12
Jun07
Os comentários e a liberdade de expressão
Leio agora que o jornalista Paulo Alceu parou de publicar em seu saite a coluna Sem Cortes, existente há mais de dois anos, onde abria espaço para a livre manifestação dos leitores. Ele está sendo processado pelo deputado Djalma Berger (PSB) por causa de um comentário de leitor em novembro de 2006 – já retirado do ar por ordem judicial. O parlamentar quer calar o mensageiro: demanda que o jornalista lhe pague R$ 100 mil de indenização por danos morais.
Em setembro de 2004, Alexandre Inagaki já comentava sobre a ameaça à liberdade de expressão na internet. Citou o primeiro caso de um blog retirado do ar em processo judicial motivado por um comentário de leitor. Precedentes perigosos. Alceu vai usar o espaço da coluna para informar os leitores sobre o desdobramento da ação judicial.
Nem que fosse apenas por motivos pragmáticos, os políticos deviam optar pelo diálogo tolerante antes de reprimir quem pensa diferente – e quem abre espaço para o contraditório. Correm sempre o risco de despertar o fenômeno Xô Sarney, campanha que se multiplicou como uma febre pela internet brasileira depois que os advogados do senador maranhense tentaram tirar blogs do ar.
26
May07
Diamante e sangue
Ainda tou sob impacto do filme que vi ontem: Blood Diamond. É sobre crianças-soldados da África. Leonardo di Caprio faz o protagonista, ex-mercenário e contrabandista de diamantes. Na Libéria devastada pela guerra civil, ele tenta convencer um pescador a resgatar um valioso diamante cor-de-rosa. O pescador tenta resgatar o filho que foi raptado pela guerrilha pra ser menino-soldado. E uma jornalista tenta convencer o contrabandista a contar a história do caminho das pedras até as joalherias de Europa e Estados Unidos. Filme de ação e suspense, com muitas cenas violentas – a história nem teria como ser contada se não fosse assim -, de grande densidade ao tocar num problema grave: a exploração e abandono do continente africano pelos países desenvolvidos. Existem hoje 200 mil soldados crianças na África.
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p.s.: Alexandre Gonçalves comentou que o filme lembra, no bom sentido, O Jardineiro Fiel, de Fernando Meirelles (adaptação de um baita livro de John Le Carré).
23
May07
Handbook for Bloggers and Cyber-Dissidents
Li no Coluna Extra que a tradutora Dora Garrido, do blog Crônicas Atípicas, está trabalhando na versão para português do Handbook for Bloggers and Cyber-Dissents, lançado em 2005 pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Iniciativa muitíssimo bem-vinda, Dora!
23
Apr07
A instabilidade aérea e os limites humanos
Bodes expiatórios da crise aérea, os controladores de vôo atuam em condições de pressão que trazem graves riscos à sua saúde e à segurança de quem voa. A dimensão humana do problema, bem mais complexo do que nos mostra a mídia, precisa ser considerada com urgência. É o que diz Edith Seligmann-Silva, médica psiquiatra com especialização em saúde pública, neste artigo publicado pelo Observatório Social.
11
Apr07
Tecnologia pela paz
Li agora na Info Exame, que pegou da Reuters: o Google Earth, serviço de imagens por satélite do Google, vai fazer um mapeamento online das atrocidades cometidas em Darfur, no oeste do Sudão. Mais de 200 mil pessoas morreram ali desde 2003, no que é considerado pelo governo norte-americano o primeiro genocídio do século. O projeto é uma parceria do Google com o Museu do Holocausto para tentar identificar essas ocorrências a tempo, com a esperança de que governos e instituições possam impedi-las. Iniciativa louvável. Seria ótimo também se ficassem de olho no Iraque.
20
Mar07
Deu na web e DVeras comenta: tevê e esgoto
Brasil tem mais casas com TV em cores que com esgoto, diz o PNUD.
Que merda!
15
Mar07
Poema contábil
Recebi do Frank, que pegou aqui.
Saldo NegativoDói muito mais arrancar um cabelo de um europeu
que amputar uma perna, a frio, de um africano.
Passa mais fome um francês com três refeições por dia
que um sudanês com um rato por semana.É muito mais doente um alemão com gripe
que um indiano com lepra.
Sofre muito mais uma americana com caspa
que uma iraquiana sem leite para os filhos.É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga
que roubar o pão da boca de um tailandês.
É muito mais grave jogar um papel ao chão na Suíça
que queimar uma floresta inteira no Brasil.É muito mais intolerável o xador de uma muçulmana
que o drama de mil desempregados em Espanha.
