16
Aug10
Vagas de TIC abertas em SC
Saiu no Valor de hoje, editoria Eu & Carreira, uma reportagem que fiz sobre a demanda das empresas catarinenses de tecnologia por profissionais qualificados. Este é o principal gargalo do setor, na avaliação das lideranças de entidades empresariais. Um esforço grande tem sido feito para criar novos cursos, incentivar adolescentes e adaptar currículos, mas ainda assim, há sempre vagas a preencher. As 500 empresas de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação) de Florianópolis crescem em média 30% ao ano e vendem R$ 1 bilhão em produtos e serviços.
07
Aug10
Perpetuar porra nenhuma
O vizinho-amigo-colegafrila Mauricio Oliveira traz em seu blog uma boa entrevista com o Morongo, criador da Mormaii – empresa que faz roupas pra surfistas na linda Garopaba (SC). Já tive oportunidade de entrevistá-lo, faz tempo, e tive ótima impressão do cara. Gostei bastante deste trecho, que é revelador sobre o espírito com que ele toca o negócio e a vida:
Quais as preocupações que você tem tido para perpetuar essa marca, fazer com que a empresa sobreviva às próximas gerações…
Olha, isso não me preocupa muito. Porque meu filho, que é budista, já me falou da lei da impermanência. Nada é eterno. Nem nosso planeta é eterno, nem o sol, nem nada. Então não tem essa noia de perpetuar. Tem só a obrigação de fazer bem feito enquanto for. Só isso. Essa noia de perpetuar é um dos grandes erros que nós, humanos, cometemos.Você não está preocupado em criar conselho profissional de administração, trazer executivo profissional, essas coisas?
Porra nenhuma. Profissional é a nossa atitude, como um todo. Somos extremamente profissionais. Mas, acima de tudo, estou preocupado com a qualidade de vida, minha e de quem trabalha aqui.
A íntegra das dez perguntas para Morongo está no Vida de Frila.
14
Jul10
Previdência e metáforas do futebol
Há dois meses, fiz uma série de entrevistas com cinco ex-jogadores de futebol: Rubão, Balduíno, Albeneir, Lico e Hamilton. Eles recordam erros e acertos de suas carreiras e dão dicas às novas gerações. A reportagem As lições da bola fez parte do Relatório 2009 da Fundação Celesc – Celos, realizado pela Quorum Comunicação e publicado agora em julho.
Gostei demais de fazer esse trabalho, não só pelo aprendizado com os professores de bola, como pela oportunidade de contribuir para o projeto dos amigos da Quorum, um time de gente talentosa, goleadora e de bem com a vida. A publicação relaciona previdência com metáforas do futebol. É um belo exemplo de como se pode usar comunicação criativa pra fugir da chatice dos relatórios corporativos. Valeu, Gastão, Claudio Lucio, Soninha, Frank e Audrey!
Fotos: Sonia Vill
Veja o making-of da publicação.
Clique na imagem para ver o Balanço.
05
Jul10
Dunga e Maradona na lanchonete
Mais uma certeira do Frank. Humorista que não precisa humilhar ninguém pra fazer rir.
01
Jul10
Mudanças climáticas
O documentário sobre mudanças climáticas, dirigido pelo jornalista Marques Casara e exibido na COP 15, agora ganha versão para Internet: como povos tradicionais do Brasil, da Tanzânia e da Índia sofrem os impactos das alterações do clima. Conta o Marques:
É o documentário mais barato do mundo. A equipe brasileira era eu e minha mulher [Tatiana Cardeal]. No começo de 2009, fomos ao alto Rio Negro com uma câmera de filmar batizado, sem saída de microfone. Eu fiz a câmera e Tati fez o áudio com um microfone ligado a um gravador digital.
Climate Changes from Papel Social Comunicação on Vimeo.
30
Jun10
Paredes pintadas
Este videodocumentário é o trabalho de conclusão de curso que Pedro Santos (conhecido como Mi) apresentou nesta terça-feira à banca examinadora do curso de jornalismo da UFSC. Ainda não assisti, mas quem já viu garante que é forte candidato a ganhar muitos prêmios sobre direitos humanos.
