07
Nov07
Troféu Olívio Lamas de Fotojornalismo
Em junho lamentei aqui a morte precoce do Olívio Lamas. Volto ao nome dele pra dar conta da homenagem criada pelo Sindicato dos Jornalistas de SC. Que legal: entre os finalistas do prêmio estão o amigo Caio Cezar, o ex-colega de O Estado, Marco Cezar (pai de Caio), e o ex-colega de Diário Catarinense, Júlio Cavalheiro. A nota do Sindicato:
Os fotógrafos Júlio Cavalheiro, Flávio Neves, Hermes Bezerra, Marco Cezar, Caio Cesar e Rubens Flores são os seis finalistas da 1ª edição do Troféu Olívio Lamas de Fotojornalismo. A seleção foi realizada no último 05/11, quando os 38 trabalhos inscritos foram avaliados. O nome dos três vencedores será anunciado na próxima 2ª -feira (12/11), em evento no hall da Assembléia Legislativa, em Florianópolis, a partir das 19h. Os prêmios são um equipamento fotográfico (1º lugar), um pacote turístico para duas pessoas para Buenos Aires (2º) e R$ 1,5 mil (3º). O Troféu Olívio Lamas foi organizado pelo Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e Associação Catarinense de Imprensa, com apoio da Fenaj e patrocínio da Eletrosul.
26
Oct07
A entrega do Prêmio Herzog
Marques Casara, meu convidado à cerimônia de entrega do Prêmio Herzog ontem em São Paulo, conta um pouco do que assistiu:
Três momentos de uma quinta feira chuvosa:. Dauro Veras foi o primeiro agraciado a subir no palco do Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, durante a cerimônia do 29º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Na noite de quinta 25, recebeu menção honrosa na categoria Revista pela reportagem Madeira e Sangue, que conta a vida dos trabalhadores do setor moveleiro de Santa Catarina.
Seu nome foi anunciado pelos jornalistas Mônica Waldvogel e Heródoto Barbeiro, que o convidaram ao palco. Com a serenidade que lhe é peculiar, recebeu calmamente o diploma, fez uma reverência e estampou amplo sorriso. Nada disse e nada lhe foi perguntado.
Guardou o diploma na mochila e recostou-se na cadeira, ao lado desde jornalista e do presidente da Fenaj, Sérgio Murillo.
- Não precisei falar nada – proferiu.
Parecia aliviado ao fazer a afirmativa, afinal, o que era para ser dito estava ali, em sua reportagem.
. Caco Barcellos, um dos premiados, tomou o microfone e falou por cinco minutos. Em meia dúzia de palavras, demoliu o filme Tropa de Elite. De forma didática, revelou como as mídias constroem alianças com o que há de mais podre na sociedade. Não vou aqui reproduzir as palavras de Barcellos, pois não foram anotadas, mas não posso deixar de destacar uma frase. Disse: Na época da ditadura, os jornalistas ou eram contra os grupos de extermínio ou eram omissos. Hoje não são nem contra nem omissos. Hoje apóiam as tropas de elite, os esquadrões da morte que em seis meses matam mais do que mataram os militares da ditadura.
. Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos mais corajosos defensores de presos políticos durante a ditadura, fez um discurso emocionado em defesa dos direitos humanos e do papel dos jornalistas como defensores da justiça e da liberdade.
Assistir a cerimônia de entrega do Prêmio Herzog é algo que todo jornalista deveria fazer. Dali saem referências que nos orientam sobre nosso papel e sobre o quanto o jornalismo é importante para a construção de um mundo melhor.
03
Oct07
Cotidiano, um laboratório de hipermídia
O Núcleo de Produção e Estudos Hipermídia Aplicados ao Jornalismo (NEPHI) da UFSC inaugurou ontem o portal http://www.cotidiano.ufsc.br . A proposta é que este seja uma laboratório para formação de alunos de graduação e pós-graduação do curso de jornalismo, para o qual vão convergir as atividades de várias disciplinas.
