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Mar03
01
Mar03
Áudio
O Blogger tá lançando um audioblogger. Você telefona e seu blog publica sua mensagem de voz em mp3.
28
Feb03
27
Feb03
Daqui a 25 anos
Perguntaram-me uma vez se eu saberia calcular o Brasil daqui a vinte e cinco anos. Nem daqui a vinte e cinco minutos, quanto mais vinte e cinco anos. Mas a impressão-desejo é a de que num futuro não muito remoto talvez compreendamos que os movimentos caóticos atuais já eram ao primeiros passos afinando-se e orquestrando-se para uma situação econômica mais digna de um homem, uma mulher, de uma criança. E isso porque o povo já tem dado mostras de ter maior maturidade política do que a grande maioria dos políticos, e é quem um dia terminará liderando os líderes. Daqui a vinte e cinco anos o povo terá falado muito mais.
Mas se não sei prever, posso pelo menos desejar. Posso intensamente desejar que o problema mais urgente se resolva: o da fome. Muitíssimo mais depressa, porém, do que em vinte e cinco anos, porque não há mais tempo de esperar: milhares de homens, mulheres e crianças são verdadeiros moribundos ambulantes que tecnicamente deviam estar internados em hospitais para subnutridos. Tal é a miséria, que se justificaria ser decretado estado de prontidão, como diante de calamidade pública. Só que é pior: a fome é nossa endemia, já está fazendo parte orgânica do corpo e da alma. E, na maioria das vezes, quando se descrevem as características físicas, morais e mentais de um brasileiro, não se nota que na verdade se estão descrevendo os sintomas físicos, morais e mentais da fome. Os líderes que tiverem como meta a solução econômica do problema da comida serão tão abençoados por nós como, em comparação, o mundo abençoará os que descobrirem a cura do câncer.
(Clarice Lispector, em 1967, no Jornal do Brasil)
27
Feb03
27
Feb03
Noturna
Há pouco troquei a fralda de Miguel, ele mamou na mãinha e dormiu de novo. Fiquei olhando ele no berço e aspirei fundo o cheiro bom de neném. Agora entra pela janela um perfume da madrugada, mistura de terra e mato molhado. Tem dias em que basta isso pra ser feliz.
27
Feb03
Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.
Mario Quintana
[via Kemp, que encontrei no Nando]
27
Feb03
26
Feb03
Carta do pai
Trecho de carta que recebi hoje do velho Camillo:
Gosto muito de viajar e espero exercer esse desejo, enquanto as forças físicas, mentais e econômicas assim o permitirem. No mais, continuarei em minhas grandes farras: receber aqui os filhos, netos, bisnetos, consangüíneos ou afins.
Papai tem 77 anos. Ele tá morando (eu ia escrever “mora”, mas o gerúndio se aplica melhor a quem gosta tanto de estar em movimento) em Russas, no Vale do Jaguaribe, Ceará. Sou suspeito pra dizer, mas é uma das pessoas mais fascinantes que conheço. Generoso, humanista, com um aguçado senso de humor e um vasto repertório de histórias de vida, é daquelas figuras com quem você conversa por horas sem cansar. Ou até que ele se canse do papo, peça licença e vá dar um cochilo na rede.
26
Feb03
Guerra e estatística
Do Verissimo, leitura indispensável:
A revista americana “Business Week” acaba de publicar uma entrevista com uma demógrafa que fez uma estimativa, a pedido do Departamento do Comércio americano, dos civis mortos na Guerra do Golfo de 91. Segundo ela, morreram 13 mil civis iraquianos durante a guerra e mais 70 mil dos efeitos da guerra na infra-estrutura do país, não incluindo as milhares de vítimas do boicote econômico que viria depois. Na época, Dick Cheney, então secretário de Defesa, dizia que era impossível avaliar o número de civis mortos. A demógrafa foi dispensada e o seu estudo desautorizado, apesar de ser apoiado pela Associação Americana de Estatística. Está no “Salon”, um bom saite para se medir o que vem por aí.








