Posts de 2010

18

Mar

10

Recordando Glauco: política (2)

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17

Mar

10

Recordando Glauco: política

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16

Mar

10

Recordando Glauco: direitos humanos

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16

Mar

10

Sobe BG

O Alexandre Gonçalves me convidou e escrevi um post pro blog dele, Coluna Extra, sobre trilhas sonoras marcantes de filmes e seriados de tevê. Gostei da iniciativa e selecionei quatro – das três primeiras eu já tinha comentado aqui no blog em notas esparsas. Depois da minha participação, virão as de outros leitores do blog, todas agrupadas na tag Sobe BG - indicação técnica usada em roteiros pra sinalizar que o som ambiente aumenta.

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16

Mar

10

Castells: “Não há excesso de informação”

Interessante esta entrevista de Manuel Castells aos leitores da BBC Mundo. Tenho trocado ideias com amigos sobre o que ele aborda neste trecho:

A Raúl Rodon, de Panamá, le gustaría saber si usted cree que la gran cantidad de información inútil disponible a través de internet nos llevará a un nuevo oscurantismo.
No hay exceso de información.
Si voy a una biblioteca que tiene 12 millones de volúmenes, tengo mejores posibilidades de encontrar lo que busco a que si tiene un millón de volúmenes. Lo que me hace falta es tener la capacidad de saber qué busco, cómo encontrarlo y saber qué hacer con ello.
Lo que pasa es que internet exige un desarrollo mucho mayor del nivel cultural y educativo de los usuarios.
Por tanto, la verdadera brecha en relación al uso de internet es la brecha más antigua de la humanidad: la cultura y la educación.
Aquéllos más educados en la era de internet aumentan su capacidad de acción sobre la sociedad y sobre sí mismos.
Aquéllos con poca educación se dedican a hacer estupideces con internet y pierden mucho más con respecto al conjunto de la sociedad.

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15

Mar

10

Recordando Glauco: meio ambiente

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14

Mar

10

Cartografia da memória: igarapés

João Camillo em Manaus, 1970

A foto é de 1970. Este é meu pai, João Camillo, aos 45 anos, fazendo pose em um igarapé nos arredores de Manaus. Os “banhos” – equivalentes às praias – são uma deliciosa lembrança do período amazônico de minha infância. Íamos bastante nos fins de semana. Às vezes em balneários com piscinas de água corrente e estrutura pra churrascos. Outras – minhas favoritas -, em igarapés na floresta, em acampamentos improvisados onde a comida era preparada em fogo de chão. Momentos de boêmia florestal cheios de risadas, pelo que me lembro. De vez em quando caíam uns pés d’água fortes e rápidos. Logo eram sucedidos pelo sol ardido que evaporava toda a chuva, deixando um intenso cheiro de mato. Hoje estou quase com a idade de papai nesta foto. E ele, com quase 85 – um sobrevivente, como costuma dizer. As lembranças de embaralham, algumas se esvaem, como as cores desse slide. Mas a essência delas permanece em algum lugar. Porque o vivido, mesmo que esquecido, não se apaga nunca.

p.s. 1: Foto de Sara Veras (ela se foi em 1990, mas deixou um rico legado de imagens que aos poucos estou tirando do baú e recuperando no fotoxop)

p.s. Neste post correlato que escrevi em agosto de 2006 – Os igarapés da memória -, comento um belo texto de Milton Hatoum sobre sua iniciação sexual nos igarapés de Manaus. Minha iniciação nesses riachos foi de outra natureza: a percepção da coisa antes da palavra, a sinestesia atordoante dos sentidos, o riso infantil de liberdade.

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13

Mar

10

Adeus, Glauco

Alessandro_Guarita_Homenagem-ao-Glauco

Acordei hoje me sentindo mais velho. Foi-se, de maneira estúpida e violenta, um dos mais talentosos e corrosivos cronistas dos absurdos do Brasil. Nunca conheci Glauco, mas é como se fosse um amigo. Uma referência importante de minha jornada nos anos 80 e 90. Que o humor dele nos ajude a sair do luto e nos ensine a viver melhor. RIP, Glauco e Raoni.

Charge-homenagem de Alessandro Guarita. Aqui no Universo HQ tem mais.

