10
Jun10
Contra o cassetete, a pena afiada
Reproduzo na íntegra, pela relevância e urgência, este texto que o Cesar Valente publicou hoje em seu blog, De Olho na Capital, dirigido a Leonel Pavan, governador de Santa Catarina. Trata de graves e reiteradas violações ao estado de direito que vêm sendo cometidas pela Polícia Militar catarinense. Por favor, caso queiram comentar, deixem lá também um recado pro tio Cesar.
Cartinha confidencial para o governador
Prezado governador: como estou sem seu endereço de correspondência (anotei em algum lugar, mas não encontro), tomo a liberdade de enviar, aqui pelo blog, esta cartinha confidencial. Tenho certeza que os demais leitores, muito bem educados, nem tentarão ler porque, como anunciei desde o título, trata-se de mensagem particular, de circulação restrita e destinada apenas aos olhos de V. Excia.
O bonde da História, como certamente V. Excia. não ignora, nada tem a ver com o veículo leve sobre trilhos (ou metrô de superfície) com o qual seu antecessor sonhava. Esse bonde, que todo estadista e todo político de boa índole deveria morrer de medo de perder, transporta, metaforicamente, a humanidade de um degrau a outro ou de um período a outro da… História. Quando ocorre um avanço, diz-se que partiu o bonde da História. E perde o bonde aquele que continua no patamar anterior, que ficou pra trás, que não entendeu a mudança ou que nem percebeu que tudo, a seu redor, evoluía.
Vivemos hoje, em Santa Catarina, finalmente, um desses momentos em que a cidadania começa a preparar um avanço significativo. Portanto. este bilhete secreto que lhe envio, senhor governador, tem o intuito de avisá-lo, caso algum dos seus assessores ainda não o tenha feito, que o bonde da História já está no ponto e o motorneiro toca a sineta, avisando que, dentro de pouco tempo, partirá. Fique atento para não perdê-lo. A própria História registra o que tem acontecido a homens públicos que, distraídos, desatentos ou envoltos demasiadamente em sua própria soberba, perderam o bonde.
E que tipo de coisa estaria para acontecer que levaria o bonde da História a se movimentar? A compreensão, por um amplo espectro da sociedade organizada e mesmo desorganizada, de que está ocorrendo uma grave ruptura institucional, que ameaça a todos, de todos os partidos, de todas as crenças e de todas as classes sociais. E que é preciso recolocar as coisas nos eixos, para o bem de todos e felicidade geral do estado de Santa Catarina.
Sei que V. Excia é homem prático, de vida agitada e espírito dinâmico, por isso traduzirei o hermético parágrafo anterior de forma a que as coisas fiquem mais claras.
Está prevista na Constituição e em vários regulamentos, a ação policial. Assim como está prevista na Constituição a liberdade de reunião, de expressão, etc. Confrontos entre manifestantes e polícia ocorrem em todos os países, dos mais democráticos aos mais autoritários. Mas tem-se notado, e não é de hoje, nem de ontem, que ações policiais em princípio regulares, previstas e, em alguns casos, desejadas, vêm sendo marcadas por excessos que, pela repetição e sistemática semelhança, não podem mais ser atribuídas a um ou outro desvio funcional. A manifestação pública de oficiais, em claro desafio às normas constitucionais e a conivência do senhor (e de seus antecessores) que são, afinal, os comandantes da força policial estadual, está dando a entender que há grupos armados e uniformizados que estão fora do controle institucional e prontos para rasgar a constituição, se para isso forem instados por seus superiores.
No tempo da ditadura, vimos o deputado Francisco Kuster dando de dedo na cara do comandante da Polícia Militar de então, travando uma áspera discussão em torno dos episódios depois conhecidos como “novembrada”. E o deputado não foi espancado. Respeitou-se, naquele momento, o caráter institucional de um sujeito eleito pelo povo. Agora, em que pese toda a legislação democrática que nos governa, certos grupos de repressão policial não têm o menor pudor em agredir parlamentares. Com precisão cirúrgica. De tal forma que não se possa dizer que tenha sido “acidente”.
Defende-se, a força policial, com armas que causam graves ferimentos físicos, de palavras de ordem. Nem se trata da pena contra a espada. É o verbo contra a força bruta. Por menos que se goste dos jovens manifestantes do passe livre e que tenhamos restrições à sua forma de luta, é evidentemente um exagero combater gritos e palavras com cassetete, choques elétricos e balas de borracha que, a menos de 500m, causam dano semelhante às balas de metal. E zombam, os oficiais de poucas luzes, da orgulhosa tradição democrática brasileira, segundo a qual os campi são territórios autônomos, destinados à incubação de idéias e projetos, de formação e ilustração. Permitir que a polícia estadual faça incursões diárias ao campus da principal universidade federal para perseguir e punir jovens acusados de terem opinião contrária à do prefeito ou do governador, é reinstalar a polícia política que muitos de nós julgávamos extinta.