É mais obscena a falta de papel higiênico num lar sueco
que a de água potável em dez aldeias do Sudão.É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda
que a de insulina nas Honduras.
É mais revoltante um português sem celular
que um moçambicano sem livros para estudar.É mais triste uma laranjeira seca num kibutz hebreu
que a demolição de um lar na Palestina.Traumatiza mais a falta de uma Barbie de uma menina inglesa
que a visão do assassínio dos pais de um menino ugandêse isto não são versos; isto são débitos
numa conta sem provisão do Ocidente.Fernando Correia Pina (Poeta português, nascido em 1954. Formado em História, vive em Portalegre, região do Alto Alentejo, junto à fronteira com a Espanha. Portalegre tem cerca de 16 mil almas. Pina é um barnabé municipal lotado no Arquivo Histórico local.)
24
Feb07
Prestes Maia: despejo suspenso por 60 dias
A Defensoria Pública de São Paulo obteve suspensão da desocupação do edifício Preste Maia por 60 dias. O juiz que havia ordenado a reintegração de posse reviu sua decisão depois que uma forte mobilização popular, envolvendo até mesmo a Anistia Internacional, levou a um acordo entre a Prefeitura de São Paulo e o Movimento dos Sem Teto do Centro. Maior ocupação vertical da América Latina, com 22 andares, o prédio abriga 468 famílias. O Preste Maia é avaliado pela Caixa Econômica Federal em R$ 7 milhões, mas seus proprietários têm uma dívida acumulada de IPTU com o município que pode chegar a R$ 5,8 milhões. Mais detalhes na matéria da Repórter Brasil.
22
Feb07
Nova ameaça de despejo de 468 famílias que vivem há dois anos no edifício abandonado Prestes Maia, em São Paulo. Um juiz quer colocar todos no olho da rua. Clique na foto de Tatiana Cardeal e veja como você pode se somar à campanha da Anistia Internacional pra que isso não aconteça.
15
Feb07
Segurança pública em debate
Recomendo a leitura da entrevista de Luiz Eduardo Soares, um dos maiores especialistas em segurança pública do país, no portal do PPS. Ele desqualifica o comportamento”demagógico e populista” do Congresso Nacional diante de tragédias como a morte bárbara do menino João Hélio, de seis anos. Defende uma reforma profunda na instituições para que as leis já existentes possam ser cumpridas, explica por que é contra a redução da maioridade penal e denuncia o genocídio de jovens brasileiros negros do sexo masculino. Abaixo, um trecho:
(…)
O problema da segurança pública é muito mais grave. Não pode ser tratado com enrijecimento de penas e outras medidas desse tipo, que já se comprovaram ineficazes, inteiramente distantes das reais necessidade. Nós precisamos de uma reforma profunda nas instituições da segurança pública, de mudanças constitucionais, de políticas preventivas articuladas num sistema único de segurança pública, que envolva compromissos de investimentos reais por parte do Estado em todas as esferas, desde o município até a União. Conceber um plano amplo e sistêmico exige um outro tipo de postura, muito diferente dessa que tem caracterizado a reatividade do Congresso Nacional. (…)No Brasil, há cerca de 45 mil crimes letais por ano e aproximadamente 40 mil homicídios dolosos anualmente. São números extraordinariamente elevados, que correspondem a 27 vítimas por 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos são oito; na Europa, menos de três; no Japão menos de um. Quando observamos os dados desses crimes mais de perto, compreendemos que há uma forte concentração nesse processo de vitimização. Apesar de os problemas dizerem respeito à sociedade brasileira em seu conjunto, há uma concentração numa determinada faixa social quando se trata do processo de vitimização letal. Quem está morrendo são sobretudo jovens entre 15 e 24 anos, pobres, moradores das periferias, das favelas, das comunidades e, em geral, negros e do sexo masculino. Isso é tão grave e tem atingido patamares tão elevados que já há um reflexo desse processo na estrutura demográfica brasileira. Há um déficit de jovens do sexo masculino nessa faixa etária, de 15 a 24 anos, que já caracteriza esse processo como genocídio. Quando um demógrafo observa essa configuração populacional sem saber a que sociedade se reportam esses dados, tende a deduzir que se trata de guerra porque só uma sociedade em guerra tende a produz esse tipo de conseqüência no perfil demográfico. Estamos diante de um quadro muito peculiar, extremamente grave; de um processo de genocídio dos nossos jovens; num processo autofágico, fratricida, do qual tem sido co-responsável, cúmplice, o próprio Estado, na medida em que, por omissão ou por ações ilegais, tem contribuído para esses resultados. (…)