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11

Mar

10

Cartografia sonora da memória: o Rei

Em 1970, aos quatro anos de idade, eu havia acabado de chegar a Manaus com a família. Território estranho, cidade úmida, ilhada pela selva, onde tudo era novo pros meus olhos de menino praieiro recifense. Morávamos num sobrado no bairro Humaitá, perto de um riacho onde, certa vez, um menino morreu afogado. Afogamentos, descobri ali – e muito depois confirmei nos livros de Milton Hatoum – fazem parte indissociável das crônicas manauaras. Na árvore em frente de nossa casa havia um bicho muito estranho que vi pela primeira vez e depois passei anos sem encontrar de novo: um enorme camaleão. Lembro de uma vizinha, menina de cinco ou seis anos, com cabelos pretos e lisos, por quem me apaixonei. Parece que sua família se mudou em seguida, ou nós. Durou pouco e ela nunca soube.

A tevê ao vivo ainda não tinha chegado à Amazônia – acompanhamos a Copa do Mundo pelo rádio e só víamos os videotapes dos jogos um dia depois. Onipresente em todas as casas, o rádio marcava nosso dia-a-dia. Jovem Guarda e muito som dos Beatles, que tinham acabado de se separar. Tinha também uma música-chiclete chamada Maria Isabel, com o refrão assim: “Pegue a esteira e o seu chapéu/ vamos para a praia que o sol já vem”. Um belo dia – taí um clichê totalmente adequado àquele dia – meu irmão e eu ganhamos dos pais uma eletrola portátil. Junto com ela, dois discos compactos: Os Três Porquinhos, vinil vermelho vivo; e Sua Estupidez, em que Roberto Carlos tem a manha de declarar seu amor ferido e ainda chamar a amada de burra. Fiquei encantado com a letra e a voz dele. Esse compacto abriu portas pra muitos alumbramentos que a música me trouxe, apesar de eu continuar não entendendo quase nada do assunto. Mas pra gostar de música não precisa “entende”r, né?

Revivi essas lembranças ao esbarrar com dois ótimos posts: Top 5 músicas de Roberto Carlos, escrito pelo Alexandre Inagaki, e 10 músicas para começar a ouvir o Rei, pelo Doni. Sua Estupidez aparece em segundo lugar no ranking do Inagaki e em primeiro na lista do Doni – que revela ter perdido uma paquera por causa disso :) Meus talentosos ciberamigos fizeram guias de primeira qualidade pra iniciar quem ainda não teve a chance de descobrir a genialidade de Roberto. É certo que seu repertório “embregueceu” com o passar do tempo, mas as obras-primas que ele gravou o colocam num patamar superior. Prefiro não fazer um ranking, mas, da seleção deles, gosto especialmente de Canzone per Te – canção de Sergio Endrigo que ganhou o festival de San Remo de 1969 -, O Divã, O Portão e Detalhes. E você?

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08

Mar

10

Cortázar e o esquecimento de Éden

Uma anotação de leitura que reencontrei num e-mail enviado em 2007.

Nos cafés recordo-me dos sonhos, um no man´s land suscita o outro; agora mesmo estou recordando mais um, mas não, recordo apenas que devo ter sonhado algo de maravilhoso e que no final sentia-me como que expulso (ou fugindo, mas à força) do sonho que irremediavelmente ficava atrás de mim. Não sei, inclusive, se uma porta se fechava atrás de mim, creio que sim; na realidade, estabelecia-se uma separação entre o já sonhado (perfeito, esférico, concluído) e o agora. Mas eu continuava dormindo, também sonhei com essa expulsão e a porta se fechando. Uma única e terrível certeza dominava esse instante de trânsito, dentro do sonho: saber que irremissivelmente essa expulsão continha o esquecimento total da maravilha prévia.
(…)
Tudo terá, imagino, uma raiz edênica. Talvez o Éden, como dizem por aí, seja a projeção mitopoética dos bons momentos fetais que pervivem no inconsciente. De repente, compreendo melhor o gesto de Adão de Masaccio. Cobre o rosto para proteger sua visão, o que foi seu; guarda nessa pequena noite manual a última paisagem do seu paraíso. E chora (porque o gesto é também o que acompanha o pranto) quando entende que tudo é inútil, que a verdadeira condenação é aquilo que já está começando: o esquecimento do Éden, ou seja, a conformidade bovina, a alegria barata e suja do trabalho e o suor na testa e as férias pagas.

Julio Cortázar, o Jogo da Amarelinha, cap. 132

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