09
Aug08
Betinho e Florianópolis
Dois bons motivos pra ler o Vida de Frila neste 8 de 8 de 8: uma bela carta-homenagem a Betinho, tirada do baú pelo Maurício Oliveira na véspera dos 11 anos da morte do Homem; e a explicação, pra quem ainda não sabe, de por que a capital de Santa Catarina tem o vexaminoso e ensanguentado nome de Florianópolis.
Conheço gente daqui que só escreve Nossa Senhora do Desterro em cheques ou documentos. Era o antigo nome da cidade antes de ser rebatizada na ponta do fuzil. Um tanto macambúzio, convenhamos. Outros preferem Meiembipe, o nome indígena, que quer dizer “lugar acima do rio” ou “ilha dos patos” ou “lugar pra trepar no norte da Ilha”. Quanto a mim, ilhéu recém-adotado (só há 23 anos), chamo a cidade informalmente de Floripa, escrevo FLN nos cheques e, em último caso, uso a grafia oficial em documentos formais.
Ao contrário do que houve na potiguar Parnamirim, onde o bom senso fez retornar o nome original da cidade depois da aberração de ter sido rebatizada Eduardo Gomes, acho difícil isso ocorrer aqui. A mudança traumática foi há mais de um século, falta consenso sobre o melhor nome substituto e os ocupantes da Câmara dos Vereadores estão mais preocupados com outras cousas.
p.s.: Maurício, irmão de frilas, se lhe serve de consolo, também vou dar umas remadas neste fim de semana do dia dos pais.
29
Jul08
O racha no Sindicato dos Jornalistas de SC
Fiquei de cara com o racha pré-eleitoral no Sindicato dos Jornalistas de SC, explicitado neste manifesto no blog do Rogério Christofoletti. Que o Sindicato está distante de parte significativa da base e defasado quanto a várias questões de nosso tempo, eu já sabia (digo isso com a tranqüilidade de sindicalizado há duas décadas e, portanto, com direito de dar pitaco). Mas não imaginava que a coisa chegasse ao que está descrito no documento.
A grande novidade desta eleição, marcada pra 6 de agosto, é que pela primeira vez em muitos anos a chapa única não resulta de consenso. Em resumo, os colegas insatisfeitos alertam que o processo eleitoral está sendo conduzido de forma autoritária e com interesses político-partidários, o que inviabilizou a construção de uma chapa que representasse a diversidade de pensamento dos profissionais (e já esgotou o prazo pra criação de uma chapa 2).
Prefiro não subscrever o manifesto porque estou afastado do dia-a-dia da entidade e não acompanhei o caso desde o início. Mas os nomes dos que assinam são gente de credibilidade. Ex-dirigentes sindicais com um histórico de lutas importantes pro fortalecimento da profissão, como Ayrton Kanitz, Celso Vicenzi, Francisco Karam, Gastão Cassel, Luis Fernando Assunção, Maria José Baldessar, Samuel Pantoja Lima, Valdir Cachoeira e outros.
Conheço alguns integrantes da chapa 1 e são gente boa. Mas se o povo todo que assinou o manifesto adverte pro risco da transformação do sindicato em braço de partido político, então fico com os dois pés atrás. Cá de minha rede no quintal, aguardo os desdobramentos, concordando com o que diz o Cesar Valente: eleição com chapa única é uma chatice. Ao que parece, é o que teremos no dia 6. Espero que a crise sirva pra sacudir os ânimos e recolocar o SJSC no papel que lhe cabe.
28
Jul08
De volta à Ilha
Depois de 12 dias zanzando entre São Paulo, Ceará e Rio Grande do Norte, hoje às 11h15 cruzei a ponte de acesso a Floripa e tive aquela gostosa sensação de voltar pra casa. É um privilégio ser ao mesmo tempo nordestino e me sentir catarina.
De sexta até hoje peguei dez transportes pra chegar: ônibus de Natal pra Mossoró > táxi alternativo pra Baraúna > mototáxi pra divisa RN/CE > carona de caminhão até Russas > ônibus pra Fortaleza > avião pra Guarulhos > ônibus pro Terminal Tietê, SP > ônibus pra Curitiba > ônibus pra Floripa > carro pra casa.