Sinopse
Em 1964, um golpe civil-militar inaugurou um período em que o Brasil seria governado pelas Forças Armadas. O documentário “Paredes Pintadas” traz as lembranças de quatro mulheres que lutaram contra o regime. Dulce Maia, Sonia Lafoz, Renata Guerra Andrade e Damáris Lucena foram militantes da organização clandestina Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Hoje, mais de quarenta anos do dia do golpe, elas se lembram do tempo em que o país estava sob o comando dos militares. Mas quando as próprias memórias vêm à tona, existe um passado que insiste em não passar…
17
Jun10
Arranjos Produtivos Locais na Região Sul
Mais uma materinha de economia. Coloquei no blog a íntegra da reportagem Sul é pioneiro em políticas de apoio a APLs, que saiu (condensada) no Valor Econômico de 24 de maio, num suplemento especial sobre Arranjos Produtivos Locais. O texto aborda um estudo realizado para o BNDES por pesquisadores de três universidades (UFSC, Unisinos e UFPR). Uma das conclusões é que, nos últimos anos, houve certa “perda de fôlego” dos governos estaduais no apoio aos APLs, e que esse vácuo vem sendo preenchido por outras instituições, como sindicatos e entidades de apoio a micro e pequenas empresas. Um dos exemplos de sucesso que apresento é o Platic, Arranjo Produtivo Local das empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação de SC. Vale lembrar que minha reportagem faz parte de um conjunto de textos que traçam um panorama nacional. Infelizmente o acesso ao suplemento está disponível só para assinantes do Valor.
26
May10
News diamond
Reblogo post que Fábio Mayer publicou no ótimo blog Centro Multimídia (onde há, também, uma tabela interativa da Copa pra download gratuito – dica do Alexandre Gonçalves).
O pesquisador e jornalista Paul Bradshaw criou o conceito news diamond, com o qual propõe um novo modelo para o desenvolvimento de notícias, aproveitando as ferramentas tecnológicas disponíveis atualmente. Para tal, demanda primeiro uma reorganização das redações.
1. Alerta – Notas em “últimas notícias” (celular, email e twitter).
2. Resumo – Blog (esboço da matéria).
3. Artigo – Matérias pequenas no site (uso de hipertexto).
4. Contexto – Maior profundidade na matéria (uso de hipermídia).
5. Análise – Reações em blog e comentários.
6. Interatividade – Enquete, chat, fórum (interferência do leitor).
7. Personalização (banco de dados)
Mais informações: Online Journalism Blog
24
May10
3 perguntas a Cláudio Farias: vitivinicultura
Fiz estas perguntas por e-mail para uma reportagem sobre Arranjos Produtivos Locais (APL), publicada pelo Valor Econômico. O professor Cláudio Farias é diretor de Desenvolvimento Institucional do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) no campus Porto Alegre. Conversamos sobre o APL da vitivinicultura da Serra Gaúcha, objeto de suas pesquisas. Tive que condensar a entrevista – perguntas escritas + conversa por telefone + infos que ele me enviou por e-mail – por causa da limitação de espaço na matéria.
Por que os vitivinicultores se beneficiam com a organização em APL? Pode dar exemplos?
Cláudio Farias: Esse tipo de organização em APL é o grande diferencial para as vinícolas da região da Serra gaúcha, uma vez que a proximidade das firmas, unido com a proximidade de fornecedores, viticultores, além de centros de pesquisa e institutos de formação de recursos humanos capacitados, é o que garante a posição de destaque do APL. Minhas pesquisas recentes têm apontado para os ganhos que as vinícolas que se relacionam com os fornecedores de máquinas e equipamentos tem conquistado em trabalhar próximo, não apenas geograficamente, mas desenvolvendo produtos e tecnologias conjuntamente. Outro exemplo pode ser os investimentos que muitas vinícolas têm realizado na reconversão de vinhedos de viticultores parceiros. Esse investimento vai muito além do fornecimento das mudas de uvas viníferas, mas com a contratação de agrônomos e enólogos que auxiliam os produtores rurais na produção de uvas de qualidade.
Quais eram os principais gargalos do setor e como foram e estão sendo superados por meio do associativismo?
Cláudio Farias: Ao responder essa questão, não pretendo que entendas que todos os gargalos foram superados. Muito pelo contrário. Existem dificuldades enormes a serem suplantadas, a maior de todas, a meu ver, dizem respeito a logística e relacionamento com os compradores atacadistas e varejistas localizados por todo o país. No entanto, acredito que a maior barreira que foi superada foi no sentido de acessar os mercados internacionais, principalmente por meio do consórcio de exportação “wines from brazil”, organizados pela APEX BRASIL e o IBRAVIN. Tal estratégia de associação é totalmente deliberada, pois as 38 empresas participantes (34 delas da Serra gaúcha) tem buscado os mercados internacionais com a finalidade de valorizar os seus produtos no mercado nacional, uma vez que o consumidor brasileiro valoriza os produtos que possuem experiência e participação no exterior.
De que forma as empresas do setor foram e são beneficiadas por políticas públicas e privadas?
Cláudio Farias: Acredito que é justamente através do “wines from Brazil” que se consegue perceber alguns dos principais benefícios advindos de políticas públicas e privadas. Não apenas a exportação,mas principalmente a experiencia internacional tem intensificado os processos de inovação entre as firmas do APL. Também, devemos considerar a presença de duas instituições públicas federais na região, que fornecem suporte em pesquisa (EMBRAPA CNPUV) e ensino (Campus Bento Gonçalves do Instituto Federal do RS) às empresas do APL. Porém, ainda há um grande espaço de progresso nesse sentido, principalmente através do trabalho conjunto das associações empresariais, as instituições de ensino e pesquisa e o Estado, em suas diversas esferas.
