Posts de 2011

22

Jul

11

Chuva nas folhas

Chuva nas folhas

Sou solar por natureza, mas amo a chuva desde criança. Uma das minhas primeiras lembranças é de estar pendurado na grade de um janelão que dava frente pra rua Major Codeceira, no bairro da Boa Vista, em Recife, e ficar olhando a água correr pelo meio-fio. Depois, aos cinco e seis anos, em Manaus, nunca perdia a chance de tomar banho pelado naqueles temporais tropicais que vinham e sumiam de repente, com pingos grossos de encher copo d’água. Em Natal, a Cidade do Sol, chuva é tão rara que rende até desconto pra turista em hotel. Na adolescência eu fantasiava em um dia morar num lugar onde pudesse curtir isso mais vezes, ficar em casa olhando pela janela ou curtindo um livro debaixo do cobertor. Meu desejo foi atendido em Floripa, até demais. Aqui ela vem junto com o frio e às vezes dura por dias e dias. Fininha, insistente, deixa o ar tão úmido que quase dá pra cortar com uma faca. As frutas apodrecem rápido, o guarda-roupa fica com cheiro de mofo, o chão do quintal, encharcado. Mas não consigo reclamar. Sempre dá pra encontrar beleza nesse presente que cai do céu.

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21

Jul

11

Espírito de Porco para ver e baixar grátis

Boa notícia: Espírito de Porco, o documentário mais sujo dos últimos tempos, que dirigi com o Chico Faganello, já está disponível para ver e baixar de graça na internet. É só acessar o portal Filmes que Voam, fazer um cadastro e conferir o filme. A partir de amanhã trambém vai ter versão pra ver no celular. Se você ainda não assistiu, agora está ao alcance de poucos cliques.

Filmes que Voam é uma iniciativa bacana pra popularizar o cinema independente no Brasil. Entre as produções para download estão o média-metragem Impasse (de Fernando Evangelista e Juliana Kroeger), sobre o drama do transporte coletivo em Florianópolis; o longa Muamba, de Chico Faganello; O Mistério do Boi de Mamão, de Luiza Lins, sucesso entre a criançada; e mais de 30 filmes exibidos na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

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21

Jul

11

O poligrota

Recebi do Celso Vicenzi e passo adiante.

O POLIGROTA

É verdade matemática que ninguém pódi negá,
que essa história de gramática só serve pra atrapaiá.
Inda vem língua estrangêra ajudá a compricá.
Mió nóis cabá cum isso pra todos podê falá.

Na Ingraterra ouví dizê que um pé de sapato é xu.
Desde logo já se vê, dois pé deve sê xuxu.
Xuxu pra nóis é um legume que cresce sorto no mato.
Os ingrêis lá que se arrume, mas nóis num come sapato.

Na Itália dizem até, eu não sei por que razão,
que como mantêga é burro, se passa burro no pão.
Desse jeito pra mim chega, sarve a vida no sertão,
onde mantêga é mantêga, burro é burro e pão é pão.

Na Argentina, veja ocêis, um saco é um paletó.
Se o gringo toma chuva tem que pô o saco no sór.
E se acaso o dito encóie, a muié diz o pió:
”Teu saco ficô piqueno, vê se arranja ôtro maió!’

Na América corpo é bódi. Veja que bódi vai dá.
Conheci uma americana doida pro bódi emprestá.
Fiquei meio atrapaiado e disse pra me escapá:
ói, moça, eu não sou cabra, chega seu bódi pra lá!

Na Alemanha tudo é bundes. Bundesliga, bundesbão.
Muita bundes só confunde, disnorteia o coração.
Alemão qué inventá o que Deus criou primêro.
É pecado espaiá o que tem lugar certêro.

No Chile cueca é dança de balançá e rodá.
Lá se dança e baila cueca inté a noite acabá.
Mas se um dia um chileno vié pro Brasir dançá,
que tente mostrá a cueca pra vê onde vai pará.

Uma gravata isquisita um certo francês me deu.
Perguntei, onde se bota? E o danado respondeu.
Eu sou home confirmado, acho que num entendeu,
Seu francês mar educado, bota a gravata no seu!

Pra terminar eu confirmo, tem que se tê posição.
Ô nóis fala a nossa língua, ô num fala nada não.
O que num pode é um povo fazê papér de idiota,
dizendo tudo que é novo só pra falá poligrota.

(Autor desconhecido)

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21

Jul

11

Coração e óvulos

É hoje.

Lançamento da publicação multimídia
CORAÇÃO e óVULOS de Eli Heil

A Contraponto e a Fundação Badesc lançam nesta quinta 21, às 19 horas, o documentário Coração de Eli e o livro óvulos de Eli, sobre a artista Eli Heil. O documentário dirigido por Kátia Klock revela impressões de críticos e a relação da artista com seu Museu O Mundo Ovo, em Florianópolis (SC). A produção será disponibilizada em um DVD encartado no livro, que inclui mais dois curtas. A distribuição é gratuita para arte-educadores e multiplicadores.

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20

Jul

11

Exposição SEMI óTICA – miopia e astigmatismo

SEMI óTICA

Miopia e Astigmatismo [de Felipe Obrer]

De 26 de julho a 12 de agosto de 2011

Ver. Visão. Saúde. Um olho é. Dois olhos são. Sãos.

Irregularidades do globo ocular. Nervo ótico. Nervosismo estético.

A volta a um consultório oftalmológico.

A lógica homogeneizadora do olhar humano.

Nitidez reencontrável pelo olho da câmera.

Uma década sem lentes.

