23
Sep08
Acidente em Rondônia
A vida é incompreensível. Imagine. Você está pescando com um grupo de amigos. Semana maravilhosa. Cinco deles resolvem voltar antes porque têm compromissos. Na estrada, numa curva no meio do nada, acidente. Três morrem na hora. É o que aconteceu na madrugada de sexta-feira em Rondônia com a camioneta onde estava o vice-governador do estado, que sobreviveu com ferimentos leves. Meu cunhado estava na pescaria e foi um dos que voltaram depois, a tempo de se deparar com a tragédia recém-ocorrida. Não, não dá pra imaginar o tamanho dessa dor. Minha solidariedade a todos os parentes e amigos das vítimas, que eu não conhecia, mas com quem me sinto irmanado neste momento.
23
Sep08
Chegadas: Gabriela
Chegou Gabriela Armendano, filha dos amigos Joice e Leandro. Ela nasceu na Maternidade Santa Luiza, na Praia Brava, entre Itajaí e Balneário Camboriú. Vida longa e feliz pra esse serzinho iluminado.
17
Sep08
Primeiras letras
Miguel começou a escrever. Ele pede pra gente dizer uma palavra e soletrar. Vai então colocando letra por letra no papel, em maiúsculas, com capricho. Parece que tou me vendo: era bem assim que eu fazia aos cinco anos de idade, em Manaus, num pequeno quadro-negro que meu pai fez pra mim e pro meu irmão. Um universo de maravilhas se abre pra esse menino lindo que um dia desses era um nenenzinho recém-nascido. E agora já consegue redigir cavalo (“é com k?”), ovo, borboleta, gato, azul, mar…
Enquanto isso o Bruno, com a curiosidade de seus dois anos e meio, pega papel e caneta e tenta imitar o mano maior. Uma revista, uma mesa ou uma parede também servem. Aos poucos a casa ganha hieroglifos infantis que os dois espalham com espontaneidade. As canetas desaparecem como que engolidas por um buraco negro. Lembro vagamente de plantar árvores pra compensar o papel consumido nesses momentos mágicos. E rio feito bobo. Emoção de pai que vive das letrinhas, luta com elas, é apaixonado por elas.
08
Sep08
Vida e Saúde
A amiga Cleide Klock estreou um programa novo na RBS TV: Vida e Saúde. Vai ao ar nos sábados às 8h da manhã. Pra quem não tá acordado a essa hora, santa internet dá um jeito. Confirma o primeiro programa.
06
Sep08
Partidas: Fausto Wolff
Foi-se o grande escritor Fausto Wolff. Sempre tive a impressão de que teríamos nos entendido muito bem numa mesa de bar ou numa correspondência jornalístico-literária. Fica pra outra.
p.s.: Há uma história interessante relacionada a Fausto, que ele conta em Confissão de um reles plagiário. Curioso como na Wikipedia isso aparece com tanto destaque quanto seus méritos.
03
Sep08
Aniversários da família: gente
Meu irmão Camillo, que mora em Fortaleza, completou 36 anos ontem. Hoje foi a vez da sobrinha Camilla, de Manaus – os dois são jornalistas, a profissão é praga de família. Parabéns duplos pela data. Espero que a gente se encontre logo – em qualquer ponta desse triângulo continental ou pelo meio do caminho.
21
Aug08
Chegadas: Maria Eduarda
A segunda filha da Fernanda Medeiros e do Paulo nasceu ontem em São Paulo às 2h18 da madrugada, com 3,710 kg e 51 cm. “É a Maria Eduarda mais linda que eu conheço”, conta a mãe, felicíssima e, como boa jornalista, já espalhando a boa nova pela internet.
Sossegue, homem, uma criança nasceu. O mundo tornou a começar (Guimarães Rosa)
13
Aug08
Meu testemunho sobre um acusado de plágio
Caro Sponholz,
Escrevo de espírito desarmado, sem a intenção de polemizar. Gostaria só de fazer uma reflexão sobre o episódio da charge do pódio, que você diz ter sido plagiada. Quero deixar um testemunho. Há duas décadas acompanho a trajetória do Frank Maia – mais que um artista gráfico e chargista brilhante, um cara generoso e íntegro, de quem tenho a honra de ser amigo. O Frank simplesmente não precisa plagiar ninguém. Ele é muito bom, uma usina de idéias. Claro que não lhe peço para acreditar na minha palavra: basta pesquisar, perguntar pros colegas do ramo, acompanhar as citações freqüentes na coluna do Zé Simão na Folha.
