiquei feliz com a ‘recepção’. Enquanto está assim, entendemos que está tudo bem. Demonstra que não são civilizados mesmo, e é isso que queremos conservar”, explicou o sertanista.
20
May08
Estado está ausente em região que desmata
Um dos grandes nós do desmatamento da Amazônia é abordado nesta ótima reportagem de Yan Boechat que saiu ontem e hoje no Valor Econômico: a ausência do Estado. Ele esteve em Rondônia e entrevistou diversos atores sociais da atividade madeireira, entre eles as famílias de colonos que prosseguem com a derrubada ilegal da floresta por falta de opções.
Em Rondônia, um terço da cobertura de florestas já desapareceu. Em 1983, pouco depois de ser transformada de território em estado, a área desmatada era de 5,7%. Em 2004, já eram 31,2%, contando apenas as indústrias de transformação de madeira. Rondônia é o estado amazônico que desmatou em maior velocidade e intensidade. Com a bênção do Estado, que nos anos setenta estimulou a derrubada como parte da política de ocupação da região.
Pra quem está num grande centro urbano (às vezes sentado num sofá de mogno sob um telhado de angelim-pedra), não é fácil compreender a complexidade do tema. Há a tendência de rotular de vilão todos os que derrubam árvores e exigir soluções à la Capitão Nascimento. Uma questão levantada durante reunião de representantes do governo com os agricultores sintetiza o dilema:
No turbilhão de comentários desencontrados, Delano pediu a palavra e fez uma pergunta quase inocente, quase sarcástica: ‘O doutor pode explicar como vamos viver da terra com as árvores em pé?’. Não teve resposta.”
Enquanto o Estado não conseguir dar reposta adequada a isso, a derrubada continua, e não adianta chegar de metralhadora naquelas operações espalhafatosas que a mídia tanto gosta de mostrar. Em recente entrevista à BBC (reproduzo aqui citação do boletim eletrônico Alerta Científico e Ambiental), o ministro Mangabeira Unger foi questionado sobre o que o desenvolvimento sustentável realmente significa e do que necessita. A resposta dele vai ao encontro dos anseios identificados na reportagem do Valor. Mas do diagnóstico à solução dos problemas – entre os quais a complicadíssima questão fundiária – há uma distância amazônica:
Há três pré-condições fundamentais. A primeira é a questão da propriedade da terra. Temos que esclarecer a titulação e a posse da terra. O segundo pré-requisito é que se faça um zoneamento ecológico e econômico da Amazônia, que possa definir uma estratégia para a Amazônia sem floresta, não só a que foi desflorestada, mas também aquela parte que nunca teve floresta, e outra para a Amazônia com floresta. A terceira pré-condição é a construção de um regime regulatório e fiscal que garanta que a floresta em pé valha mais do que a floresta cortada. Uma vez que essas pré-condições estejam satisfeitas, podemos tocar os quatro principais pontos de trabalho que nos foram dados para dar um conteúdo prático à idéia de desenvolvimento sustentável. (…)
Ele prossegue falando dos quatro pontos: a tecnologia apropriada para a floresta tropical; a organização de serviços ambientais avançados na Amazônia; o regime de propriedade sob o qual a floresta será gerida, e o desenvolvimento da ligação entre a floresta e as indústrias. Como o próprio ministro reconhece, é mais fácil falar do que fazer.
15
May08
06
May08
Roteiros do Brasil
A editora Letras Brasileiras e o Ministério do Turismo acabam de lançar a coleção de revistas Roteiros do Brasil, com versões impressa e digital. Material bonito, com belas fotos, textos sintéticos e bem cuidados sobre todos os estados. Contribuí com a redação de algumas revistas – as de Acre, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. A coleção, é claro, não pretende esgotar as possibilidades de viagem por este país gigante (qualquer pretensão nesse sentido seria inútil e burra), mas traz um bom apanhado sobre os principais destinos de acesso relativamente fácil pro turista. Apresenta também opções pros que optam por abrir mão do conforto e encarar um ritmo de aventura (meu estilo preferido de viajar), mas este não é o foco principal da publicação.
