28
Nov08
Mulheres no ar
Ontem à noite um amigo pegou avião de Brasília pra Floripa. Certa hora, ouviu "A" comandante fulana se apresentar pelo interfone e informar que ao lado dela estava "A" co-piloto sicrana. Depois de uma pausa, a comandante acrescentou, causando risada geral:
– Agora não dá mais pra descer, já estamos no ar.
Depois informou as condições do tempo em Floripa e disse esperar que faça sol no fim de semana, pois ela é daqui e vai estar de folga.
28
Nov08
Precisa-se de voluntários em Floripa
Repasso três recados que recebi da Lícia Brancher.
- O Corpo de Bombeiros da Trindade/Fpolis precisa de VOLUNTÁRIOS para separar donativos, tel: 48/ 3239 7100. Eles pedem qualquer horário ou tempo disponível.
- O Mesa Brasil do SESC/SC-Florianópolis está precisando de voluntários para embalar kits e cestas básicas. São toneladas de produtos para atender aos desabrigados atingidos pelas enchentes. Contato com Luciana Nascimento: 48/ 9946-4428
- A Carrera Locadora, em Florianópolis, vai "até o local para arrecadar as doações (roupas, alimentos, cobertas, enfim, qualquer ajuda é válida num momento como este), é só nos informar através do fone 0800-473333 opção 5."
28
Nov08
Repercussão da enchente de SC na Suíça
O amigo Geraldo Hoffmann, jornalista catarinense que vive em Berna, escreveu em seu blog sobre a repercussão da enchente de Santa Catarina na mídia suíça. Ele expressa algumas opiniões contundentes. Trecho:
(…)
Eu não tocaria nesse assunto, se não viesse de Santa Catarina e não tivesse morado em Blumenau. Ouvindo o governador Luiz Henrique da Silveira e o presidente Lula culpando a mudança climática pelas enchentes, só posso imaginar o seguinte: ou eles são ignorantes ou pensam que a população é idiota. Quem conhece a história das enchentes no Vale do Itajaí (ou em outras regiões do Brasil) sabe muito bem que grande parte dessas catástrofes decorre do descaso da administração pública, que permite desmatamentos e loteamentos ilegais nas encostas, não faz nada contra o assoreamento dos rios, não realiza as obras necessárias de proteção a inundações e não tem um esquema de evacuação das regiões de risco. Isso já era assim na grande enchente que de 1983, quando Blumenau foi quase completamente destruída pelas águas, continua assim hoje e será assim daqui a cem anos, com ou sem mudança climática.Lamentavelmente, quando ocorrem catástrofes como essas, os políticos brasileiros só têm desculpas baratas e promessas a oferecer – até a próxima catástrofe. Luiz Henrique da Silveira, que gosta de viajar à Europa, especialmente à Alemanha, a essas alturas deve conhecer muito bem o sistema de proteção contra enchentes que os alemães desenvolveram para enfrentar as inundações ao longo do Reno e do Danúbio, dois rios bem maiores do que o rio Itajaí. No alto Reno, um trecho de 350 km entre Bingen (Alemanha) e Basiléia (Suíça), há uma proteção especial para áreas ribeirinhas em que, estatisticamente, pode ocorrer uma enchente em cem anos. Também as autoridades de Blumenau conhecem esse sistema. Por que não fazem nada?
28
Nov08
Jornalistas falam sobre a enchente em Blumenau
Os jornalistas do Jornal de Santa Catarina, de Blumenau, gravaram este vídeo em que contam como foi sua experiência de cobrir a enchente e ao mesmo tempo sofrer os efeitos dela.
28
Nov08
A beleza da irmandade
Sabe lá /
o que é não ter e ter que ter pra dar /
Sabe lá…Esquinas, Djavan
Um amigo, professor em Natal, me contou que vai depositar na conta da Defesa Civil de Santa Catarina a remuneração de um dia de aula de tai-chi pra ajudar as vítimas da enchente. Fico comovido com o gesto porque sei o quanto ele rala pra ganhar a vida. Da mesma forma, tanta gente desprovida de recursos tem contribuído dos mais diversos pontos do Brasil e de outros países.
