08
Aug11
Narceja na janela
Fazia sol nesse dia. Bem diferente das últimas 24 horas, em que não para de chover.
07
Aug11
05
Aug11
Surf no Campeche
Alguns cliques que fiz ontem de manhã na praia do Campeche, onde as ondas chucras faziam a festa de mais de 50 surfistas. Dia lindo de inverno. Foi a primeira vez que fotografei surf. Não é moleza, tudo é muito rápido e, se a gente bobeia, o cara já tá debaixo da espuma. Fico imaginando como era no tempo da película. Quantos rolos de filme pra salvar algumas “chapas”.
03
Aug11
31
Jul11
Peixes fora d’água
Ilha da Magia, onde os peixes nadam acima dos barcos – e mordem luminárias. Lagoa da Conceição, Floripa, julho de 2011.
29
Jul11
Família não é uma empresa ou como catar coquinhos
Reproduzo na íntegra este belo texto de Fabrício Carpinejar. Penso como ele.
Estava na mesa-redonda da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Ouvi atentamente a palestra de Içami Tiba, colega de painel, que falou de modo elétrico, seguro e convincente.
É um orador no estilo de grande auditório, conciliando humor com exemplos.
Mas, em algum momento, ele disse: “A família é como uma empresa”.
E aquilo me incomodou profundamente. Aquilo me arrancou a audição.
“É na família que forjamos vencedores. Se os filhos não obedecem, não fazem nada, tem preguiça para qualquer coisa, não ficariam numa empresa, é o mesmo processo.”
Caso meu avô Leônida escutasse isso, soltaria um de seus xingamentos prediletos: “Vai catar coquinho e deixar de ser besta”.
A família não é uma empresa. Nem deve ser. Não vou demitir ninguém em casa. O pai ou a mãe não é o que queremos deles, mas o que eles podem oferecer.
Estou de saco cheio de ouvir que uma família deve trazer rentabilidade, organização e competência. A cobrança não fixa um lar.
Na minha residência, cada um tinha uma tarefa. Mas não era uma empresa, ou uma cooperativa. Não fui promovido. Não esperava cargos de confiança. Os irmãos me continuavam.
Quando fui demitido uma vez do serviço, expliquei para minha filha de 4 anos o que havia acontecido.
“O trabalho não me quis mais.”
Ela respondeu bem calma:
“São bobos, fique calmo, será meu pai sempre.”
Eu dependo de um lugar para falir na minha vida. Deixe-me ao menos a família.
Eu posso perder tudo, menos a família. A família é meu despertencimento, a adoração dos telhados, o avental no gancho da cozinha. Nem Deus, nem seus capatazes tiram aquilo que foi desejo. Podem subtrair minha memória, mas guardarei o desejo fora de mim. Em minha mulher.
A família é o único lugar que continuaremos vivendo sem a expectativa de acertar. Mente-se diante da agenda, não de um prato de comida. Precisamos de um espaço para falir, para errar e se debruçar em nossas fraquezas. Já tenho que ser funcional no emprego, no lazer, nas relações com os outros. E agora a sugestão é que trabalhemos também na família. Isso é exploração infantil, isso é jornada dupla, isso é transformar elos naturais em conexões automáticas.
A família depende de uma única coisa: a intimidade. E intimidade não é emprestada, intimidade é não pedir de volta.
A família é o único lugar que me permite ser verdadeiro. É o único reduto de autenticidade. Não vamos colocar a competição dentro dela. Ou encher os nossos filhos de horários e de obrigações para que não pensem bobagens. Eles carecem das bobagens para escolher seus caminhos. Ser ocupado não nos torna importantes; não nos torna responsáveis. Envelhecer é se desocupar para a amizade.
Quando pequeno, não fiz natação, não fiz inglês, não fiz informática, não fiz o raio-que-parta. Eu tinha o tempo livre depois da escola e jogava futebol com os colegas, roubava frutas e brincava na casa dos vizinhos. Voltava para a casa quando a mãe gritava: “tá na mesa!”. A infância é própria para a vadiagem. Quando iremos vadiar de novo?
Se a família é uma empresa, um dia os filhos vão pedir demissão, um dia o pai e a mãe vão se aposentar, um dia os tios vão pedir concordata, um dia o genro vai desviar recursos.
Na família, os laços são eternos e não provisórios como uma empresa. Família não é trabalho, família é experiência. E nunca haverá perdedores na família, mas irmãos e filhos e pais. Eles são a família, não um referencial de realização.
Essa exigência de sucesso na família implica em não aceitar os perdedores. O que são os perdedores senão os mais sensíveis à pressão? Por isso, famílias se assustam com os problemas e escondem filhos alcoólatras, drogados e doentes em clínicas. Sofrem com a cobrança pública. Temem a exposição de seus defeitos.
Família é ter defeitos, é ter fantasmas, é ter traumas. Frustração é não contar com uma família para se frustrar.
Família é compreensão, não um acordo.
Não temos que alimentar vergonhas de nossas vergonhas. Família é onde tiramos os sapatos e deitamos os casacos. Não promoverei reunião-almoço na minha sala. Não afastarei um parente pela malversação. Não solicitarei a restituição das mesadas. Não exigirei que minha filha escolha Medicina ou Direito pela estabilidade. Não condiciono minha paixão a resultados.
Um patrão nunca será um pai. Não procuro disciplinar meus filhos, o amor é a mais suave disciplina. E o abraço é a minha desordem.
