Posts de 2008

07

Dec

08

Dia lindo!

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07

Dec

08

Exposição de artesanato no Campeche

Recebi da Jadna Pizzolotto, via Katia Klock:

Amigos e Conhecidos:

Na Avenida Campeche 2811 (quase em frente ao Condomínio Novo Campeche, ao lado da Physical Pilates [Florianópolis]), em meu atelier de artes, que chamo de Espaço Lagoa Pequena, por estar tão próximo deste local, convidei vários artistas em exposição de seus trabalhos para um Bazar de Natal.

Já está lá Cristina Casagrande com suas tramas tecidas em arames, algodão, feltro, vidro e miçangas. São mantas, cangas, fruteiras, marcadores de livros, candelabros, e abajur, colares, e brincos, umas verdadeiras jóias de magia!

Stela Barboza trouxe uns pingentes feitos com a arte primitiva da tecelagem chamada Olhos de Deus, usou sobre eles pinturas em relevo dando um sofisticado toque natalino.

Marisis e companhia exibem “Fuxico Mane”, arrasam em cores, volumes em colares quentes como o verão a fim de envolver de alegria a nossa alma.

Indian com a marca “Transformarte”, propõe com suas gavetas de tecido aproveitamento de espaço, despojamento e conforto. E com a linha de velas em cera de abelha traz luz e acolhimento.

Cida deixou um de seus moveis provocantes feitos com madeira reciclada.

Patrícia Lobato buscando inspiração em nossos antepassados africanos pesquisa a arte das Abayomi que são bonecas feitas de tecido e nozinhos, em pregadores colares e chaveiros, presentes para andar juntinho.

Juce prometeu fazer uma bela arvore de Natal com flores de tecido das quais ela revende, além de deixar com a gente um mostruário de enfeites de Natal importados ( tem coisas bem legais).

E eu Jadna Pizzolotto com minhas pinturas, velas, e um abraço.

Outros artistas foram convidados e disseram que estão chegando, aguardem!

Horário de atendimento: terças e quartas-feiras 14 às 19h; quintas e sextas-feiras 18 às 22h; sábados e domingos 15 às 20h
Tel.: (48) 4141 1152 e (48) 9946 9160

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07

Dec

08

Voluntários

Voluntários embalam doações no Sesc da Prainha. Floripa, 29 de novembro, 2008.

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06

Dec

08

A enchente e a publicidade oportunista

Um leitor do blog chama a atenção pro podcast que acompanha esta matéria da Folha de S. Paulo (“Homem que perdeu tudo ajuda a resgatar vítimas da enchente em Santa Catarina”). A primeira coisa que a gente ouve é a dica sobre uma incorporadora de imóveis de onde o desempregado Elson Ferreira da Conceição, com a água até o pescoço e pensando nas crianças e nos idosos ameaçados pelas águas, pode encontrar uma nova casa. “Cirela. Basta um clique”. Comenta o leitor: “Isso é que é jornalismo-cidadão! Põe sensibilidade nisso. ;-)”

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05

Dec

08

Jornalismo, mangaba e direitos humanos

Dia de comemoração! Acabo de saber que a reportagem Tradição Dizimada, escrita por Paola Bello e fotografada por Tatiana Cardeal, ganhou o Prêmio Especial de Direitos Humanos da OAB/RS e do Movimento Justiça e Direitos Humanos. O texto, sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres catadoras de mangaba de Sergipe, foi publicado em novembro na edição 14 de Observatório Social Em Revista [pdf, 4,3 MB], que tive a honra de editar.

Começa assim a matéria:

Quando as primeiras flores da mangabeira começam a desabrochar na restinga sergipana, não é somente uma nova estação que se aproxima. A cada safra, a incerteza e a angústia de três mil famílias se multiplicam. Liderada por mulheres de pele negra e causas nobres, a catação ou colheita da mangaba é a razão pela qual toda uma comunidade tradicional nordestina está com a existência ameaçada.

A árvore símbolo de Sergipe já foi eliminada em 90% dos territórios nativos no Estado. Nos 10% que restam, a coleta da mangaba é um cabo de guerra onde estão, de um lado, o poder público e grandes investidores, e do outro, comunidades de baixa escolaridade, sem terras ou reservas econômicas, cuja maior riqueza é a tradição que carregam há gerações.

Há anos, os governos estadual e federal constroem discursos sobre os investimentos feitos na região. São milhões aplicados na construção de pontes e rodovias, na monocultura e no incentivo à vinda de grupos estrangeiros de turismo e criação de camarão. Ao mesmo tempo, a modernidade ameaça de extinção atividades que ajudaram a construir a identidade brasileira. (…)

Fico contente que o Observatório Social tenha acreditado no talento da Paola, minha substituta quando encerrei o vínculo formal com a organização em outubro de 2007. Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela é daquelas profissionais em início de carreira que considero uma jóia rara, pelo talento em farejar boas histórias e contá-las com sensibilidade. Paola tem outros atributos preciosos: humildade, generosidade e coragem. Seu trabalho de conclusão de curso, realizado no ano passado aos 23 anos de idade, foi uma grande reportagem independente sobre refugiados de guerra em Uganda e no Sudão – países pra onde viajou sozinha. Aliás, A lei do mais fraco, publicada na revista Galileu em fevereiro, também ganhou prêmio neste concurso gaúcho (terceiro lugar na categoria Reportagem).