Ah, Norberto, arrumadinho é uma comida típica nordestina. Não confundir com escondidinho, outra comida típica de lá. Não faço idéia de como se prepara, mas os dois são bons. Podem ser de carne de sol, de camarão, de queijo…
Falando em comida, trouxe duas delícias: doce de buriti (uma palmeira do Maranhão, Piauí e Ceará) e geléia de cupuaçu, um néctar dos deuses. Em Natal procurei sequilho, mas só encontrei num lugar e não tava muito bom. É um biscoito branquinho, delicioso, tradicional do Vale do Seridó, no RN.
Adorei as mini-férias. Eu precisava ir, não só como um refresco pra cabeça, como pra lidar com algumas questões famíliares. Tive a chance de rever amigos com quem não tinha contato havia mais de vinte anos, saborear os sotaques de minha infância e adolescência, conhecer gente nova.
Dez dias são pouco pra descansar. Por outro lado, são uma eternidade pra quem tá longe dos amados. Cá estou. E nem dei pra vocês leitores as férias prometidas… Não tenho culpa se até o sertão já tá conectado.
13
Jul08
Palavra Cantada encerra mostra de cinema
E hoje chega ao fim a 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Foram 17 dias intensos, 106 filmes exibidos para 25 mil crianças, pré-estréias nacionais, debates instigantes, muita pipoca e emoção. Fiz a assessoria de comunicação junto com as amigas e colegas Kátia Klock, Adriane Canan e Cleide de Oliveira, com apoio do Vinicius Muniz no making of. Foi cansativo, mas um privilégio e um grande aprendizado. Tivemos ampla cobertura da mídia e foi nítido o salto de qualidade da Mostra, que acompanho há alguns anos como pai-espectador. É uma alegria imensa ver que o trabalho da Luiza Lins, mãe do evento, ganhou dimensão tão importante pra cultura local e nacional. A onda de beleza gerada em Floripa vai chegar até a Suécia, que em março de 2009 recebe, no Festival de Financiamento de Malmö, um projeto de filme brasileiro selecionado aqui.
Vou guardar muitas lembranças boas desses dias. Do Centro Integrado de Cultura ao Hotel Majestic, de Palhoça aos bairros de periferia, a Mostra irradiou magia pra muitos meninos e meninas que tiveram o primeiro contato com o cinema. Vi lágrimas no rosto de professoras e a alegria com que o pessoal da produção trabalhou pra que o evento tivesse a melhor qualidade possível. Acompanhei a pintura da tela gigante “Eu no mundo” pelas crianças da comunidade Chico Mendes, na oficina Palavra Pintada. A maneira bonita como elas foram desarmando suas couraças em meio a atividades de massagem, dança e canto. O sorriso orgulhoso da meninada que fez a oficina de dublagem ao ver exibido o seu trabalho pro público. O insight dos participantes da oficina de flipbook ao se darem conta, nos bloquinhos de papel, de como funciona a ilusão de ótica do cinema. É um evento em que os sonhos e esperanças ganham posição de destaque. Uma delas, a de que as crianças brasileiras possam ver cada vez mais sua própria cultura nas telas de cinema e tevê. “É uma questão de segurança nacional”, disse alguém num dos debates. A gente chega lá.
Três momentos especialmente marcantes pra mim: o comentário da querida amiga Gilka Girardello, professora da UFSC, de que só vamos perceber todo o alcance da Mostra daqui a vinte anos, quando essa platéia de crianças e adolescentes estiver adulta, produzindo e criando; Alemberg Quindins, da Fundação Casa Grande, com seu sotaque cearense que me é tão familiar, lembrando que a infância é um estado de espírito e que ele, aos 42 anos, tem um quarto de brinquedos e almoça e janta pra esperar a sobremesa; e os olhos azuis brilhantes da Heleninha Gassen, atriz do curta Leste do Sol, Oeste da Lua (de Patrícia Monegatto Lopes), ao me contar que tem vontade de trabalhar em cinema ou televisão quando crescer. Foram dias bem felizes e encantados. A Mostra encerra hoje com o anúncio do melhor filme escolhido por júri infantil e com duas apresentações do novo espetáculo do grupo Palavra Cantada, com nome bem adequado a esta celebração da diversidade cultural: Carnaval.
