05
Aug11
Surf no Campeche
Alguns cliques que fiz ontem de manhã na praia do Campeche, onde as ondas chucras faziam a festa de mais de 50 surfistas. Dia lindo de inverno. Foi a primeira vez que fotografei surf. Não é moleza, tudo é muito rápido e, se a gente bobeia, o cara já tá debaixo da espuma. Fico imaginando como era no tempo da película. Quantos rolos de filme pra salvar algumas “chapas”.
03
Aug11
31
Jul11
Peixes fora d’água
Ilha da Magia, onde os peixes nadam acima dos barcos – e mordem luminárias. Lagoa da Conceição, Floripa, julho de 2011.
20
Jul11
Exposição SEMI óTICA – miopia e astigmatismo

SEMI óTICA
Miopia e Astigmatismo [de Felipe Obrer]
De 26 de julho a 12 de agosto de 2011
Ver. Visão. Saúde. Um olho é. Dois olhos são. Sãos.
Irregularidades do globo ocular. Nervo ótico. Nervosismo estético.
A volta a um consultório oftalmológico.
A lógica homogeneizadora do olhar humano.
Nitidez reencontrável pelo olho da câmera.
Uma década sem lentes.
Exposição longa e giro da câmera em estágios.
Desacolpamento da cápsula de navegação. Flutuar no vácuo pleno.
Cópula de fótons. Cúpula de bíons.
A transitoriedade da luz.
O encontro com o infinito dentro do finito.
A revelação da realidade fractal.
Corpo da câmera no plexo solar do corpo do fotógrafo.
Fotos de barriga.
Estômago mago. Entropia visual.
Informações:
Local: Aliança Francesa Florianópolis
Endereço: Rua Visconde de Ouro Preto, 282.
Centro – Florianópolis – SC
ABERTURA: terça-feira, 26 de julho, às 19h30.
Às 20h, show de bossa nova e jazz com Joana Knobbe e Gustavo Messina.
Apoio (equipamento de som): Escola de Música Rafael Bastos
ENCERRAMENTO: sexta-feira, 12 de agosto
Horário: de segunda a sexta, das 8h às 20h; sábados, das 8h às 11h.
Entrada gratuita.
Realização (convite e acolhida): Aliança Francesa Florianópolis
Apoio (impressão das fotografias): Laboratório fotográfico Color Click
Agradecimento especial à minha amora e companheira de vida, Joana Knobbe, que, além de produzir o cartaz original da exposição, cantará na abertura.
24
Jun11
CurtaDoc ganha portal na internet
Mais uma novidade deste movimentado período de ebulição cinematográfica em Floripa. Nesta sexta, 24 de junho, a Contraponto se prepara pra lançar o novo portal do CurtaDoc no FAM – Florianópolis Audiovisual Mercosul. O site vai ser o primeiro acervo brasileiro de curta-metragem focado no gênero documentário.
O CurtaDoc é também um programa de televisão, exibido desde 2009 pelo SESCTV. No ar toda terça-feira às 21h, com reprises na semana, vai na segunda temporada com mais 50 programas. Bela iniciativa dos amigos Kátia Klock, Maurício Venturi, Lícia Brancher e equipe.
23
Jun11
Mostra de Cinema Infantil, ano 10
Hoje às 19h, no Teatro Álvaro de Carvalho, vai ser aberta a 10a. edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, um evento do qual sou fã incondicional e tenho o maior orgulho de já ter participado na divulgação. Na programação, a primeira exibição pública de Tainá 3 – ainda não completamente finalizado -, uma homenagem a Ziraldo e dezenas de produções. Uma parceria com cineclubes e pontos de cultura vai possibilitar ampla difusão dos produtos audiovisuais brasileiros pra crianças. A Mostra comemora dez anos com o lançamento de um canal na internet pra download gratuito de filmes para a infância, Filmes que Voam.
Entrevista da diretora da Mostra, Luiza Lins, ao canal Futura:
31
May11
Os melhores anos
O ex-comparsa de jornal O Estado Paulo Clóvis Schmitz, PC para os amigos e colegas, publicou esta crônica no Notícias do Dia e reproduzo na íntegra. Ele comenta a Festa dos Dinossauros, realizada no sábado com uns 150 cúmplices da aventura inebriante que foi trabalhar no “mais antigo”. Bukowski dizia de Fante, e se aplica ao PC: eis um escritor que não tem medo da emoção. Pra completar meu deleite com esta leitura, adoro crônica de ônibus.
