13
May08
O terremoto na China, meu chuveiro e o twitter
O terremoto na China, que, pelas estimativas oficiais até o momento, soterrou 18 mil pessoas e pode ter matado 12 mil, é mais um daqueles fenômenos gratuitos quase incompreensíveis à razão. Ainda mais quando não há ninguém em quem jogar a culpa – aquecimento global, corporações, pecados humanos… Como imaginar tanta dor, tanto sofrimento de crianças? A tragédia é menos significativa por ter acontecido do outro lado do mundo? Mereceria tanto espaço na mídia quanto as mil mortes da menina Isabela?
Reparo em mim mesmo e tenho mais perguntas que respostas. Eu soube da notícia via twitter e devo ter ficado menos de 15 segundos horrorizado, até que outros afazeres me chamaram. A resistência do chuveiro estava quebrada, difícil ficar sem banho quente neste outono quase inverno. Saí pra comprar uma nova e, no caminho, o carro deu problema no motor. Dirigi devagar até a oficina do Cebola, que constatou defeito em duas bobinas. Voltei pra casa caminhando, pensando em coisas mil, não mais nos chineses.
Troquei a resistência lembrando do meu sogro querido. Há poucos meses estávamos nós dois ali no box do banheiro, ele em pé numa cadeira, instalando o novo chuveiro Thermosystem – com haste pra regular a temperatura – e eu ajudando com as ferramentas. Conversamos de eletricidade e de um monte de outras coisas que não lembro mais. Ontem eu estava sozinho na tarefa, mas a presença da ausência dele era tão forte que me encheu os olhos d’água.
Depois da digressão, volto ao twitter, uma discussão acessória diante do horror dos soterrados, mas válida pra quem se interessa por comunicação. O terremoto na província de Wenchuan foi divulgado em tempo real (três minutos antes da divulgação pelo US Geological Survey) pelos usuários dessa ferramenta de comunicação interativa, graças à flexibilidade com que pode ser usado em aparelhos móveis – celulares, notebooks e outros.
O fato agrega mais vitamina ao debate sobre a revolução provocada por essas novas tecnologias na maneira como as pessoas se informam e informam umas às outras. Entre as análises, há quem preveja a tendência de que o Twitter se torne o primeiro meio pelo qual as pessoas vão se informar quando buscarem notícias factuais imediatas sobre manchetes de impacto. Rex Hammock comenta em seu blog:
“The folks “playing around” with Twitter are creating something that is not just about “play.” It may remain an “edge” medium – a global police scanner for the news obsessed – but I stand by my predictions that Twitter will become the source people will turn to in the early, confusing moments of breaking news stories.“
Com todos esses avanços e o potencial de transformações sociais que trazem, vida e morte continuam sendo um grande mistério. Bem, vou lá tomar meu banho quente.
12
May08
11
May08
Jogos de palavras no café-da-manhã
EU: – Coma aí uma fruta, filho. E o leite é pra beber.
MIGUEL: – Ah, é? Se é pra bebê, então é pro Bruno.
10
May08
Blogs no Patrola
O amigo Rogério Mosimann é um dos entrevistados do programa Patrola, da RBS, sobre blogs. Outro é Rodrigo Lóssio, comparsa do coletivo +D1. A reportagem foi feita durante palestra de Lóssio aos estudantes de jornalismo da Estácio, onde Mosimann dá aula. Está bem simples e informativa. Eles e a redatora publicitária Milena Gouvêa, que bloga pra revista Capricho, dão dicas importantes a quem pensa em criar seu blog:
- procurar escrever bem, com clareza
- estimular a participação dos leitores
- interagir com outros blogs
- atuar em rede, vinculando o blog ao orkut ou equivalente, álbum de fotos etc.
- Compartilhar. Rogério cita a licença Creative Commons, que libera licenças flexíveis de reprodução para obras intelectuais.
Este blog aparece rapidamente numa das imagens de telas de computador. Também vi de relance o Dharmalog do meu bloguru Nando Pereira. Confira o vídeo (não consegui ver no Firefox, só no IE). A reportagem aparece depois de quatro minutos de programa:
10
May08
A subversão da lei da gravidade
Encontrei no blog da Luiza Voll (Favoritos), via itens compartilhados do Doni, um link pra obra desse fantástico artista chinês, Li Wei. Nascido em 1970, ele foi educado para a pintura convencional, até que, a partir de 2003, o governo chinês se tornou mais tolerante com outras formas de expressão artística e seu trabalho decolou, passando à fotografia, vídeo, instalações e performances ao vivo. Situações recorrentes em suas obras são as de pessoas “flutuando”, se chocando contra o chão, paredes ou objetos. E também a de cabeças isoladas do corpo. Li Wei vive em Pequim e apresenta sua arte em diversos países. Esse trecho de uma resenha escrita por Ellen Pearlman explica melhor a intenção do artista:
He creates these hair-raising performances to convey his continual sense of lost gravity, resulting from China’s hypersteroid pace of opening to the outside world. The new China is coming face to face with globalization, differing economic systems and shifting political landscapes. The identity of the good Communist comrade of the past has evaporated, producing a whiplash of anxiety.
A new class struggle is re-emerging between the rural poor and the big city nouveau riche. Ethnic minorities like the Uyghur Muslims are reasserting their cultural identities while North Korea is detonating nuclear weapons on China’s doorstep. The environment is continually being degraded. The most immediate, visceral response to all of this for young artists is live action and performance art coupled with images from technology and 3-D gaming.
