29
Jul08
O racha no Sindicato dos Jornalistas de SC
Fiquei de cara com o racha pré-eleitoral no Sindicato dos Jornalistas de SC, explicitado neste manifesto no blog do Rogério Christofoletti. Que o Sindicato está distante de parte significativa da base e defasado quanto a várias questões de nosso tempo, eu já sabia (digo isso com a tranqüilidade de sindicalizado há duas décadas e, portanto, com direito de dar pitaco). Mas não imaginava que a coisa chegasse ao que está descrito no documento.
A grande novidade desta eleição, marcada pra 6 de agosto, é que pela primeira vez em muitos anos a chapa única não resulta de consenso. Em resumo, os colegas insatisfeitos alertam que o processo eleitoral está sendo conduzido de forma autoritária e com interesses político-partidários, o que inviabilizou a construção de uma chapa que representasse a diversidade de pensamento dos profissionais (e já esgotou o prazo pra criação de uma chapa 2).
Prefiro não subscrever o manifesto porque estou afastado do dia-a-dia da entidade e não acompanhei o caso desde o início. Mas os nomes dos que assinam são gente de credibilidade. Ex-dirigentes sindicais com um histórico de lutas importantes pro fortalecimento da profissão, como Ayrton Kanitz, Celso Vicenzi, Francisco Karam, Gastão Cassel, Luis Fernando Assunção, Maria José Baldessar, Samuel Pantoja Lima, Valdir Cachoeira e outros.
Conheço alguns integrantes da chapa 1 e são gente boa. Mas se o povo todo que assinou o manifesto adverte pro risco da transformação do sindicato em braço de partido político, então fico com os dois pés atrás. Cá de minha rede no quintal, aguardo os desdobramentos, concordando com o que diz o Cesar Valente: eleição com chapa única é uma chatice. Ao que parece, é o que teremos no dia 6. Espero que a crise sirva pra sacudir os ânimos e recolocar o SJSC no papel que lhe cabe.
08
Jul08
O Grande Irmão e a internet brasileira
Este texto do Marcos Donizetti (Hedonismos), explica como um projeto de lei do senador Eduardo Azeredo representa ameaça de censura à internet no Brasil e o que podemos fazer pra pressionar os senadores a barrar a proposta. Também dá link pra vários textos sobre o assunto em outros blogs.
10
May08
O Campeche e o Plano Diretor de Floripa
Pra quem mora no Campeche, em Floripa, um recado importante do Raúl Burgos.
Venha participar da próxima oficina do Núcleo Distrital do Campeche, agora para tratar do Uso e Ocupação do Solo e do Sistema Viário. Pela extensão do assunto, e por ser muito complexo, o tema será discutido em dois encontros. O primeiro, no próximo sábado, dia 10 de maio, será no salão da Capela São Sebastião, das 8 horas da manhã até 13h. O segundo encontro acontecerá no dia 17, no outro sábado, também das 8 da manhã até as 13 horas, só que lá no Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares. Estamos na reta final de preparação do nosso Plano Diretor e todos os participantes do Núcleo Distrital do Campeche contam com a sua presença!
As decisões sobre o nosso distrito dependem da sua participação.NÚCLEO DISTRITAL DO CAMPECHE
Contato: (48) 3338-7294Pense a cidade. Planeje o seu bairro.
25
Apr08
2008, o ano em que 1977 terminou
Abro espaço pra um post de convidado especial: o amigo João Vianney, diretor do Campus Unisul Virtual, escreve sobre a recente ocupação da Reitoria da UnB pelos estudantes e sobre o seu tempo de estudante naquela universidade, quando participou de uma greve em 1977. Belo texto.
2008, o ano em que 1977 terminouComo explicar a ampla difusão e como entender as razões do movimento de estudantes que ocuparam a reitoria da Universidade de Brasília no outono de 2008, e que tinha como principal reivindicação a renúncia do reitor Timothy Mulholland? O alvo do protesto dos alunos eram desvios de finalidade na aplicação de recursos da instituição e da fundação de empreendimentos científicos e tecnológicos da universidade, originalmente destinados à pesquisa científica, e que foram aplicados, por exemplo, na compra de objetos de decoração de luxo utilizados na reforma do apartamento utilizado para moradia do reitor. Após acompanhar a primeira semana da ocupação pela mídia fui até o prédio ocupado. Queria conhecer aqueles estudantes, tentar identificar as razões deles e checar o motivo do fascínio que provocavam na imprensa.