Os melhores anos
O coletivo seguia lento, ruidoso, carregando o peso da própria sucata, a fala ligeira e os sonhos de gente que tinha vindo ao Centro para resolver demandas bancárias, negócios miúdos, ninharias de todo gênero. No corredor, grandes trouxas de roupas para lavar, pertencentes a famílias que pagavam por isso, e também mudas de árvores, a ração para o boi, apetrechos e ferramentas de pedreiro.
Vencida a reta das Três Pontes, o ônibus cambava para a esquerda e tomava a estradinha do Saco Grande, nome original do bairro que é hoje conhecido por João Paulo. Ao cruzar de novo a rodovia, na lá frente, saltávamos nós, empregados d’O Estado, para mais uma jornada, sabendo que o nosso trabalho seria conferido no dia seguinte, na hora do café da manhã, por senhores bem comportados daqui e de Joaçaba, Chapecó, São Miguel do Oeste…
Entrar no corredor que dava para a redação era deixar para trás todos os dilemas, uma dor física, algum drama existencial – em suma, o mal-estar do mundo. A grande sala repleta de Remingtons, laudas e fungos no carpê sem lavação era o porto seguro, a tábua de salvação, a certeza do amor próprio conferido pelo ofício abraçado, sabe-se lá a partir de que circunstâncias.
Ali, os dias eram plenos, dias de uma afeição particular aqui, de anseios não manifestos ali, e também de cobranças e louvores, quando houvesse razão para isso. Foram amizades sinceras, um aprendizado permanente e a comunhão perfeita com aquele recanto aprazível, quase interiorano, de uma cidade já em franca transformação.
A volta, à noite, repetia o ritual, o ônibus levando os sonhos, angústias e falas em outra direção, talvez em tom mais confessional, como convinha ao horário. Com ele, iam alguma saudade e a satisfação com a própria obra, que seria retomada um dia depois. Ia também a certeza de que o corredor estaria ali, imutável, como quem espera a volta do filho pródigo. Queixas havia, e também pequenas tragédias à espreita, mas o saldo era positivo, sempre.
Reencontrar parte desse passado ajudou a rememorar passagens, recapitular episódios impagáveis, rever figuras de bondade infinda e perceber que o tempo passa para todos, inexorável, independente do bolso, do título, da índole irretocável de uns, da empáfia de outros. Foi salutar falar de gente que já se foi, de gente que não deu mais as caras, de gente que chutou o balde e mudou de ramo e de rumo. Todos foram protagonistas de uma saga e marcaram, à sua maneira, a mente de quem gastou ali alguns dos melhores anos de sua vida.
04
Apr11
02
Apr11
Recordações de Ramsés
O nome dele é Ramsés Antunes da Luz. Atualmente, psicólogo e professor universitário. Foi meu contemporâneo durante o tempo que passei no jornal O Estado no fim da década de 80 – ele como diagramador, eu como revisor e, depois, repórter de polícia e de geral. Acabo de ler a bela crônica que ele publicou no Facebook, no grupo Reencontro O Estado, e republico abaixo. Me identifiquei demais com o que ele retrata nessas linhas. Também vivi a deliciosa sensação com que ele apreciava a fauna humana do jornal. E me sentia gratificado com o aprendizado diário daquele convívio. Com a palavra, Ramsés.
Olá membros desta nostálgica comunidade. Se tiverem a pachorra de ler, apresento-lhes abaixo uma vívida crônica daqueles tempos.
No primeiro dia de setembro de 1985 fui apresentado a um mundo novo. Era quartanista de psicologia com parcos 21 anos de vida, um moleque em busca de um sentido para tudo. Burraldo, tímido, pobre e sem noção de medida. Justamente conseguira um emprego no Jornal “O Estado” (indicação do Ronaldo Paiva) para custear a vida de estudante, visto estar sozinho na ilha (apenas mais um irmão paupérrimo), recém desencilhado da família no Paraná. Virara, na marra, às custas de muito treino sobre paicas (e esporros do Heron adjuntos), um diagramador.
