30

Sep

08

Trezentas árvores

Eu caminhava pelo quintal com Miguel. Comentei que lá nos fundos nós vamos, um dia, construir uma edícula pra instalar um pequeno escritório e uma área de serviço. Pra isso, íamos ter que sacrificar duas ou três árvores do nosso bosquezinho. Ele olhou pra elas e começou a chorar.

Por um instante me senti um ser abominável. A vontade que me deu foi dar um abraço apertado nele e dizer “é mesmo, filho, quem precisa de escritório e de área de serviço?” Mas segui com minha lógica de adulto utilitarista.

Expliquei que às vezes é preciso derrubar árvores pra usar a madeira ou construir. E que podíamos compensar replantando. Ali mesmo já tínhamos plantado várias, como o nim e o pé de araçá. Mas ele não se convenceu. Aí eu disse que, pra cada árvore derrubada, vamos plantar dez.

- Dez não. Cem!

- Tá bom. Cem.

Ele enxugou as lágrimas e continuamos o passeio. A conversa reforçou meu sentimento de que há esperança pra humanidade. Quem virá depois será muito melhor que nós. Então deixo registrado aqui o meu compromisso com o planeta e com meu fiote: plantar no mínimo trezentas árvores.

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5 Responses:

  1. Em 01/10/08, 17:25, -sOliNo- disse:

    vc é um poeta =)

  2. Em 30/09/08, 19:09, Nando disse:

    “Não se descreve o Dharma com palavras, dizemos que as árvores e as montanhas elas mesmas ensinam o Dharma. É algo de secreto, “secreto” porque se nós estamos no mundo do inferno, não os podemos ouvir, e enquanto seres humanos não os podemos ouvir tampouco. Um buda e somente um buda pode ouvir uma árvore falar do Dharma.”
    ~ Mestre Ryotan Tokuda Igarashi.

  3. Em 30/09/08, 17:57, Rodrigo Lóssio disse:

    Bela história, Dauro.

  4. Em 30/09/08, 16:06, Adriane Canan disse:

    que fofo! que lindo!

  5. Em 30/09/08, 15:48, Giorgia disse:

    Mas que lindo… chorei aqui.


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