Exposição longa e giro da câmera em estágios.

Desacolpamento da cápsula de navegação. Flutuar no vácuo pleno.

Cópula de fótons. Cúpula de bíons.

A transitoriedade da luz.

O encontro com o infinito dentro do finito.

A revelação da realidade fractal.

Corpo da câmera no plexo solar do corpo do fotógrafo.

Fotos de barriga.

Estômago mago. Entropia visual.

(…)

Informações:

Local: Aliança Francesa Florianópolis

Endereço: Rua Visconde de Ouro Preto, 282.

Centro – Florianópolis – SC

affloripa@affloripa.com.br

Veja mapa

www.affloripa.com.br

ABERTURA: terça-feira, 26 de julho, às 19h30.

Às 20h, show de bossa nova e jazz com Joana Knobbe e Gustavo Messina.

Apoio (equipamento de som): Escola de Música Rafael Bastos

ENCERRAMENTO: sexta-feira, 12 de agosto

Horário: de segunda a sexta, das 8h às 20h; sábados, das 8h às 11h.

Entrada gratuita.

Realização (convite e acolhida): Aliança Francesa Florianópolis

Apoio (impressão das fotografias): Laboratório fotográfico Color Click

Agradecimento especial à minha amora e companheira de vida, Joana Knobbe, que, além de produzir o cartaz original da exposição, cantará na abertura.

Mais

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19

Jul

11

Como cão e gato

Tutu e Narceja brincando de viver perigosamente. Ao fundo, mais uma obra não realizada pela Prefeitura de Florianópolis.

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15

Jul

11

Rio da Prata

Rio da Prata
Rio da Prata, Anitápolis, SC. Dezembro de 2010.

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14

Jul

11

Flor da restinga

Flor da restinga

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14

Jul

11

O poeta do dia: Chacal

Sócio do ócio

doce ociosidade
sacia minha sede de ser assim
largado no mundo caído na vida
terra mãe luz da manhã

doce sociedade ociosa sempre no cio
já aboliram a escravatura
pendure sua rede mate sua sede
de se espreguiçar

de volta ao princípio
onde o que come é comido
cru ou cozido
vou te devorar

viva nossa carne mortal
de partículas imortais
para pulsar
filhos do sol

até que se cumpra
nosso destino cósmico
sou sócio do ócio
eu sou

Chacal

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13

Jul

11

Gay Talese: “O jornalismo está se tornando preguiçoso”

Gay Talese. Reprodução NY Times

Gay Talese. Reprodução NY Times

Interessante entrevista de Gay Talese aos jornalistas Fernando de Oliveira e Thiago Maurique, do Diário Regional (Santa Cruz do Sul-RS) sobre seu livro Honra teu pai. Publicado em 1971 e recém-lançado no Brasil, o livro conta a história de Joseph Bonanno, chefe mafioso de Nova York, e de seu filho Salvatore “Bill” Bonanno. Para escrevê-lo, o então repórter do New York Times precisou se tornar amigo de Bill Bonanno e esperar cinco anos para convencer o mafioso a lhe contar sua história. Trechos:

P. – O senhor acha que seria possível, hoje, escrever um livro como este?
Talese –
Sim, claro que seria possível, do mesmo jeito que eu fiz. No entanto, tem que ser gasto um bom tempo e conservar um relacionamento. Tanto nos EUA quanto no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo, existem histórias que você pode contar se você realmente se dedicar a isso. Nunca é fácil fazer alguma coisa boa, sempre é difícil. Mas você não vai conseguir isso utilizando o Google. Nunca vai conseguir fazer isso usando um telefone celular, ou um gravador. Você tem que sair na rua e cultivar uma relação, e gastar tempo com ela. É o que eu chamo, em minhas próprias palavras de ‘The art of hanging out’ (a arte de sair por aí).

P. – A propósito, o senhor sempre defendeu que lugar de jornalista é na rua. O que o senhor pensa sobre o jornalismo que é praticado hoje, com a internet e as facilidades que esta tecnologia proporciona?
Talese -
… Os jornalistas, hoje, não estão descobrindo nada por tentativa, ou por acidente. O que estão fazendo é muito imediatista. O jornalismo tem se tornado muito previsível. Nada é profundo, pensado ou divagado. Então o jornalismo está se tornando preguiçoso, porque os jornalistas não querem se mexer. A primeira coisa que fazem quando acordam é abrir um pequeno laptop e começar a apertar botões. Então eles leem jornais, olham fotografias, jogam games ou qualquer outra coisa e, talvez, até façam entrevistas com outras pessoas, mas são pessoas que são educadas, que sabem como usar um laptop, um smartphone ou o que quer que estejam usando. E estão perdendo todo o contexto da vida. É tudo baseado em cumprir o objetivo. Eles querem ir do ponto a para o ponto b, e querem fazer isso rápido, de maneira eficiente sem perder nenhum tempo. Bom, perder tempo é muito bom. O tempo é maravilhoso quando você o perde. Quando você perde tempo você pode pensar que é um desperdício, mas não é. Às vezes você aprende com o silêncio, ou com os momentos de indecisão. Você aprende coisas que você jamais pensou que saberia, e aprende coisas sobre as quais você nunca pensou, e que nunca iria perguntar sobre. São coisas muito valiosas para a mente intelectual, e para a curiosidade intelectual que algumas pessoas têm. A internet joga contra esta curiosidade. Ela proporciona todas as respostas de maneira fácil. Você coloca o nome de alguém no google e descobre muito sobre ela. Se é verdade ou não, você não vai saber a diferença.

A íntegra aqui

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