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Filosofia e felicidade


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ÉPOCA – O senhor associa a felicidade à sabedoria. Os ingênuos e os ignorantes seriam então condenados a ser infelizes? Há quem diga que saber demais pode nos levar à angústia ou a um sentimento de impotência.

Comte-Sponville - Existem imbecis felizes e gênios infelizes. Mas a sabedoria é algo distinto da genialidade. Tampouco tem a ver com desatino ou tolice. A sabedoria é, sim, um certo tipo de felicidade. Mas nada tem a ver com a felicidade ilusória, conseguida por drogas ou pela ignorância. A sabedoria é a felicidade dentro da verdade. É o máximo de felicidade associado ao máximo de lucidez. Essa é a meta da filosofia. Nesse caminho, há muitas ilusões a perder e algumas verdades desagradáveis a confrontar. É por isso que a filosofia passa inevitavelmente pela angústia, pela dúvida, pela desilusão. Continua sendo apenas um caminho. Porque o destino
é uma felicidade autêntica. É isso que chamamos de sabedoria.
(…)
ÉPOCA – Devemos deixar de lado o desejo para viver melhor o presente?
Comte-Sponville – Não, de jeito nenhum! Recusar o desejo é morrer. Deve-se, isso sim, desejar o presente com todas as forças. Quando você faz amor, o que deseja: o orgasmo que está por vir, ou o ato de fazer amor, aqui e agora? Se é orgasmo o que você deseja, a masturbação é o meio mais rápido. Mas, quando se faz amor, o bom é fazer, aqui e agora, e não desejar nada além do tempo presente que nos absorve por completo.
(…)
ÉPOCA – O senhor tem algo a dizer a quem quer desesperadamente ser feliz em 2007?
Comte-Sponville – Preocupe-se menos com a própria felicidade e um pouco mais com a dos outros. Espere um pouco menos. Ame e aja um pouco mais.

Revista Época, 1/1/2007. A íntegra está aqui

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2 Responses:

  1. Em 07/02/07, 19:35, Ulysses Dutra disse:

    Ah! Precisamos combinar uma trilha.

  2. Em 07/02/07, 19:34, Ulysses Dutra disse:

    Salve Dauro!
    Belas palavras do filósofo. Amar aqui e agora é preciso. Grande abraço


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