Posts com a categoria ‘direitos’

19

Nov

08

Acesso a medicamentos

Saiu hoje no Valor Econômico uma matéria minha sobre acesso a medicamentos que é uma boa notícia pra quem sofre de doenças como câncer, hemofilia e aids. A partir de 2011 o Brasil conquista a autosuficiência em cinco hemoderivados, que vão ser fornecidos de graça ao Sistema Único de Saúde (SUS). A matéria também aborda os genéricos, que desde o lançamento em fevereiro de 2000, já representaram uma economia de R$ 9,6 bilhões no bolso dos brasileiros; e o avanço dos medicamentos fitoterápicos no país – aqueles fabricados a partir de plantas medicinais.

Bookmark and Share


23

Oct

08

Prêmio Herzog, educação e direitos humanos

A edição 2008 do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos está me dando muitas alegrias. Acabo de saber que a colega Thais Gurgel ganhou menção honrosa na categoria revista com a reportagem Inclusão, só com aprendizagem, publicada em outubro de 2007 na revista Nova Escola (com fotos da minha amiga Tatiana Cardeal e colaboração de Débora Didonê e Paulo Araújo). É a mesma categoria em que ganhei menção honrosa no ano passado com a reportagem Madeira e sangue, sobre mutilações de trabalhadores na indústria de móveis. Fiquei especialmente feliz – e a Thais também – porque é um reconhecimento importante de que educação inclusiva tem tudo a ver com direitos humanos. A premiação vai ser no dia 27 em São Paulo.

Bookmark and Share


16

Oct

08

Mais um amigo premiado com o Herzog

O Botelho acaba de dar o furo: nosso amigo Lúcio Lambranho, repórter do Congresso em Foco, em Brasília, ganhou menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Ele fez uma série de reportagens sobre um acidente que matou 14 agricultores piauienses na Bahia. Prêmio merecido. O Lambra é um cara aplicado e gosta de ir a fundo nas histórias. Na apuração dessas matérias, me contava ele outro dia, teve que encarar muitas horas de ônibus até o interior do Piauí, com orçamento ultra apertado. Imagina o que ele não vai fazer se lhe deram melhores condições… Parabéns!

As matérias:

Corrente (PI): 13 anos de uma tragédia ignorada
(9/jul) Acidente rodoviário com 79 trabalhadores rurais revela uma face escondida do trabalho escravo no país. O repórter Lúcio Lambranho visitou sobreviventes e familiares dos 14 mortos para contar, na série que começa hoje, o drama dos catadores de feijão esquecidos pela Justiça.

Corrente (PI): famílias acusam advogado de ficar com o seguro
(10/jul) Familiares de oito dos 14 mortos em acidente no Piauí denunciam defensor que sacou R$ 40 mil do seguro obrigatório e não entregou o dinheiro aos parentes das vítimas, como Norato Nunes (foto). Processo criminal continua engavetado na Justiça baiana.

Carvoarias impulsionam trabalho escravo no Piauí
(11/jul) Na última reportagem da série sobre a tragédia de Corrente, o Congresso em Foco mostra como a expansão da fronteira agrícola levou o estado a se tornar um dos principais exploradores desse tipo de mão-de-obra no país.

O resgate de uma tragédia
Após 13 anos, autoridades de Direitos Humanos vão investigar a tragédia que matou 14 trabalhadores rurais no interior da Bahia

Transporte de alto risco
Falta de fiscalização e sucateamento de veículos foram principais causas dos 6.486 acidentes no transporte de trabalhadores rurais entre 2004 e 2006

Bookmark and Share


16

Oct

08

Prêmio Herzog pra Hermínio Nunes

O repórter fotográfico Hermínio Nunes, do Diário Catarinense, recebeu menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, pela foto Limpeza da Penitenciária, que mostra através de grades uma “operação pente-fino”. Fiquei muito contente com a notícia. Tive a honra de conviver com o Hermínio profissionalmente e em outras situações que envolviam a categoria – ele já foi diretor do Sindicato – e só tenho elogios a essa figura.

A preLimpeza na Penitenciária. Foto de Hermínio Nunesmiação vai ser às 19h do dia 27 no Tuca -Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O Herzog, concedido pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo em conjunto com outras entidades, é um dos prêmios mais conceituados do país. Sua trigésima edição ocorre no marco do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para comemorar a data, no dia 10 de dezembro a ONU vai lançar um saite com o acervo de todas as reportagens premiadas nessas três décadas.
~
Outros textos que publiquei aqui sobre o Prêmio Herzog.

Quem foi Vladimir Herzog e por que ele faz parte da história do Brasil.