06
May10
Que desenvolvimento queremos?
Saiu do forno a edição 16 da Revista Observatório Social. Ela é editada pelo Instituto Observatório Social, organização vinculada à CUT que desenvolve pesquisas sobre globalização e direitos dos trabalhadores. Tenho a honra de participar dessa publicação desde o primeiro número, em 2002, fazendo reportagem e edição. Nesses oito anos e 16 edições, a revista conquistou seis prêmios jornalísticos importantes nas áreas de direitos humanos e meio ambiente, entre eles os prestigiados Esso e Vladimir Herzog. Tudo isso com um trabalho quase artesanal, mas ciente de que existe vida após o google.
Em suas páginas já publicamos denúncias sobre trabalho escravo no Pará, trabalho infantil em Minas Gerais, acidentes de trabalho em Santa Catarina, contaminação urbana por mineração no Amapá, desmatamento ilegal na Amazônia, exploração de imigrantes ilegais em São Paulo, discriminação de gênero e outros temas ligados a violações de direitos. Várias vezes, rastreando a cadeia de valor que envolve esses delitos até chegar a grandes corporações brasileiras e estrangeiras.
A tiragem da revista é bastante limitada – em geral, 10 mil exemplares – e a distribuição, precária, focada em formadores de opinião. Mesmo assim as repercussões das reportagens têm sido animadoras. No caso do trabalho escravo em carvoarias no Pará, por exemplo (edição publicada em 2004), a reportagem contribuiu para que o setor siderúrgico formalizasse um pacto nacional pela erradicação do crime. A denúncia de trabalho infantil na mineração em Minas Gerais levou a três conhecidas multinacionais a romper com seus fornecedores (a Basf, registre-se, ainda resistiu a quase um ano de pressões antes de admitir formalmente o problema). O mergulho nas oficinas de trabalho degradante de bolivianos em São Paulo levou a C&A a prometer mais rigor nos contratos com terceirizados.
Também há vezes em que a denúncia cai no vazio, como a reportagem sobre mutilação de trabalhadores no setor moveleiro de Santa Catarina, que publiquei em 2006. Repercussão mínima na imprensa estadual, pra não dizer nula (esta foi menção honrosa no Prêmio Herzog, e tive a honra de subir ao palco com a melhor jornalista brasileira em atividade hoje, Eliane Brum, que ganhara na categoria revista).
De qualquer maneira, com recursos escassos e estrutura mínima, vamos fazendo marola. Às vezes até traduzimos alguns textos pro inglês (thanks, Jeffrey Hoff) pra repercutir lá fora e, por tabela, ressoar no Brasil. Nestes tempos em que o jornalismo se repensa em crise existencial, a vitalidade de uma publicação do terceiro setor anima a gente. Há caminhos. No caso da revista do IOS, um deles, a meu ver, é a ampla liberdade que os profissionais de comunicação têm para desenvolver seu trabalho, sem grandes interferências de quem os financia. O outro tem a ver com o que a já citada Eliane Brum disse quando recebeu o Prêmio Rei da Espanha, ao classificá-lo como um reconhecimento ao jornalismo que vai para a rua.
Nesta edição 16, infelizmente, não pude ir “à rua”. Escrevi uma reportagem sobre a China sem sair de meu canto no Campeche, onde, entre a rede e o computador, devorei alguns livros, dezenas de sites, fiz algumas entrevistas pelo skype e reativei a memória de minha visita a Hong-Kong e Taiwan no século passado. Mas creio que atingi o objetivo, que não era fazer um tratado, e sim dar algumas pinceladas sobre as mudanças que estão acontecendo por lá e resumir um estudo inédito que vai ser publicado em breve sobre os impactos nos trabalhadores latino-americanos. Ah, as fotos foram feitas in loco. Belas imagens clicadas pela amiga Tatiana Cardeal, que foi à China receber um prêmio de fotografia e aproveitou bem a viagem. Também nesta edição apresentamos uma série de artigos com visões sobre o desenvolvimento que queremos para o Brasil; uma reportagem sobre diálogo social; e a repercussão de Devastação S/A, que saiu na edição 15, sobre o “esquentamento” de madeira ilegal na Amazônia.
Inauguramos também o novo projeto gráfico, de autoria da mesma Tatiana Cardeal. A revista está mais analítica e não traz nada de espetacular desta vez quanto a denúncias (há um artigo polêmico do presidente da Eletrobrás sobre Belo Monte), mas aguarde… Para baixar em pdf ou solicitar um exemplar impresso pelo correio, clique aqui.