28
Jul11
Solidariedade à Noruega
A ausência de um comentário meu aqui antes sobre o massacre na Noruega não é indiferença, pelo contrário. É choque diante do horror além da compreensão. Tenho fortes e antigos laços de amizade com o povo norueguês. Hospitalidade, solidariedade, abertura pras diferenças, só consigo pensar em coisas boas quando lembro dos meus amigos vikings, dos amigos dos meus amigos e das pessoas com quem tive contato casual ao viajar pelo país e em outros cantos do mundo. Gente bonita, amante da paz, da natureza, das viagens e descobertas.
A riqueza que a Noruega conseguiu conquistar no século 20 graças à indústria petrolífera reverteu de fato pra redução das diferenças materiais entre os ricos e pobres (é o primeiro país no ranking mundial do IDH). Esse estado do bem-estar social, privilegiado por paisagens lindíssimas, poderia ter sido construído de maneira egoísta. Mas os noruegueses, cientes de suas responsabilidades, aplicaram parte da riqueza na melhoria da vida dos outros. Aberta à imigração, a Noruega tem sido um importante abrigo para refugiados políticos e econômicos, principalmente de países muçulmanos.
Não é um paraíso na terra, é certo. A inexistência de grandes dificuldades materiais termina levando as pessoas a se voltar para dilemas existenciais. Depressão e suicídio são recorrentes, em especial nos longos meses de inverno, em que a luz do sol vira artigo de luxo. O rígido controle do consumo de bebidas alcoólicas deriva de um histórico problema social com o alcoolismo – reforçado pela moral puritana da época em que as leis restritivas foram adotadas. Mesmo assim, a Noruega sempre foi considerada um oásis de segurança e placidez. É um dos lugares mais improváveis do mundo pra se levar um tiro.
O crime horrendo praticado pelo fundamentalista cristão de extrema direita – até o momento, tudo indica que agiu sozinho – quebrou a ilusão de que existem lugares intocados pela violência. No momento em que escrevo, as notícias que os jornais vão acrescentando para montar o quebra-cabeças do massacre são nauseantes, pela frieza como o crime foi planejado. Tenho lido diversos artigos que tentam “explicar” essa chacina, mas boa parte dos analistas tira conclusões rasas e contraditórias, como observa Christopher Hitchens em texto publicado pelo NY Times e traduzido pelo UOL (com dois erros de concordância no título).
A tragédia norueguesa é um alerta para a perigosa ascensão da extrema direita na Europa, que não pode mais ser ignorada. Recomendo a leitura deste artigo na New Yorker sobre as investigações feitas nos anos 90 pelo falecido jornalista sueco Stieg Larsson, autor da trilogia Millenium, que também aborda o assunto na ficção. Merece aplauso a declaração do primeiro-ministro norueguês de que a resposta ao atentado terrorista será uma intensificação da abertura e da democracia. Essa postura, digna de estadista, é uma das melhores homenagens que as 76 vítimas do maníaco poderiam receber.
p.s.: A personificação do mal na figura desse terrorista me fez recordar um romance marcante que li no ano passado: As Benevolentes, de Jonathan Littell, narrativa em primeira pessoa das experiências de um oficial nazista na frente russa e na administração de campos de concentração.
28
Jul11
Miguelices: o futebol e eu
Minha atuação no futebol se resume a duas palavras, disse o Miguel: fominha e cavalo.
26
Jul11
Miguelices: origami
Meninos foram brincar de origami na casa do amigo. Comentário do Miguel:
- Eu ia fazer um canguru e saiu um pinguim.
25
Jul11
Jeremy e o primeiro amor
Assisti Jeremy aos 11 anos de idade. Hoje, aos 45, eu o revejo com o mesmo encantamento daquela madrugada diante da tevê. Dirigido por Arthur Barron em 1973, o filme conta a história de amor entre dois adolescentes, interpretados pelos então estreantes Robby Benson e Glynnis O’Connor. Um enredo banal serve de base para esta pequena joia do cinema. Jeremy é um tímido aprendiz de violoncelo numa escola de artes de Nova York. Quando conhece Susan, a recém-chegada estudante de balé, de lindos olhos tristes, seu mundo se transforma.
O frescor ingênuo, a empatia entre os dois atores – que também namoraram fora da tela – e a câmera 16 mm em estilo quase documental criam uma atmosfera intimista de grande autenticidade. Susan e Jeremy são “adultos-crianças” que descobrem juntos a sexualidade e a arrebatação do primeiro amor. Ao mesmo tempo, não são donos de seus destinos. E logo também descobrem que nada é pra sempre. A música-tema, The hourglass song (de Joseph Brooks, interpretada pelo próprio Robby Benson), é linda de chorar.
Jeremy está longe de ser uma obra-prima, mas recebeu reconhecimentos da crítica – em Cannes foi nominado para a Palma de Ouro e o diretor ganhou o prêmio de melhor primeiro trabalho. Em 1974, Robby Benson concorreu ao Globo de Ouro na categoria estreante mais promissor. Aos espectadores de 2011, os penteados e calças boca-de-sino dos anos 70 provocam ligeiro efeito cômico. Mas não importa. O filme conquista pela maneira honesta como aborda esse rito de passagem. Se você viveu um grande amor na adolescência, vai gostar.
Com informações do IMDB e fotos do blog Obscure One-Sheet.

