Bookmark and Share


15

Oct

08

Amazônia, nome aos bois: vídeo

Este vídeo traz a íntegra da apresentação sobre as empresas envolvidas no desmatamento da Amazônia, ocorrida ontem no seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia”. É uma aula de Brasil real, que devia ser vista nas escolas, parlamentos e outros fóruns de debate. Os jornalistas Leonardo Sakamoto e Marques Casara relatam alguns estudos de caso que realizaram na região do Xingu sobre as conexões de cadeias produtivas da ilegalidade com a cidade de São Paulo – e, por extensão, com o restante do Brasil e com outros países. Essa relação é bastante próxima e consistente. No caso da carne, por exemplo, os principais supermercados e restaurantes do país compram de frigoríficos que adquirem gado criado sem licença ambiental.

O caso da madeira é semelhante. Madeireiras sistematicamente multadas por fazer derrubada ilegal de árvores vendem madeira “esquentada” para grandes empresas como a Tramontina e lojas de alto padrão como Louis Vuitton e Empório Armani. O produto chega ao consumidor final, no Brasil e em outros países, como “madeira certificada”. A Sincol, com sede em Caçador, Santa Catarina, é a maior exportadora de portas e janelas da América Latina. Embora afirme em seu site que vende madeira certificada, ela é dona de uma madeireira no MT que está sendo processada por invasão de terra indígena, grilagem de terras, derrubada e armazenamento ilegal de árvores. Procurada pelos repórteres, a empresa preferiu não se manifestar. Uma informação que causou surpresa no público: a Pampa Exportações, uma das grandes compradoras de madeira ilegal no Pará, é presidida por um membro do Conselho de Sustentabilidade do Banco Real.

Chamam a atenção na palestra as desculpas para justificar a participação nessas cadeias predatórias. Algumas empresas alegaram que não tinham conhecimento sobre a conduta de seus fornecedores, embora as informações sobre autuações do Ibama e a “lista suja” do trabalho escravo estejam disponíveis ao acesso público. Houve caso em que os repórteres constataram informação falsa no balanço social. Casara exortou o governo a assumir seu papel fiscalizador e as empresas citadas a romper relações com os fornecedores de produtos ilegais. Sakamoto chamou a atenção para a responsabilidade dos consumidores: “Comprar algo é um ato político”. Depois da palestra deles, o gerente do Ibama em Altamira (PA), Roberto Scarpari, explicou como funcionam os processos de esquentamento de madeira.

Bookmark and Share


14

Oct

08

A destruição da Amazônia: nome aos bois

Vou lhe passar o link pra um estudo que dificilmente terá o espaço que merece na grande mídia, por um motivo simples: suas conclusões são incômodas, contrariam interesses comerciais milionários. As 43 páginas de Quem se beneficia com a destruição da Amazônia (pdf, 9,35 MB), divulgadas hoje à tarde em São Paulo no seminário Conexões Sustentáveis, trazem informações estarrecedoras sobre a voracidade predatória das corporações. Também nos fazem refletir sobre nossa responsabilidade como consumidores. Várias dessas empresas que lucram fortunas às custas do desmatamento ilegal fabricam produtos que provavelmente usamos no cotidiano.

O estudo é iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo. Foi realizado pela ong Repórter Brasil, coordenada pelo jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, e pela Papel Social Comunicação, do amigo jornalista Marques Casara. Eles e uma equipe de colaboradores fizeram uma minuciosa investigação de meses para desvendar alguns elos de diversas cadeias produtivas, que na ponta amazônica têm atividades ilegais em Mato Grosso e no Pará. Esse processo de ocupação predatória, que desrespeita a legislação trabalhista e ambiental e em muitos casos viola direitos humanos, também tem sido financiado pelo Estado brasileiro – por exemplo, através de empréstimos do BNDES.

Segue um brevíssimo resumo com alguns nomes que pincei do texto (a íntegra dos estudos de caso traz preciosas informações de contexto e também as versões das empresas que quiseram se manifestar):

Quatro Marcos. Com sede em MT, é um dos maiores frigoríficos do Brasil. Um terço de sua receita vem das exportações.
O problema: Unidades de abate apresentaram graves problemas ambientais e trabalhistas. A empresa comprou gado de empregador que figura na “lista suja” do trabalho escravo. Por fim, o nono maior desmatador da Amazônia, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, pertence à família que controla o frigorífico.

Friboi. Com sede em São Paulo, é o maior frigorífico do mundo. Tem cerca de 40 mil empregados e faturou R$ 4,7 bilhões no ano passado.
O problema: A unidade do Friboi de Barra do Garças (MT) adquiriu gado de um pecuarista que teve área de sua fazenda embargada pelo Ibama por desmatamento ilegal.

Tramontina. Nascida no RS, fabrica utilidades domésticas. Tem dez fábricas no Brasil e centros de distribuição em cinco países.
O problema: A Tramontina manteve relações comerciais com empresas multadas diversas vezes por beneficiamento e transporte de madeira ilegal.