Neste momento de desgraça coletiva, a força da irmandade é de uma beleza indescritível. Claro, também desabrocha o lado feio do engenhoso bicho humano, capaz de premeditar golpes pra arrecadar donativos pela internet, usar barcos pra saquear casas abandonadas, administrar a reconstrução com a cupidez de quem prioriza os cifrões do turismo.
Mas quero lembrar agora é de um tipo muito especial de gente boa. Os que contribuem com desprendimento e sacrifício pra pessoas que nem mesmo conhecem. É fácil ser generoso com o chapéu dos outros. De certa forma, também chega a ser cômodo doar o que não faz falta – desocupa a tranqueira dos armários e alivia culpas. Difícil mesmo é dividir o pão, se privar de algo valioso pra ajudar desconhecidos.
Quem faz isso, dizem alguns mestres de sabedoria, tem lugar garantido no céu. Disso pouco entendo. O que sei é que essas pessoas têm minha admiração profunda.
p.s.: Pra quem deseja ajudar com as próprias mãos a resgatar as vítimas: eu ia escrever sobre a importância de equilibrar solidariedade com racionalidade, mas o Cesar Valente já disse tudo neste post do seu blog De olho na capital.
28
Nov08
Rogério volta pra casa em Itajaí
Retornei ontem à noite para casa. Foram mais de 80 horas de tensão permanente, apreensão, e sofrimento. Voltamos e enfrentamos a lama e a sujeira. Na segunda, barcos passavam na frente de casa, onde o nível da água chegou à minha cintura. Em casa, o lodo marcou 30 cm nas paredes. Foi pouco, muito pouco, perto do que vi pela cidade. Tenho amigos que perderam tudo, pois a água tomou as habitações por completo. …
Diante de tudo o que vi, diante de tudo o que vejo e leio, não consigo me desviar de um sentimento: fui poupado. Me sinto um afortunado por ter sobrevivido, por ter sido pouco atingido e por tantos amigos que me ligaram, me escreveram, enfim, ofertaram ajuda, conforto e solidariedade. São quase cem mortos. Os números não estão consolidados. Teremos mais corpos, inevitavelmente. Nas ruas, já desde ontem, restos de móveis, entulho, e lixo se acumulam. Camas, portas, sofás, geladeiras, fogões, berços, guarda-roupas, pedaços de madeira, mesas, todos jogados. Não prestam mais. …
Na terça e na quarta, saques em vários pontos assustaram a todos. Parecia o caos, uma terra sem lei, uma falência completa da ordem. Hoje, decretaram toque de recolher, e após as 22 horas não se pode andar pela cidade sem justificativas. É uma tentativa de restabelecer a segurança, e resgatar a sorte. … Chegaram homens da Marinha e do Exército e alguns da Força de Segurança Nacional. Vi o Bope também nas ruas. Vi lanchas nas principais ruas, blindados e muitos caminhões camuflados, como as fardas dos militares. 23 helicópteros coalharam o céu. …
As pessoas se olham nos olhos, se comunicam num instante, tornam-se cúmplices na desgraça. Todos aqui têm uma história para contar sobre a tragédia. Todos. Isso é inesquecível, atordoantemente inesquecível. … Tenho aprendido tanto nesses dias! Tenho visto tanta coisa, e pensado tanto na vida! Esta é uma experiência transformadora. O pesadelo ensina. Esses são dias em que se envelhece anos.
O texto completo está no blog Monitorando, de Rogério Christofoletti.
28
Nov08
Fotos da enchente em Blumenau
O jornalista Celso Martins está publicando em seu blog Sambaqui na Rede dezenas de fotos sobre a tragédia em Blumenau.
27
Nov08
Fotos da enchente em Santa Catarina
Alguns usuários do Flickr criaram o grupo Solidariedade – Santa Catarina pede Socorro. Clique no link pra ver outras imagens, contribuir com as suas e se informar sobre como ajudar os desabrigados. Nesta foto, Rosane Calegari mostra como ficou a rua onde ela mora em Timbó.
26
Nov08
A tragédia e a blogosfera
Uma grande rede de comunicação alternativa e solidária se formou espontaneamente como complemento à cobertura da mídia sobre o desastre climático em Santa Catarina. Em muitos casos as informações chegam mais rápido e mais completas.
Alexandre Inagaki, um dos blogueiros mais lidos da internet brasileira, publicou hoje um importante texto sobre como ajudar os desabrigados.