02
Oct07
Escravocratas financiam políticos
Meu amigo Lúcio Lambranho, repórter do Congresso em Foco, é co-autor de uma boa reportagem investigativa, dessas que me dão esperança de que o jornalismo não vai só pela lógica “detergente”. A matéria surge num momento bastante oportuno, em que senadores fazem pressão para desmoralizar o Grupo Móvel de fiscalização do governo federal, que liberta trabalhadores.
Política financiada pela lista sujaEmpresas autuadas por explorar trabalhadores em condição análoga à de escravo doaram R$ 897 mil para 25 candidatos em 2006
Lúcio Lambranho e Edson Sardinha – Congresso em Foco
Empresas autuadas por manter trabalhadores em condições análogas à de escravo doaram R$ 897 mil para a campanha eleitoral de 25 candidatos em 2006. Levantamento feito pelo Congresso em Foco revela que dois governadores, três senadores, nove deputados federais e cinco estaduais receberam dinheiro de empresas incluídas na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). (…)
01
Oct07
Gato por lebre e a lógica do detergente
Continuando o assunto, o comentário de dois amigos jornalistas.
Anacris Oliveira:
A CBN está divulgando um comercial inacreditável: um “repórter” entrando ao vivo falando que a ponte está parada e que só é possível passar de moto. Anúncio da Amauri, com cara de reportagem.
Marques Casara:
Esse exemplo cai como uma luva para exemplificar a lógica do detergente, citada por Leandro Marshall em “O jornalismo da Era da Publicidade” (Summus, 2003). Confira alguns trechos:
“A publicidade não aceita mais apenas fazer vizinhança com o jornalismo. Portadora dos interesses do capital, a publicidade pressiona o jornalismo e opera na mesma lógica. A publicidade acossa o jornalismo, submete-o às mesmas regras e valores do capital, obrigando-o a relativizar seu compromisso com a verdade e com o interesse público”.
“A nova estética universaliza e radicaliza a práxis de mercado e atinge a essência da imprensa, das notícias, do noticiário, da informação e dos próprios jornalistas. …. passam a relativizar o conceito de verdade, de realidade, de conhecimento, de informação, de saber etc”
“Embora associe-se imprensa com verdade e jornal com informação, constata-se que a imprensa é consumo, publicidade e empresa privada. Os jornais contemporâneos viram mercadorias, submetidas a lógica do mercado, da audiência e do lucro, que passam a ser produzidas e vendidas dentro da mesma lógica que produz e vende detergente em pó.”
01
Sep07
Diários do Paquistão
Em 2004 tive a satisfação de conhecer o jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto quando ele colaborou com uma publicação que editei sobre trabalho escravo. Ele coordena a ong Repórter Brasil, dedicada ao jornalismo social. Sua atuação como profissional e ativista em defesa das pessoas injustiçadas já lhe rendeu o reconhecimento da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Como se não bastassem a consistência, o rigor técnico e a coragem de se arriscar pelo que acredita, o cara também escreve bem demais.
Uma boa oportunidade para conhecer seu trabalho é a reportagem especial Diários do Paquistão. Acompanhado de Xavier Plassat, da Comissão Pastoral da Terra (outra personalidade fascinante, um herói dos despossuídos da Amazônia), Leo Saka passou nove dias no país asiático. Eles foram conhecer projetos de combate ao trabalho forçado por lá – estimativas apontam que há 1 milhão de paquistaneses escravizados. As impressões dos dois sobre o tema – e também sobre o povo, a cultura, a política e a religião – são uma leitura que recomendo com ênfase.
p.s. 1) Leonardo Sakamoto mantém um blog sobre trabalho decente, meio ambiente e questão agrária, onde também reproduziu o relato.
p.s. 2) Sobre o papel da imprensa no combate ao trabalho escravo no Brasil – me alegro de ter contribuído com a causa -, leia aqui.
p.s. 3) Levei três horas pra escrever estas linhas, com pausas pra trocar fralda, botar a janta dos meninos, encaminhar banho, escovação de dentes e ida pra cama.
p.s. 4) Miguel acaba de me dizer: – Pai… Te amo.