Tou duplamente feliz. Minha amiga Tatiana Cardeal é uma fotógrafa independente com um trabalho admirável na área de direitos humanos, em especial retratando comunidades indígenas, quilombolas e sem-teto. A química entre Tati e Paola, pelo que vejo, funcionou muito bem, e espero que renda mais histórias bonitas no futuro.

Observatório Social Em Revista é um caso singular entre as publicações jornalísticas de organizações do terceiro setor. Em apenas 14 edições, conquistou um Prêmio Esso de Jornalismo Ambiental, dois Prêmios Herzog de Anistia e Direitos Humanos e agora mais este. Tudo isso com recursos limitados e equipe enxuta, mas afiada. E com respaldo (= coragem, um dos atributos a que eu me referi acima) do IOS para mexer em temas polêmicos que envolvem interesses de empresas multinacionais, como foi o caso das reportagens-denúncia sobre trabalho escravo, trabalho infantil, contaminação ambiental e tantas outras. Fui um privilegiado por ter participado desse projeto por cinco anos, e agora, mesmo que a distância, por ter a chance de continuar editando a publicação. Valeu, Paola e Tati, vocês merecem!

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05

Dec

08

O sistema suíço de proteção contra enchentes

Meu amigo Geraldo Hoffmann, jornalista catarinense que vive na Suíça, publicou hoje no saite de notícias swissinfo a primeira parte de uma reportagem sobre o sistema de proteção contra as enchentes naquele país. Os investimentos não tornam os suíços imunes ao problema, mas minimizam bastante os prejuízos humanos e materiais.

Nas últimas três décadas, as enchentes causaram prejuízos de mais de 10 bilhões de dólares na Suíça. Para reduzir os danos, o país adota uma "estratégia integral de prevenção às cheias".

Ela combina obras de construção civil com medidas de organização e planejamento, controle rígido da ocupação do solo e proteção ao meio ambiente. Um seguro obrigatório cobre os prejuízos em caso de catástrofe. (…)

Leia a reportagem aqui
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04

Dec

08

Alles Blau: a gênese de um blog coletivo

Reportagem de Manoel Fernandes Neto na revista digital NovaE relata como nasceu o blog coletivo Alles Blau, que durante a tragédia da semana passada, se transformou num ágil meio de comunicação e utilidade pública para quem buscava (e busca) de informações sobre Blumenau. O Alles Blau (“tudo azul” em alemão) nasceu da necessidade, conta a sua criadora, Juliana Maria da Silva:

(…) Não fizemos nenhuma reunião de pauta. Para falar a verdade, alguns dos colaboradores eu ainda não conheci pessoalmente. A melhor equipe colaborativa, juntada ao acaso, unida pelo único ideal de distribuir as informações. Não há pauta. Os assuntos postados no blog são de interesse coletivo e isso é o suficiente para que os colaboradores separem o que é relevante e adequado. Trocamos alguns e-mails no começo, ajustando nossa conduta. Tive que editar alguns post, mas foi só no início. Hoje todos os 11 são editores de seus próprios conteúdos. Eu acompanho como leitora e aparo arestas apenas quando há necessidade. Nesta semana quase todos retomaram suas vidas normais, o blog está sendo alimentado entre uma tarefa e outra. (…)

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03

Dec

08

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03

Dec

08

Hora de recomeçar

O texto abaixo é assinado por Cláudio, de Balneário Camboriú, vizinha a Itajaí, SC. Recebi por e-mail.

Meus amigos,

Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta “folga forçada” a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.

As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.

Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.

Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:

- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros
– Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
– Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
– Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
– Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
– Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
– Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
– Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
– Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
– Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.

Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:

- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
– Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
– A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
– À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
– Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
– Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
– Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
– Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
– Aos Médicos Voluntários.
– Às enfermeiras Voluntárias.
– Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
– Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
– Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
– Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
– Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
– Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
– Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
– Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
– A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
– A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
– A todos que oraram por todos.
– Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
– Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
– A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
– A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
– A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.

Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:

COMEÇAR DE NOVO

Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.

Anônimo.

É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.

Pelo menos é a minha hora, acredito.

Que Deus abençoe a todos.

Claudio

Balneário Camboriú-SC
“Hoje aqui amanha não se sabe… Vivo agora antes que o dia acabe…”

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03

Dec

08

A menina na faixa de pedestres

Agora há pouco vi uma menina de nove anos, impaciente, tentar atravessar a faixa de segurança de uma rua no centro, enquanto do outro lado a mãe, aflita, pedia pra ela ter calma. Passaram cinco carros sem parar nem reduzir a velocidade. Finalmente uma boa alma seguiu a lei e deu preferência à pequena. E olha que em Floripa a faixa é razoavelmente respeitada. Mas ainda estamos longe da situação de Brasília, onde, depois de muitas campanhas educativas e ações repressivas, o pedestre conquistou mesmo a prioridade. Existem cidades onde é pior – passam 50 (ou 5 mil) carros dirigidos por quadrúpedes antes que um dê a vez ao bípede.

Em julho, quando estive em Natal, comentei sobre isso com um amigo. Ele disse que, durante um tempo, houve forte campanha na cidade e os motoristas passaram a respeitar a faixa de pedestres. Foi só a campanha acabar e o desrespeito voltou, embora, na percepção dele, tenha havido um pequeno avanço. Achei a observação bastante afiada. Campanhas educativas como essa precisam ser permanentes. É como no caso das enchentes, em que os governos deixam de investir na prevenção silenciosa e gastam sete vezes mais na resposta ruidosa aos desastres. Lombadas pós-atropelamento rendem mais votos que campanhas feitas com regularidade.

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