A rampa de acesso ao primeiro piso da reitoria da Universidade de Brasília estava interditada. O bloqueio dos alunos à entrada da reitoria estava demarcado por uma placa que, como passaporte para ingressar nos pisos superiores, solicitava: “apresente a carteirinha de estudante”. Em respeito à advertência parei junto às duas estudantes que ali faziam a sentinela, e perguntei se eu informasse apenas o número da minha matrícula de aluno da UnB do ano de 1976, valia. Expliquei que eu não portava a minha carteirinha de estudante, emitida 32 anos antes. Elas não entenderam de imediato o meu questionamento, e eu logo percebi que elas tinham mesmo os seus motivos. (…)
18
Apr08
Blogagem coletiva contra o analfabetismo no Brasil
Leio agora na Georgia, do Saia Justa, que amanhã tem blogagem coletiva contra o analfabetismo no Brasil. Como é bem provável que eu dedique o sábado ao ócio offline, aproveito pra dar meu recado hoje. É o complemento de um texto que escrevi no dia 6 de janeiro.
Analfabeto não é apenas aquele que não sabe juntar A mais B nem assinar o nome. É também quem lê e não entende. É quem sabe juntar letras, palavras e frases, mas nunca pega um livro nas mãos, ou por falta de hábito, ou porque não sabe o que está perdendo, ou por dificuldade de acesso. Aí se inclui o alto custo dos livros, mas nem tanto. Faltam bibliotecas.
Um bonito trabalho vem sendo feito em Rondônia com a Biblioteca Leia o Mundo, projeto social na comunidade carente de bairro Bom Jardim, em Rolim de Moura. Tive a alegria de conhecer crianças que tiveram o primeiro contato com o fascínio das letras naquele espaço humilde, mantido pelo esforço e idealismo de um pequeno grupo de cidadãos na verdadeira acepção da palavra.
Na sua casa tem algum livro ou revista pra passar adiante? Pode ser leitura pra adulto, adolescente ou criança. Que tal dar uma força nesse projeto? É muito pouco pra quem dá e tem valor enorme pra quem recebe. Você pode colaborar enviando doações de livros e revistas pra
Biblioteca Leia o Mundo (a/c Valdete ou Ivone)
Rua das Violetas, 6744, Bom Jardim, Rolim de Moura-RO
CEP 78987-000
18
Jan08
Uma introdução à mídia cidadã
An Introduction to Citizen Media é o primeiro guia de uma série produzida pela Rising Voices, iniciativa da organização Global Voices para disseminar os fundamentos das tecnologias de comunicação entre ativistas de mídia. Traz informações básicas e estudos de caso que mostram como as pessoas estão usando cada vez mais os blogs, podcasts, vídeo online e fotografia digital pra se engajar em conversações não mediadas que vão além das fronteiras, culturas e barreiras de idiomas. Já existe muito material sobre isso na internet, mas quase sempre sobre Estados Unidos e Europa. O diferencial dessa série é o foco em iniciativas inovadoras que estão surgindo em outros cantos do mundo. Ao longo de 2008, outros fascículos vão abordar temas específicos. Este primeiro guia tem versões em inglês, espanhol e bengali [pdf]. Também vai ser editado em swahili, malagasi e aymara.
06
Jan08
Leia o Mundo, p.s.
Republiquei o post anterior porque eu tinha errado no título e no texto o nome do projeto: é Biblioteca Leia o Mundo, e não Veja como tava escrito. O link permanente pra vocês passarem o recado adiante passa a ser este aqui.
06
Jan08
Leia o Mundo e a magia dos livros
Ontem visitamos a Biblioteca Leia o Mundo. É um projeto social desenvolvido no bairro Bom Jardim pela Afeerm – Associação das Famílias, Educadores e Educandos de Rolim de Moura (Rondônia). A iniciativa nasceu em 2001 como biblioteca itinerante que percorria comunidades pobres pra despertar nas crianças e adolescentes o gosto pela leitura (na época o material foi transportado várias vezes por meu sogro Augusto na carroceria da sua Pampa). Chegou a ser premiada pela revista Nova Escola e saiu numa reportagem da Folha de S. Paulo. Os cinco mil reais do prêmio e as doações de livros deram fôlego à pequena biblioteca, que há dois anos ganhou espaço fixo em um salão da prefeitura.
Esta semana chegou luz elétrica, importante avanço na estrutura precária – faltam banheiro e água encanada, o acervo é limitado, não há gente suficiente pra abrir as portas por mais tempo. Mesmo assim, Leia o Mundo já faz diferença no cotidiano de Bom Jardim, onde as opções de lazer e acesso a livros são quase inexistentes.
O bairro é a cara do Brasil esquecido pelo país oficial: um conjunto de casas-caixotes de alvenaria, concebidas com recursos federais pela mente de algum arquiteto sádico – muitas têm puxadinhos nos fundos pra suprir a falta de espaço. Ruas esburacadas de barro vermelho, nada de saneamento. Jovens desempregados nas esquinas, mulheres com bebês no colo, crianças brincando por aí enquanto os pais tentam ganhar a vida. Fomos recebidos com muita simpatia pelos moradores.