O bonde da História, portanto, senhor governador, começa a receber passageiros. Uns detestam os jovens manifestantes da tarifa, não gostam do MST, mas percebem que se esses oficiais e seus grupos de repressão não tiverem limites, nada impedirá que, mais dia, menos dia, comecem a também a ameaçá-los. Por qualquer motivo. Ou até por nenhum motivo, apenas para mostrar quem, de fato, manda no estado. Também já estão embarcando todos os que, em algum momento, ao longo dos últimos anos, foram agredidos, ameaçados ou intimidados pela polícia que deveria ser um sinal de segurança e tranquilidade para os cidadãos cumpridores das leis. E a discussão que começou a se alastrar e que terá novos e importantes passos nos próximos dias, incluirá muito mais gente. Servidores públicos, agentes políticos, líderes sindicais das mais diversas centrais, identificados com todo tipo de ideologia, policiais militares e civis (sim, sim) que vêem por dentro como está se dando esse perigoso rompimento institucional, enfim, todos os que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir marcharão lado a lado para assegurar que se restaure o império da lei.
Seria muito saudável se o governador levasse a sério este bilhete que de engraçadinho não tem nada e procurasse se informar. Reúna, senhor governador, em um conclave discreto, o Procurador Geral de Justiça, que é tido por todos como homem sensato e correto, o presidente da OAB, reitores das universidades, e quem mais achar que seja importante ouvir. Ouça com atenção e com o espírito desarmado, para perceber que, de fato, mesmo de fontes tão descomprometidas com os protestos, emanam preocupações sérias e pertinentes. E alguma ação será necessária.
Não se trata, é claro, de reprimir a polícia e liberar a baderna, como gostam de sonhar os que fazem a apologia da violência. Trata-se, apenas de por ordem na casa. E fazer com que até mesmo os oficiais de poucas luzes percebam que ninguém está acima da lei. E que a manutenção da ordem não precisa significar a criação de um terrorismo de Estado.
É isso, então. O bonde da História vai partir. O senhor ainda tem tempo de embarcar.
Grato e ao dispor para esclarecimentos adicionais,
Cesar Valente
contribuinte/eleitor
10
Jun10
Futebol
Lindo ensaio fotográfico de Soninha Vill sobre futebol. Tive a honra de acompanhá-la como repórter em algumas das ocasiões que renderam cliques – por exemplo, na do ex-jogador Albeneir sentado no meio da arquibancada do estádio do Figueirense.
10
Jun10
As cores de Veneza
Recebi da @dialves e compartilho essas imagens espetaculares de Veneza.
Around Venezia from Icam on Vimeo.
Na primavera de 1997, Laura e eu passamos um dia inteiro batendo perna por Veneza. Podia ter sido uma semana, ou um mês, e ainda seria pouco. Não tava tão colorido quanto neste vídeo, era um dia cinzento. Lembro também que almoçamos umaas fatias de pizza bem meia-boca e esbarramos em turistas o tempo todo. Detalhezinhos da realidade
Mesmo assim, valeu cada instante. É uma pérola.
p.s.: Depois, no trem pra Innsbruck, ela clicou esta foto minha com o pensamento perdido em algum lugar.
09
Jun10
Como ela é
Mais um release da Beth Karam que faço questão de publicar na íntegra.
Foto da amiga Cleide de Oliveira.
Teatro Sim…Por Que Não?!!! encena Nelson Rodrigues
“A vida como ela é…”, teatralização de cinco contos/crônicas do dramaturgo carioca, estará em cartaz no TAC nos dias 15, 16 e 17 de junho
O Grupo Teatro Sim…Por Que Não?!!! está de volta aos palcos de Florianópolis com a peça “A VIDA COMO ELA É…”, que reúne cinco histórias escritas por Nelson Rodrigues sobre paixões, traições, dramas e tragédias de vidas vividas intensamente. São flashes da vida real através do olhar melodramático do autor.
A direção é de um dos grandes especialistas na obra rodriguiana, Luís Artur Nunes, gaúcho radicado no eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Esta é a sétima obra de Nelson que dirige. Também convidado especial do grupo para esta montagem, o iluminador Luiz Carlos Nem (do Rio), o figurinista Luiz Fernando Pereira (São Paulo) e o cenógrafo Fernando Marés. José Ronaldo Faleiro faz a assistência de direção.