Lamento que você tenha tirado uma conclusão apressada. E mais ainda, que um jornalista-blogueiro de Santa Catarina a tenha endossado sem ao menos dar um telefonema para ouvir o outro lado, baseado só no horário de publicação no Charge Online – lugar bastante improvável pra se divulgar uma charge plagiada, convenhamos. Por incrível que possa lhe parecer, Sponholz, coincidências acontecem. Ainda mais se é com uma idéia que quicava de madura no imaginário coletivo dos criadores de piadas. Já vi várias sincronicidades incríveis. Mais uma vez não precisa acreditar em mim, pergunte aos colegas que estão há mais tempo na estrada.
Tenho admiração por seu trabalho e espero sinceramente que você tenha percebido o alcance do que disse – nem me refiro à carreira do Frank, consolidada há anos, mas no efeito que uma acusação injusta provoca numa pessoa honesta. Pense nisso, meu caro. E vamos em frente, que a vida passa ligeiro e temos mais o que fazer.
Abs
Dauro
p.s.: Como o caso se tornou público e envolve um amigo querido, tomo a liberdade de publicar esta carta em meu blog.
11
Aug08
Dia dos Pais
Domingo trivial e aconchegante junto com os meninos, a amada e a sogra. Eles me acordaram com uma lembrancinha – caneca de café e um pão de mel. Arranquei mato, plantei, bebi vinho, comemos, brincamos, rimos, dormimos, tomei banho com eles, vimos a chuva pela janela. Vida.
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Passamos ao largo do aspecto consumista da data e nos concentramos no melhor da festa: o imenso prazer da convivência cotidiana num dia dedicado ao ócio amoroso – às vezes até o ócio criativo cansa. Saí de casa só uma vez, rapidinho, pra pegar um DVD do Bob Esponja.
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Miguel, Bruno e eu conversamos bastante com papai por telefone. Papo à toa sobre sapos, cachorros, gatos, natação e fisioterapia, revistas ruins e livros bons, comida, temperaturas no Sul e no Nordeste. Esqueci de lhe perguntar sobre as Olimpíadas. Pra que esgotar o assunto?
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Ando de coração mole. O texto dela sobre o pai me encheu os olhos d’água. O dele, sobre o dia em que chegou seu filho, me lembrou os nascimentos de meus dois meninos e a mudança radical que isso representou ao dar sentido a tudo.
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Há duas semanas, a perda que eles tiveram me apertou o coração. Em Il Morto e Lo Straniero, meu amigo lamenta o sogro recém-partido, e como isso o tornou ainda mais estrangeiro em terras italianas. Sofro junto, mesmo que nunca tenha encontrado esse homem especial.
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Falar em sogros especiais: saudade imensa de meu segundo pai, morto há seis meses. Hoje, debaixo de chuvinha miúda, cavoquei buracos no jardim e no quintal pra plantar palmeiras. Com certeza ele estaria me ajudando e tomaríamos cerveja depois. Estava bem perto, senti.
22
Jul08
Encontro feliz no calçadão de Ponta Negra
Dia feliz! Eu caminhava com Flávio e João Augusto pelo calçadão de Ponta Negra. De repente ela se materializou na minha frente com um sorriso lindo. Nem sabia que eu estava em Natal e a procurava, com pouca esperança de encontrar seu rastro. Foi uma emoção forte, depois de tanto tempo sem contato – a última vez que falamos tinha sido há um ano e nove meses, por telefone, uma conversa áspera e triste. Pedi pra meus amigos continuarem a caminhada. Descemos pra areia, tomamos água de coco e botamos as pendências em dia – assuntos complicados de família que não interessam aos leitores. Minha irmã me pareceu bem. Mais amadurecida e confiante. Liberta. Combinamos de amanhã ou depois nos encontrarmos de novo, ela vai levar os três meninos à praia. Segui a caminhada com meus amigos, me sentindo leve. Pensando em como é inútil julgar os outros ou pretender que se pode viver a vida pelos outros. Pensando nas voltas que a vida dá pra que as pessoas encontrem seu lugar no mundo.
p.s.: Hoje fiz as pazes com o calçadão de Ponta Negra