Sincol. Com matriz em Santa Catarina e filiais em São Paulo, Paraná, Miami (EUA) e Porto Rico, está entre as maiores empresas do setor madeireiro no país.
O problema: A empresa controla a madeireira Sulmap Sul Amazônia Madeiras e Agropecuária, com sede em Várzea Grande (MT), autuada por crimes ambientais e acusada de envolvimento em “grilagem” de terras.

Mahle. Multinacional de origem alemã com sede em Mogi-Guaçu (SP), desenvolve e fabrica peças para a indústria automotiva.
O problema: Um de seus fornecedores utiliza matéria-prima oriunda de garimpos localizados em Altamira (PA) que funcionam sem licença ambiental e não respeitam a legislação trabalhista.

Bunge. Multinacional holandesa, atua no Brasil na produção de insumos e na fabricação de produtos para consumo final na indústria alimentícia. Também fabrica fertilizantes.
O problema: A Bunge adquiriu soja de fazenda com área embargada pelo Ibama.

ADM do Brasil. Terceira maior trading de soja em atuação no Brasil, a Archer Daniels Midland Company exporta grãos e farelo de soja, fabrica biodiesel e produtos alimentícios.
O problema: A empresa manteve relações comerciais com produtor autuado por crimes ambientais na Floresta Amazônica.

Caramuru. Maior empresa no setor graneleiro no país com capital 100% brasileiro.
O problema: Foi identificada adquirindo girassol de produtor autuado por desmatamento em diferentes propriedades.

Esse estudo terá continuidade e trará surpresas nos próximos meses.

Bookmark and Share


07

Oct

08

Os eleitos do Troféu Imprensa ONU/Herzog

Caco Barcellos, Henfil, José Hamilton Ribeiro, Ricardo Kotscho e Zuenir Ventura foram eleitos para receber o Troféu Especial de Imprensa ONU: 60 Anos da Declaração/Prêmios Vladimir Herzog. A iniciativa é do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. O júri foi composto pelos mais de 500 jornalistas que receberam o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos desde sua criação, em 1979. O troféu vai ser entregue aos eleitos – e familiares do Henfil – no dia 27 de outubro durante cerimônia da trigésima edição do Prêmio Herzog, em São Paulo.

Bookmark and Share


24

Sep

08

Coleção de negativas (2)

Yoani Sanchez é uma personalidade admirável. Sua crônica eloqüente do cotidiano em Cuba, crítica sem perder o bom humor, foi amplificada de tal forma pela blogosfera que a mera negação de liberdade pra seu corpo cruzar fronteiras passa a ser de uma bizarrice cruel, inútil e burra. O sorriso dela, implícito em seu texto, me lembra Thoreau em Desobediência Civil, no trecho sobre a noite que ele passou na prisão por se recusar a pagar impostos que financiavam a guerra ao México e o regime escravocrata:

“Não pude deixar de sorrir perante os cuidados com que fecharam a porta e trancaram as minhas reflexões – que os acompanhavam porta afora sem delongas ou dificuldade; e o perigo estava de fato contido nelas. Como eu estava fora do seu alcance, resolveram punir o meu corpo; agi­ram como meninos incapazes de enfrentar uma pessoa de quem sentem raiva e que então dão um chute no cachorro do seu desafeto. Percebi que o Estado era um idiota, tímido como uma solteirona às voltas com a sua prataria, incapaz de distinguir os seus amigos dos inimigos; perdi todo o respeito que ainda tinha por ele e passei a considerá-lo apenas lamentável.”

Coleção de negativas (1)

Bookmark and Share


24

Sep

08

Anotação de leitura: Thoreau e a máquina

(…) Se a injustiça é parte do inevitável atrito no funcionamento da máquina governamental, que seja assim: talvez ela acabe suavizando-se com o desgaste – certamente a máquina ficará desajustada. Se a injustiça for uma peça dotada de uma mola exclusiva – ou roldana, ou corda, ou manivela -, aí então talvez seja válido julgar se o remédio não será pior do que o mal; mas se ela for de tal natureza que exija que você seja o agente de uma injustiça para outros, digo, então, que se transgrida a lei. Faça da sua vida um contra-atrito que pare a máquina. O que preciso fazer é cuidar para que de modo algum eu participe das misérias que condeno. (…)

Henry David Thoreau, A desobediência civil, 1848.

Bookmark and Share


24

Sep

08

Coleção de negativas

A blogueira cubana Yoani Sanchez teve novamente negado um visto de saída para viajar à Europa. E comenta:

Hay quienes tienen una pared llena de diplomas o la camisa se les tensa bajo el peso de las medallas. Héroes que acumulan cicatrices y ciudadanos que acopiamos frustraciones. Para no quedarme atrás en esas manías generalizadas de coleccionar, trato de hacer mi propio muestrario de algo. Recopilo negativas de viajes, papelitos que repiten no puede salir “por el momento” y boletos de aviones aplazados. (…)

Bookmark and Share