18
Jul07
A tragédia do avião da TAM e a imprensa digital
O blog Intermezzo tá fazendo uma cobertura coletiva sobre o acidente da TAM x jornalismo digital e colaborativo.
Pra quem quer ir mais longe na análise sobre a crise aérea, o Instituto Observatório Social traz três bons artigos. Todos, de certa forma, premonitórios:
- Procuram-se culpados. O pesquisador Roberto Heloani faz uma reflexão sobre as condições e organização do trabalho dos controladores de vôo, a partir do ponto de vista dos pilotos de aviões.
- Prevenção ou punição? A pesquisadora Rita de Cássia Seixas Sampaio Araujo, que trabalha com vigilância em Saúde do Trabalhador, faz considerações para revisão da lógica no controle de tráfego aéreo do Brasil.
- A instabilidade aérea e os limites humanos A médica psiquiatra Edith Seligmann-Silva mostra como o desgaste físico e psicológico sofrido pelos controladores de vôo coloca em risco a saúde deles e as vidas dos que usam avião.
Como bem diz o Inagaki, acidente uma ova.
12
Jul07
A crise aérea na percepção dos pilotos
“O convite ao acidente está feito. De uma forma quase irrecusável, e eu não estou exagerando”. A frase, dita por um piloto da aviação comercial brasileira, resume o risco a que os passageiros estão expostos diariamente por causa da mal resolvida “crise aérea”, agravada depois do desastre com o avião da Gol em 29 de setembro de 2006.
Para Roberto Heloani, professor da Unicamp e da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas), os controladores de tráfego aéreo estão sofrendo de assédio moral coletivo por seus superiores, ao serem responsabilizados por um problema de origens complexas, que envolve debilidades de infra-estrutura e de administração.
No artigo “Procuram-se culpados”, Heloani faz uma reflexão sobre as condições e organização do trabalho dos controladores de vôo. Ele critica a abordagem superficial da mídia, que enfatiza o aspecto espetacular, sem um esforço por parte do jornalismo investigativo para sua compreensão. Depoimentos de pilotos ouvidos pelo pesquisador apresentam um quadro no mínimo preocupante:
- “Há vinte e dois anos eu falo desse buraco negro (região entre Brasília e Manaus)”
- “Nos últimos 20 anos, especialmente nos últimos 10, o embelezamento dos aeroportos tem tomado o lugar do melhoramento da infra-estrutura”.
- “Em nenhum país se assiste a tamanho descaso em relação aos controladores como ocorre aqui”.
- Eles [controladores] necessitam de um rádio que funcione, de um radar que mostre onde estão os aviões. A situação é crítica”.
O artigo está aqui no saite do Observatório Social (pdf, 16 páginas, 57 kb).
29
Jun07
Partidas: NoMínimo
Cinco anos, 150 mil assinantes, 3 milhões de acessos. Com esses números e uma lista de colaboradores de alto naipe, a revista digital NoMínimo resistiu até hoje. Um editorial anuncia oficialmente o fim do projeto, pede desculpas pela falta de espírito empreendedor e agradece os leitores.
(…) Seus realizadores também sentem muito o triste fim desse espaço livre, democrático e criativo de trabalho, mas se despedem com a sensação de dever cumprido com o jornalismo e a camaradagem que nos une. Foi bom, foi muito bom enquanto durou. Quantos no país têm a oportunidade de tocar seus próprios projetos com prazer, independência e alegria? (…)
Vai fazer falta. Mas o prazer, independência e alegria vão germinar em outras paragens, espero.
08
Jun07
O cotidiano como fonte
Este blog foi citado pelo Alexandre Gonçalves em artigo no Acontecendo Aqui, portal focado em jornalismo, propaganda e marketing. Estou na companhia de Coisas Bobas, da Giorgia Sena, e Caminhos das Américas, do Serginho Severino, como exemplo de blog focado em assuntos do cotidiano. Valeu!