Aproveito pra agradecer a todos os que me deram dicas preciosas de roteiros ecoturísticos, gastronômicos e culturais. Escrever sobre o Rio Grande do Norte me deu um prazer especial, pois sou apaixonado pela terrinha onde vivi a adolescência. Por mais que se conheça um lugar, sempre há coisas novas a descobrir. Fiquei cuma vontade danada de visitar com mais calma o Vale do Seridó – já passei um carnaval em Caicó uma vez -, as praias da Costa Branca, no extremo norte do estado, e, quem sabe, aprender a mergulhar com scuba pra explorar mais de perto os corais de Maracajaú. Amigos queridos de Natal, qualquer hora dessas apareço.
p.s.: No dia 30 o Jakzam Kaiser, editor da Letras Brasileiras, recebeu a Medalha Mérito Editor Odilon Lunardelli, concedida pela Câmara Catarinense do Livro pela sua contribuição de mais de dez anos pro crescimento cultural de Florianópolis. Acompanhei essa década bem de perto, com seus altos e baixos, desafios e superações, e afirmo com todas as letras: o homem merece.
25
Apr08
2008, o ano em que 1977 terminou
Abro espaço pra um post de convidado especial: o amigo João Vianney, diretor do Campus Unisul Virtual, escreve sobre a recente ocupação da Reitoria da UnB pelos estudantes e sobre o seu tempo de estudante naquela universidade, quando participou de uma greve em 1977. Belo texto.
2008, o ano em que 1977 terminouComo explicar a ampla difusão e como entender as razões do movimento de estudantes que ocuparam a reitoria da Universidade de Brasília no outono de 2008, e que tinha como principal reivindicação a renúncia do reitor Timothy Mulholland? O alvo do protesto dos alunos eram desvios de finalidade na aplicação de recursos da instituição e da fundação de empreendimentos científicos e tecnológicos da universidade, originalmente destinados à pesquisa científica, e que foram aplicados, por exemplo, na compra de objetos de decoração de luxo utilizados na reforma do apartamento utilizado para moradia do reitor. Após acompanhar a primeira semana da ocupação pela mídia fui até o prédio ocupado. Queria conhecer aqueles estudantes, tentar identificar as razões deles e checar o motivo do fascínio que provocavam na imprensa.
A rampa de acesso ao primeiro piso da reitoria da Universidade de Brasília estava interditada. O bloqueio dos alunos à entrada da reitoria estava demarcado por uma placa que, como passaporte para ingressar nos pisos superiores, solicitava: “apresente a carteirinha de estudante”. Em respeito à advertência parei junto às duas estudantes que ali faziam a sentinela, e perguntei se eu informasse apenas o número da minha matrícula de aluno da UnB do ano de 1976, valia. Expliquei que eu não portava a minha carteirinha de estudante, emitida 32 anos antes. Elas não entenderam de imediato o meu questionamento, e eu logo percebi que elas tinham mesmo os seus motivos. (…)
25
Apr08
25
Apr08
Uma tentativa de entender as motivações da turba
(…) Regra sem exceções conhecidas: a vontade exasperada de afirmar sua diferença é própria de quem se sente ameaçado pela similaridade do outro. (…)
Contardo Calligaris em A turba do “pega e lincha”, ontem na Folha de S. Paulo (acesso restrito a assinantes).
[via Enquanto seu blog não vem]
11
Apr08
Frase do dia: Brasil em debate
“O Brasil é um país geométrico com problemas angulares discutidos numa mesa redonda por bestas quadradas”
José Simão
[via Laura]
05
Apr08
Acolhida na Colônia
A catarinense Thaise Guzzatti, criadora da Associação Acolhida na Colônia, que promove o ecoturismo rural, é tema de reportagem da Época Negócios. Fiquei contente de ver o reconhecimento à autora desse projeto tão bacana que tive a oportunidade de conhecer (o projeto) quando visitamos o Sítio Passárgada em Anitápolis, a 100 km de Floripa. Em outubro de 2007, Thaise foi apontada pela revista World Business, da escola de negócios Insead, como “uma das 35 mulheres com menos de 35 anos com algo especial para oferecer ao planeta”. É a única brasileira da lista.