Fotos: Cleide de Oliveira
p.s.: O filme vencedor da Mostra foi O mistério do cachorrinho perdido, do diretor paulista Flávio Colombini.
p.s.2: Galeria de fotos do show do Palavra Cantada (por Cleide de Oliveira).
04
Jul08
O som pop de Floripa nos anos 90
Finalmente está na web, pelas mãos do Ulysses (Esquerda Festiva), o vídeo Sete Mares e uma Ilha, produzido em 1999 pela doutora em Psicologia Social Kátia Maheirie e pelo jornalista André Gassen. O documentário apresenta sete bandas que embalaram o cenário musical pop de Floripa nos anos 90: Dazaranha, Tijuquera, Stonkas y Congas, Phunky Buddha, Iriê, Primavera nos Dentes e Rococó ( que se tornaria John Bala Jones). São músicas bem evocativas. Quem curtiu a noite ilhoa nessa época certamente já ouviu alguma ou várias dessas bandas. Boa parte desses músicos continua na ativa.
p.s.: Dedico este post ao Philo Ranks, meu amigo de Trinidad e Tobago com quem dividi casa por um tempo e que foi vocalista dos Stonkas.
27
Jun08
Mostra de Cinema Infantil de Floripa começa hoje
A 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis começa hoje às 14h no cinema do CIC, com a pré-estréia nacional do filme “Pequenas Histórias”, do cineasta mineiro Helvécio Ratton (sessão para estudantes de escolas públicas pré-agendadas; no sábado haverá nova exibição aberta ao público). Às 19 horas, no CIC, acontece a abertura oficial para imprensa e convidados.
Durante a recepção, a diretora da Mostra, Luiza Lins, e o coordenador institucional da Programadora Brasil, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Frederico Cardoso, assinam protocolo de parceria para dar acesso da Programadora aos filmes inscritos na Mostra. A proposta é oferecer audiovisuais em séries de DVD, por meio de permissão de uso, para pontos de exibição de circuitos não comerciais em todo o país: escolas, universidades, cineclubes, centros culturais etc.
A programação completa da Mostra está aqui. Colegas jornalistas que precisarem agendar pautas e de mais informações, entrem em contato com a gente pelo e-mail imprensa [arroba] mostradecinematinfantil [ponto] com [ponto] br ou pelo telefones (48) 3225 7993 (assessoria de imprensa); 48/ 9989 4202 (Kátia Klock); 9633 9912 (Adriane Canan) e 9922 9700 (Dauro Veras, este que vos tecla).
20
Jun08
Cinema Infantil em Floripa
Vem aí a 7a. Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Com muita satisfação vou fazer assessoria de imprensa do evento, junto com a Adriane Canan e a Kátia Klock, que coordena a comunicação. A Mostra começa dia 27 de junho e, durante 17 dias, tem a meta de levar o cinema a 25 mil crianças, boa parte delas de escolas públicas. Cousa linda! Colegas jornalistas e blogueiros que tiverem interesse em divulgar, me dêem um toque que envio releases.
19
Jun08
Teatro de animação
Hoje Miguel vai ao teatro com a turma numa atividade extra-classe: o Fita Floripa, Festival Internacional de Teatro de Animação. Eles já tinham ido antes às casas das professoras, mas numa excursão ao centro é a primeira vez. Fiz as recomendações de praxe e depois marquei a altura dele no muro, pra gente acompanhar o crescimento. Saiu todo orgulhoso
p.s.: Pais e mães, ainda dá tempo, o Fita vai até 22 de junho!
16
Jun08
15
Jun08
Domingueiras de quase inverno
A tainha na brasa que fiz no quintal ficou perfeita. O segredo? Fogo baixo, sem pressa, e assador regado a vinho.
~
Definitivamente, não sou homem de vinho branco. Mas aceito contra-argumentos líquidos e certos.
~
Levei Miguel pra brincar na casa de um colega de escola. Não se entenderam, o pai do menino veio trazê-lo. No caminho fizeram as pazes e o menino ficou brincando aqui em casa
~
Miguel: – Pai, qual é a aula preferida da vaca?
Eu: – Sei não.
Miguel: – Múúúúsica!
~
Traje deste dia outonal de sol e vento frio: camiseta e suéter, bermuda e chinelos. A cara de Floripa praiana.
~
Que futebolzinho peba o de hoje, hein?