Primeiro emprego com carteira assinada. Salário indigno até mesmo para um estudante. Porém, para um imaturo (porém fascinado) observador do comportamento humano não era apenas qualquer Jornal, mas um espaço que trazia o deleite de reunir o maior número possível de profissionais cultos, eruditos, lidos e repletos de ideais, como eu jamais vira em minha interiorana vida. E olha que eu estudava na UFSC. Mas na Universidade Federal os intelectuais estavam dispersos e quase não dialogavam comigo. Meus doutos professores da UFSC ministravam suas teóricas aulas e iam embora. Porém, na redação não! Lá meus contagiantes “tutores” brigavam e xingavam-se mutuamente. Ajudavam-se e emocionavam-se. Juntos labutavam e, neste obrigatório espaço de convívio, discordavam e mantinham posições ideológicas. Viviam o que faziam. Idéias fresquinhas produzidas descortinavam-se perante mim. Eu não cabia em meu deslumbramento. Orgulhava-me em auxiliar, mesmo que modestamente, no meu canto, calculadora e régua em punho, aqueles “contistas” a registrar o acontecido em SC, Brasil e no mundo, cada um do seu jeito. Alguns apenas um pouco mais velhos que eu, mas todos para mim “senhores da palavra”. Era extremamente incitante às letras.
Dissonante da maioria não me importava em trabalhar nos finais de semana. Liturgia aliciante do cargo. Leitor voraz, aproveitava e lia e relia textos gostosos que diagramava… e aprendia. Mas uma aprendizagem do lado de dentro, perto de quem fabricava a narrativa. Vivendo com eles a sua vida. Aprendendo sobre a construção da informação vindo da realidade e a forma de contá-la. Comparava estilos, aprimorava meu gosto. Não poucas foram às vezes em que, curioso, indagava-os sobre assuntos que beiravam as entrelinhas da reportagem. Também foram diversos os momentos em que faltou-me a audácia necessária para ir ter com um colunista sobre uma opinião publicada da qual discordava, seja no segundo caderno, seja em economia, política ou esporte. What a fucking chicken!!! Tão rico o teria sido.
Verdinho, cultivei paixonites secretas inúmeras vezes vidrado por figuras femininas, repórteres e editoras, as quais desfilavam ante minha mesa. Para mim, representavam um ideal de mulher: um mix de intelectualidade, independência, maturidade, e feminilidade. Eu estava adolescendo tardiamente, porém da melhor maneira possível. Só na maturidade o soube.
E permaneci por lá diagramando até o dia 29 de dezembro de 1987 quando, fascínio encerrado, formei-me no curso de psicologia. E em 1989 comecei carreira docente (primeiro na UFSC e depois em outras instituições). No “O Estado” foram dois anos e pouco de contato com um ambiente intelectual fervilhante, energético, desafiador, cru, saudável, algumas vezes doído, extenuante e recompensador, o qual modelou-me de forma indelével (o período consta em meu Currículo Lattes). Estive ali por apenas dois anos, entretanto neste curto espaço de tempo fui cúmplice de histórias inenarráveis, a maioria como espectador ou mero ouvinte.
Mas saí de lá. Vida que segue. Formei-me psicólogo, mestrado na Federal e doutorado inconcluso na Califórnia. Baú trancado e jamais aberto. Talvez porque depois disto nunca mais tenha professado o jornalismo. Primeira e última vez. Tanto é que, vivendo no bairro João Paulo, obrigo-me a passar quase todos os dias pela SC 401 e confesso que não comovia-me em ver os escombros do que foi um dia foi o mais lido. Segui carreira como professor e consultor em psicologia organizacional. Uma vez apenas, de passagem pelo local, contei para minha filha de 18 anos que outrora eu trabalhara em um jornal que existia ali. “Sério, pai? Mas o que um professor de pós-graduação tem a ver com isto?”
Entretanto, eis que semana passada Paulinho Scarduelli, em um encontro casual em um avião, conta-me sobre esta seleta comunidade e da avidez de seus membros por um reencontro, mesmo que virtual. E assim, tragado pela curiosidade, tenho lido no feicebuque histórias aqui e visto fotos ali (uma minha inclusive todo de branco). Senti-me como se adentrasse num sótão empoeirado e este pequeno pedaço de vida totalmente esquecido por 25 longos anos aflorou, como se uma grande rolha de pedra tivesse sido removida. Penso que reminiscências ajudam a resgatar a nós mesmos, o que fomos e o que somos e o jeito como fomos construídos. Por esta razão exponho agora neste sábado de sol, nestas mal traçadas linhas, a minha perspectiva sobre “o mais lido”. E confesso que venho remoendo sobre aquele período esta semana toda tentando lembrar-me de faces, nomes e pequenos causos. Entretanto, lamento informar que minha memória do período abarca tão somente uns 15 ou 20 nomes. Talvez o tempo e o inconsciente trabalhem juntos. É isto! Perdoem se estendi-me em demasia.