No elenco, Ana Paula Possapp, Berna Sant’Anna, Leon De Paula, Mariana Cândido, Nazareno Pereira, Sérgio P. Cândido e Valdir Silva. Na produção geral, Júlio Maurício e Nazareno Pereira.
Cada história explora uma técnica diferente, como o uso de máscaras, ator-narrador, jogo de sombras e silhuetas, formas animadas (o ator manipulado por outro ator, como se fosse um boneco) e quadros vivos. A música também é um elemento bem presente na encenação, com uma função que vai além do que apenas criar o clima. Às vezes é um comentário da ação dramática, outras vezes reforça o efeito cômico da cena.
Sobre o espetáculo, o diretor diz: “Ainda hoje é fascinante o universo imaginário, e extremamente brasileiro, que Nelson Rodrigues resgata em suas histórias, originalmente escritas como crônicas em jornais diários, mas que têm estruturas de verdadeiros contos. Ele põe o dedo na ferida, nas mazelas da sociedade, com uma imensa teatralidade, criando essas tragédias realistas com uma camada de ironia,
verdadeiras tragicomédias “.A peça será apresentada em curtíssima temporada no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC) – nos dias 15, 16 e 17 de junho, sempre às 20h30. Em julho, faz temporada no Teatro da UFSC (Igrejinha), de sexta a domingo, também às 20h30. Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia). Descontos para Clube do Assinante/DC. Venda antecipada nas Lojas Planetta.
Patrocínio: Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura Apoio Cultural: Café Central/ Caixa Econômica Federal/ Fibratur/ Fratelanza/Fundação Franklin Cascaes/ Hotel Cecomtur/ Instaladora Santa Rita/ Mirantes/ Museu da Escola Catarinense/ Lojas Planetta
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Arroio Trinta Editora e Produtora
Assessoria de Imprensa – Beth Karam
arroiotrinta@karam.com.br / (48) 9982-2568
07
Jun10
Anotações de leitura: organizar a memória
Entre a ausência de vestígio e seu excesso, a fixação dos instantes fortes e raros transforma o tempo longo do acontecimento num tempo curto e denso: o do advento estético. Trata-se de, com longas durações, produzir emoções breves e tempo concentrado no qual se comprima o máximo de emoções experimentadas pelo corpo. Um poem bem-sucedido, uma foto expressiva, uma página que fica supõem a coincidência absoluta entre a experiênca vivida, realizada, e a recordação reativada, sempre disponível não obstante o passar do tempo. De uma viagem só deveriam restar uns três ou quatro sinais, cinco ou seis, não mais que isso. Na verdade, não mais que os pontos cardeais necessários à orientação.
Michel Onfray, Teoria da viagem, p. 53.
02
Jun10
O leopardo que rezava
Uma das minhas brincadeiras com os meninos é inventar histórias coletivas. Cada um conta um pedaço e o outro vai emendando a continuação. A de ontem, Miguel começou assim, bem na hora em que passávamos de carro pela frente da igreja do Saco dos Limões:
- Era uma vez um leopardo que rezava. Um dia ele passou na frente da igreja e viu a placa: ‘Proibida a entrada de leopardos’…
O leopardo ficou furioso e resolveu se vingar do padre, mas não lembro como a história acabou.
31
May10
Leituras em família
Estamos vivendo uma temporada maravilhosa aqui em casa: o despertar da paixão pela leitura nos dois meninos, em diferentes fases de desenvolvimento – alfabetização e pré-escola. É uma onda boa que chega de mansinho, sem sobressaltos, sem lembrança exata de quando começou, assim como a mudança das estações. Acontece com uma simplicidade que encanta. Às vezes me pego encarnando o papel de pai típico, ao pedir pro Miguel apagar a luz do quarto que é hora de dormir (na real sempre fui flexível com isso, acho que a hora ideal é quando dá sono, mas o dormir muito tarde tem suas inconveniências práticas). E ele, sem tirar os olhos do mangá do Naruto que lê na cama, responde, “Espera um pouco”. Debruçado no tapete, Bruno desenha letras aparentemente ao acaso, mas que pra ele fazem todo sentido. Depois recorta papeizinhos e cola com fita adesiva pelas paredes. Às vezes simplifica o processo e escreve com caneta diretamente nelas.
