17
May06
Miguelices: palavras
Miguel começou espontaneamente a descobrir as letras e a ligar sozinho o computador pra desenhar. Outra coisa que ele curte bastante são os jogos de palavras – e nisso preciso agradecer ao Chico Buarque, que num livro infantil (Chapeuzinho Amarelo) apresentou a ele a brincadeira do lobo que vira bolo:
LOBO > LOBO >LO BO LO > BOLO > BOLO.
Fizemos algumas variações em cima disso: CAJU > JUCA; MALA > LAMA; COME > MICO … O pequeno se diverte com a ambigüidade dos sons. Dia desses ele me perguntou:
- Quem vai me pegar na escola hoje?
- Eu vou.
- Ah, o vô. – e caiu na risada.
20
Mar06
Miguelices: seres
Almoçando mariscos.
- Pai, o que você vai fazer com as cascas?
- Vou enterrar.
- Ah, então vai nascer uma árvore de marisco!
- Vai não, filho. Mariscos não são plantas, eles são animais.
- Ah, sei. Animais de estimação.
06
Mar06
Miguelices: vida de adulto
- Pai, quero ser adulto.
- Por que, filho?
- Pra pegar faca, usar colher grande…
- O que mais você quer fazer?
- Ver filme violento. E viajar sozinho.
- Você não vai levar o Bruno nas suas viagens?
- Vou. Ele vai engatinhando.
16
Feb06
Miguelices: noticiário
Miguel e a vó viam tevê quando passou uma notícia sobre cocaína. Ao ouvir a palavra ele comentou na lata:
- Isso aí dá cadeia.
13
Feb06
Miguelices: nova versão de música
Miguel tem ouvido bastante o CD da Arca de Noé, em que vários intérpretes cantam as músicas infantis de Vinicius de Moraes. Ele me disse que não gosta do final da música do pato (“Tantas fez o moço / que foi pra panela”).
- Ele não foi pra panela não.
Aí sugeri um novo final, ele curtiu e agora canta assim: “Tantas fez o moço / que foi pra floresta”.
~
Isso me lembra um papo que tive com o grande amigo Ayres Marques Pinto, há mais de vinte anos. Estávamos curtindo o pôr-do-sol à beira do rio Potengi, em Natal, e entre tantos assuntos falamos de poesia e posteridade. Ele comparava Drummond a Vinicius e achava que a obra do primeiro iria permanecer por muitas e muitas gerações, enquanto a de Vinicius cairia no esquecimento em algumas décadas. Não nos falamos há uns cinco anos, mas gostaria de compartilhar com ele esta lembrança e a miguelice. Pois é, Ayres – se aí da Itália ou onde estiver, você ler isto: meu filhote hoje canta Vinicius e ainda não tem idéia de quem seja Drummond. Quanto a mim, adoro os dois. E tenho saudade das nossas viagens no tempo e vagabundagens poéticas na cidade do sol.
~
Haha! Encontrei o Ayres. Continua em Loreto e trabalha com fototerapia. Grazzie Google!
08
Feb06
Miguelices: novas tecnologias pra ouvir histórias
Na cama, de noite, enquanto rolava a história dos dois irmãos, da raposinha prateada e do leão laranja:
- Pai, vou dar uma pausa: plim!
Apertou um botão imaginário e se levantou pra fazer xixi.
24
Jan06
Miguelices: estações
Ontem no fim da tarde, Miguel e eu estávamos na janela do quarto, olhando a chuva no quintal. O dia virou noite e o vento balançava forte as folhas das árvores. Aí ele comentou:
- Eu acho que já é inverno.
10
Jan06
Miguelices: papo de bicho
- Miguel, o que é minhoca?
- É aquela que se mexe e não tem mão.
- Que bicho você é hoje?
- Sou o tubarão ondulante.
06
Jan06
Miguelices: além da retórica
- Mãe, sabe o que eu quero?
- O que, meu filho?
- Não sei.
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p.s.: Bem se vê que o filho de nordestino já tem fala catarinense. Ou diria “Sei não”.
12
Dec05
Miguelices: apelido
Inspirado na castanha de caju, que ele adora, e com freqüentes recaídas de “bebezice” à medida que o irmãozinho cresce na barriga, Miguel deu um novo apelido carinhoso pra mamãe:
- Tatanha, quero colo.