Assim que a Valdete, presidente da Associação, abriu as portas da biblioteca, a criançada foi chegando como se atraída por mágica. Logo o ambiente era de festa. Uns meninos sentavam em banquinhos pra ler revistas em quadrinhos. Dois irmãos tentavam decifrar palavras: – Olha, tio, ele já sabe ler a palavra osso. E o pequeno, orgulhoso: – Eu tenho quatro anos, mas já vou fazer cinco. Outros mexiam nas estantes e brincavam de se esconder entre os livros. Os menorzinhos pediam papel pra desenhar – papel é material escasso aqui – e enfeitavam os braços com carimbos. Um miúdo fazia a percussão, batendo com uma colher numa panela vazia. Três adolescentes montavam um jogo de palavras cruzadas com peças móveis.
Leia o Mundo é fruto de vontade e idealismo de muita gente. A Afeerm ainda está em processo de formalização como OSCIP, pra que possa receber recursos públicos. O pessoal tem planos de melhorar o acesso à casa, construir um sanitário, instalar tevê e computador, catalogar as obras. A cada dia é adicionado um tijolinho a mais. Entre as obras encontrei Garcia Marquez, Agatha Christie e Julio Verne. Esses escritores iam gostar muito de saber que podem ser lidos no interior de Rondônia.
Na sua casa tem algum livro ou revista pra passar adiante? Pode ser leitura pra adulto, adolescente ou criança. Que tal dar uma força nesse projeto? É muito pouco pra quem dá e tem valor enorme pra quem recebe. Você pode colaborar enviando doações de livros e revistas pra
Biblioteca Leia o Mundo (a/c Valdete ou Ivone)
Rua das Violetas, 6744, Bom Jardim, Rolim de Moura-RO
CEP 78987-000
25
Nov07
Ano de mudanças
Informo aos parceiros e clientes que desde 1º de novembro não faço mais parte da equipe do Instituto Observatório Social. É uma “separação amigável”, em que tomei a iniciativa de sair da minha zona de conforto pra enxergar outros horizontes. Foram cinco anos e um mês de aprendizado intenso sobre os direitos fundamentais dos trabalhadores e sobre como funcionam as multinacionais. Por meio do IOS fiz grandes amigos e conheci ativistas extraordinários em direitos humanos. Também vivi situações especiais que me ajudaram a compreender melhor o Brasil.
Como vou esquecer daquela noite de lua e fogueiras numa comunidade quilombola em Alcântara, Maranhão, onde o ritmo ancestral do tambor de crioula me hipnotizou? Das complexas negociações de acordos coletivos com empresas multinacionais? Da comunidade do conjunto Palmeira, em Fortaleza, usando o dinheiro “palma” em um projeto inovador de economia solidária? Das conversas com plantadores de café no Espírito Santo, com cortadores de cana no interior de São Paulo, com crianças em uma escola de circo na periferia de Recife?
Em duas décadas na profissão, o IOS foi o lugar onde mais tive liberdade de exercer o jornalismo com plenitude (eu ia escrever “jornalismo investigativo”, mas é quase uma redundância). E o melhor, com uma equipe azeitada e bem-humorada – as gargalhadas eram nosso antídoto contra o estresse. Os frutos vieram: em apenas 11 números de existência, a revista do IOS foi reconhecida com um prêmio Esso e duas menções honrosas no prêmio Herzog de direitos humanos. É possível, sim, fazer bom jornalismo com pouca grana e fora da grande mídia.
Quando eu disse tchau pros colegas, comparei minha saída com o momento em que se deixa a casa da família. Por um lado fica aquele aperto no coração, a saudade e lembranças do bem vivido. Por outro, entro num estado de excitação criativa pelo que vem. Vou continuar prestando consultoria e serviços eventuais ao IOS. Mas também é hora de meter a mão em outras mídias, xeretar novos ambientes e temas, cavoucar na terra preta do quintal, pegar a estrada. Obrigado, amigos e amigas, pela convivência.
25
Nov07
Pesquisa e Ação Sindical
De terça 27 a quinta 29 realiza-se em São Paulo a 7ª Conferência Internacional Pesquisa e Ação Sindical. Este ano o tema é “Perspectivas do mundo do trabalho e os 10 anos do Observatório Social”. Constam da programação as seguintes mesas de debate:
- Os direitos fundamentais do trabalho: 10 anos de Ação e Pesquisa – 10 anos do Observatório Social
- Multinacionais e Meio Ambiente;
- Ascensão da China e os impactos sobre a América Latina: uma perspectiva dos movimentos sociais;
- A cadeia produtiva do alumínio no Norte do Brasil;
- Responsabilidade Social Empresarial na cadeia produtiva do alumínio;
- Trabalho decente em tempos de globalização: Antigas questões, novas respostas;
- Ainda existe trabalho escravo no Brasil? Por quê?