Os sinais se multiplicam, sutis e eloquentes. Há cada vez mais gibis da Turma da Mônica no quarto deles e no banheiro. Nossas visitas a bibliotecas e livrarias são um programa muito apreciado, comparável a ir aos parquinhos ou à praia. Aquela bagunça de livros parcialmente lidos pelos cantos da casa já não é mais privilégio dos adultos. Uma cena bonita de se ver à noite é Miguel lendo livros em voz alta pro Bruno na cama. A tevê tem deixado de oferecer tantos encantos e fica cada vez mais tempo desligada. O segredo disso tudo? Não há segredo, esse é o fato. É o bom e velho método da educação pelo exemplo. Crianças que têm pais leitores tendem a se tornar boas leitoras. Esta é uma das heranças mais preciosas que podemos deixar pra eles.
27
May10
27
May10
Gols de Copas: Carlos Alberto, 1970
Um dos gols mais bonitos de todas as Copas: Carlos Alberto faz 4 x 1 na Itália, na final de 1970, com passe magistral de Pelé.
26
May10
Dia do Brincar
Recebi da Beth Karam o release abaixo sobre uma programação muito legal pra este fim de semana: o Dia do Brincar, no Parque Ecológico do Córrego Grande, um dos lugares mais agradáveis de Floripa.
Vai ser um domingo não só de diversão, como também de ativismo. Dou toda a força – não por acaso, uma das tags deste blog se chama brincadeira – e convido você a assinar o manifesto contra o projeto de lei que pretende restringir um direito fundamental da criançada.
Dia 30 é o Dia do Brincar em Florianópolis
Brincadeiras, jogos, música e estórias esperam país e filhos no Parque Ecológico Córrego Grande, em Florianópolis
No próximo dia 30, último domingo do mês de maio, no Parque Ecológico Córrego Grande, em Florianópolis, a Aliança pela Infância realiza o Dia do Brincar. Uma série de atividades estão programadas das 14h às 18h, como jogos, brincadeiras e também oficinas para fazer pipas, origami, aprender um pouco de música e ouvir algumas estórias. Para os pais também haverá atividades, como a apresentação de um vídeo que discute publicidade e infância, e uma palestra sobre o brincar saudável.
O Dia do Brincar dá a largada a duas campanhas que prometem acirrar ânimos de pedagogos, psicólogos e políticos. Uma é o projeto de lei 6755/2010, que pretende alterar a lei do ensino fundamental para torná-lo obrigatório a crianças a partir dos 5 anos de idade.
A Rede Nacional Primeira Infância – formada por 74 organizações da sociedade civil, do governo, do setor privado e de organizações multilaterais, entre elas a UNESCO, UNICEF e a Aliança pela Infância – está com um abaixo-assinado em todo o país para tentar brecar esse projeto, pois considera a proposta “um atentado contra a infância e um desserviço à educação básica brasileira”. Isso porque obrigar a criança dessa idade a começar o Ensino Fundamental tira-a das brincadeiras lúdicas que fazem com que se desenvolvam de forma mais saudável para que, chegando à idade escolar possam aprender com mais facilidade.
A outra campanha que começa a tomar corpo entre pais, professores e profissionais ligados à infância é a questão da publicidade que se utiliza da criança para vender os mais variados produtos – não só artigos infantis, mas também carros, geladeiras e imóveis. “A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas”, resume o vídeo “Criança, a alma do negócio”, documentário de Estela Renner que será exibido no Dia do Brincar.
Tanto com o projeto de lei como com a publicidade voltada às crianças, o que ocorre é um “encurtamento” da infância: crianças de 5 anos que se maquiam, usam celular e sabem todas as marcas de novos produtos, mas talvez nunca tenham visto uma pipa, se sujado com terra ou não sabem o que é a brincadeira de roda.
PARA PARTICIPAR
Para quem quer assinar a petição contra a lei, a RNPI (Rede Nacional Primeira Infância) está disponibilizando um abaixo-assinado eltrônico em sua homepage – http://primeirainfa ncia.org. br/2010/05/ participe- da-nossa- peticao-online/
Ao acessar a página, clicar no ícone “Take Action”.
Quem preferir registrar por telefone seu posicionamento ao PL 6755/2010, o número é 0800619619 – Alô Câmara.
PROGRAMAÇÃO DIA DO BRINCAR
Dia 30/05/2010
Horário: 14 às 18 horas
Local: Parque Ecológico Córrego Grande – Florianópolis
Jogos e brincadeiras
Oficinas de pipa, origami, musicalização, contação de estória
Atividades para pais:
Vídeo: Criança e consumo
Palestra: Brincar saudável
LINKS
www.aliancapelainfancia.org.br
http://www.alana.org.brhttp://www.oficinadoaprendiz.com.br