10
May08
O Campeche e o Plano Diretor de Floripa
Pra quem mora no Campeche, em Floripa, um recado importante do Raúl Burgos.
Venha participar da próxima oficina do Núcleo Distrital do Campeche, agora para tratar do Uso e Ocupação do Solo e do Sistema Viário. Pela extensão do assunto, e por ser muito complexo, o tema será discutido em dois encontros. O primeiro, no próximo sábado, dia 10 de maio, será no salão da Capela São Sebastião, das 8 horas da manhã até 13h. O segundo encontro acontecerá no dia 17, no outro sábado, também das 8 da manhã até as 13 horas, só que lá no Conselho Comunitário da Fazenda do Rio Tavares. Estamos na reta final de preparação do nosso Plano Diretor e todos os participantes do Núcleo Distrital do Campeche contam com a sua presença!
As decisões sobre o nosso distrito dependem da sua participação.NÚCLEO DISTRITAL DO CAMPECHE
Contato: (48) 3338-7294Pense a cidade. Planeje o seu bairro.
09
May08
órfãos do Eldorado
Li de uma sentada só, no avião (aliás, duas: trecho Floripa-Guarulhos e Guarulhos-Brasília), o novo livro de Milton Hatoum, órfãos do Eldorado. São 103 páginas que envolvem o leitor numa história de amor frustrado, conflito pai & filho, miragens e obsessão. Tudo isso ambientado às margens do rio Amazonas, no início do século vinte, entre o apogeu e a decadência do ciclo da borracha. O mito amazônico da Cidade Encantada, lenda indígena e também européia, é evocado na narrativa como possível destino de Dinaura, órfã por quem o protagonista se apaixona.
Muito bom! Não chega a ter a exuberância dos premiados Relato de um certo Oriente, Dois Irmãos e Cinzas do Norte. Mas é uma pequena jóia, lapidada com extrema sensibilidade e competência, que só reforça minha impressão: Hatoum é um dos melhores escritores brasileiros desta geração. órfãos do Eldorado é um “pequeno grande livro”, como diz em seu blog Daniel Piza, colunista do Estadão. Citei Milton Hatoum e a sua obra algumas vezes aqui no blog. A obra dele provoca ecos fortes em minhas memórias de infância – morei dos cinco aos seis anos em Manaus.
Um tema recorrente da obra do escritor amazonense gira em torno de afogamentos e naufrágios – a primeira cena da história marca esse tom e o naufrágio do cargueiro Eldorado tem peso concreto & simbólico na trajetória do protagonista. O recente afundamento de um barco lotado no Amazonas, com dezenas de mortes, revela como a realidade é alimentadora infinita de dramas para a literatura. Barcos que afundam por causa da ganância irresponsável de seus donos e da corrupção das autoridades são fato corriqueiro por lá. Passada a indignação momentânea e as promessas de medidas duras pra aumentar a fiscalização, tudo volta ao que era.
p.s.: o navio Leopoldo Peres, no qual viajei de Manaus a Belém em 1972, já está submerso. Afundou alguns anos depois, numa colisão com uma corveta da Marinha.
07
May08
06
May08
Roteiros do Brasil
A editora Letras Brasileiras e o Ministério do Turismo acabam de lançar a coleção de revistas Roteiros do Brasil, com versões impressa e digital. Material bonito, com belas fotos, textos sintéticos e bem cuidados sobre todos os estados. Contribuí com a redação de algumas revistas – as de Acre, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. A coleção, é claro, não pretende esgotar as possibilidades de viagem por este país gigante (qualquer pretensão nesse sentido seria inútil e burra), mas traz um bom apanhado sobre os principais destinos de acesso relativamente fácil pro turista. Apresenta também opções pros que optam por abrir mão do conforto e encarar um ritmo de aventura (meu estilo preferido de viajar), mas este não é o foco principal da publicação.
Aproveito pra agradecer a todos os que me deram dicas preciosas de roteiros ecoturísticos, gastronômicos e culturais. Escrever sobre o Rio Grande do Norte me deu um prazer especial, pois sou apaixonado pela terrinha onde vivi a adolescência. Por mais que se conheça um lugar, sempre há coisas novas a descobrir. Fiquei cuma vontade danada de visitar com mais calma o Vale do Seridó – já passei um carnaval em Caicó uma vez -, as praias da Costa Branca, no extremo norte do estado, e, quem sabe, aprender a mergulhar com scuba pra explorar mais de perto os corais de Maracajaú. Amigos queridos de Natal, qualquer hora dessas apareço.
p.s.: No dia 30 o Jakzam Kaiser, editor da Letras Brasileiras, recebeu a Medalha Mérito Editor Odilon Lunardelli, concedida pela Câmara Catarinense do Livro pela sua contribuição de mais de dez anos pro crescimento cultural de Florianópolis. Acompanhei essa década bem de perto, com seus altos e baixos, desafios e superações, e afirmo com todas as letras: o homem merece.
05
May08
De beija-flor e bebidas
Almoço em família. No jardim do restaurante, atrás de um janelão de vidro, um beija-flor beija uma flor. Miguel, que sempre prefere suco, desta vez pede pra tomar uma soda H2Oh. Bruno, pra imitar, também pede uma. A mãe oferece suco de laranja, mas ele retruca:
- Dá o suco pro passarinho.