20
Mar11
Reencontro do “mais antigo”
A Lena Obst criou no Facebook um grupo para reunir os colegas jornalistas que passaram pelo jornal O Estado. “O mais antigo”, como era conhecido o finado periódico, marcou história no jornalismo de Santa Catarina. Foi também espaço para muitas histórias que até hoje rendem risadas. Naquela redação, onde hoje está o prédio da Casa Cor, foram geradas reportagens inovadoras, fotos belíssimas, diagramações criativas, linguagens experimentais, crianças, casamentos…
Passei pelo “mais antigo” entre 1987 e 1989, levado pelo amigo Frank Maia para a revisão. Aquele universo era cintilante aos olhos de menino de 21 anos. Numa salinha minúscula, nos revezávamos passando olhos de lince sobre os textos dos colegas. O dicionário era nosso vício e nos divertíamos apostando cervejas com a grafia correta das palavras. Guardo com carinho os bons momentos com Frank, Joca Wolff, Giane Severo, Edson, Chica, Mara, o saudoso filósofo anarquista Ricardo Carle (que morreu em 2006 em Porto Alegre, em consequência de sequelas de um atropelamento sofrido em 2000), todos capitaneados pelo grande poeta Ademir Demarqui.
Depois fui ser repórter na editoria de Polícia, com o Ricardo Carle como subeditor e o Carlão Paniz editando. Às vezes fazíamos reunião de pauta na lanchonete/boteco que ficava nos fundos do prédio, onde se conversava de futilidades a profundidades entre um gole e outro. Em seguida passei à reportagem de geral, editada pela Lena durante um tempo. Ainda lembro como se fosse hoje da primeira lauda que escrevi como repórter, copidescada pelo gentil, mas rigoroso Ademar. Ele sentava ao meu lado e ia comentando as bobagens que eu redigia, assinaladas em caneta vermelha. Será que ainda se faz isso nas redações – veteranos ajudarem os colegas “focas”?
O barulho dos teclados das Olivettis e das Remingtons soava como música, em meio às conversas em voz alta, ao som do telex cuspindo despachos das agências de notícias, às tiradas engraçadíssimas do chargista Bonson, à entrada e saída dos fotógrafos com suas bolsas de equipamentos pesados, aos fragmentos de entrevistas por telefone (era ainda o tempo em que se discava). Num canto, Fábio Brüggemann acompanhava a diagramação do suplemento infantil Estadinho. Noutro, Bento Silvério apurava as notícias políticas (falecido precocemente, hoje é nome do casarão da Lagoa). A risada do brilhante colunista Beto Stodieck enchia o ar.
Fauna riquíssima, inclusive com mascotes. Tinha uma cachorra (alguém lembra o nome?) que costumava ficar na casinha do vigilante e era querida por todos. Certa vez, uma circular da direção estabeleceu, sisuda, que a cachorra fulana estava proibida de permanecer naquele local no horário de expediente.
A iniciativa da Lena destapou em mim uma avalanche de lembranças, e olha que só fiquei lá por dois anos. Imagina o que os colegas têm pra contar. Quem sabe um dia tudo isso vira livro – não conheço ninguém mais capacitado pra organizar isso que o grande colega jornalista e historiador Celso Martins, que, aliás, acompanhou em seu blog o descaso com que esse patrimônio histórico de Santa Catarina foi abandonado pelo proprietário do jornal. O Estado fez a crônica de um período riquíssimo na história de Santa Catarina e de Florianópolis. Foi uma grande escola de experimentações para muitos jornalistas e escritores. Acompanhei de longe sua lenta decadência, contemporânea da chegada da rede RBS a SC. Espero ler este livro um dia. Enquanto ele não sai, com certeza o grupo vai render muitos bons papos de boteco.