O Alles Blau, blog coletivo sobre notícias de Blumenau, tem feito um trabalho extraordinário de divulgação de informações sobre a tragédia no município, talvez o mais gravemente atingido.
Paulo Henrique de Sousa, em seu blog ph ácido, traz relatos em primeira mão sobre o que está ocorrendo na cidade onde mora, Balneário Camboriú.
Destaque especial para o blog Coluna Extra, do Alexandre Gonçalves, que indexou no topo da página o que as pessoas estão publicando no twitter com as palavras-chave #chuva, #blumenau, #itajaí e #floripa.
26
Nov08
Espiral de calamidades (crônica de Felipe Lenhart)
Estou em SP a trabalho por dois dias, mas continuo acompanhando de perto os acontecimentos de Santa Catarina. Republico na íntegra esta crônica de emergência de Felipe Lenhart, que captou bem o espírito do momento.
Espiral de calamidadesSujos, sufocados e famintos, fogem os bichos de dentro das tocas, de cima dos ninhos, do meio do mato. Há muito a terra treme, desliza e se desmancha sob o seu peso. Há muito caem galhos e despencam árvores sobre a sua cabeça. A caça sumiu, a comida já não existe e o risco de virar presa assusta e enxota os bichos para fora das tocas alagadas, dos ninhos desfeitos, para longe do mato revirado e inabitável. Então eles vêm dar na rua. Rastejam pelo gramado dos quintais, escalam cercas e calçadas, pulam muros com a agilidade que a fome ainda não consumiu. Correm desembestados pelas valas, pelos córregos, pelas trilhas e picadas que levam às casas e aos edifícios, às lojas e mercearias, aos supermercados e abrigos. Está quase tudo submerso – servidões, ruas, avenidas, cruzamentos, garagens, porões -, mas para os bichos sem-teto estes lugares são pousos distantes o bastante do pesadelo do lar submetido à força hostil da enxurrada. Eles reviram a imundície das sarjetas, os dejetos nos terrenos baldios, as latas e os sacos de lixo espalhados em desordem. Penduram-se em árvores que resistiram, cavam novas tocas no terreno seco e firme que porventura descobrem em meio ao concreto encharcado da cidade. Urinam, defecam, canibalizam-se entre si, espalhando sangue, suor e excrementos na água suja de areia que viaja às correntezas por cada bueiro, por cada ruela. E é quando essa torrente podre atinge a altura do teto, depois de ter engolido as flores do jardim, o tapete da sala, os sofás, o carro na garagem, as camas e os armários, queimado eletrodomésticos, é nesse momento que, sujos, sufocados e famintos, saem os homens de dentro das tocas, de cima dos ninhos: para fora de suas casas. Não há comida há dias, nem energia elétrica para aquecer ou ligar o que for, botar em funcionamento a parafernália eletrônica que, por vezes, nos parece inútil. As encostas dos fundos do terreno já desbarrancaram, e o barro, o lodo, a massa compacta avança a cada hora, derrubando muros, forcejando portas e janelas. A chuva não dá trégua – há semanas varia da garoa ao temporal. As gosteiras se reproduzem, reproduzem-se os choros, os suspiros, o desespero. À mínima estiagem, o pai sai à rua com água quase pelo peito e se junta a outros pais. Sem o auxílio de bombeiros e de soldados, que não conseguem alcançar a rua isolada, esses homens pegarão em pás, empurrarão barreiras, erguerão caixas d’água, farão o diabo para que a enchente não mate a todos. Na outra ponta da família, as mães já não toleram a fome dos filhos. Com o olhar vidrado e carregando uma sombrinha, elas saem às ruas ao cair da noite. Investigam, pedem, negociam, por fim suplicam a quem encontram: uma caixa de leite, um saco de açúcar, um quilo de arroz. E se você, por acaso, sorte, sentido de prevenção ou classe social, não está enrodilhado nesta espiral de calamidades, vai ficar bastante impressionado quando for abordado por umas dessas mães. Porque, como os bichos, elas estarão caçando.COMO AJUDAR DESABRIGADOS E DESALOJADOS EM SC?Para doar dinheiro:
Defesa Civil
Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7.
Besc – Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
(O depósito deve ser creditado ao Fundo Estadual de Defesa Civil-Doações.)FIESC
Banco do Brasil – Agência 3425-8, Conta Corrente 21.000-5, CNPJ: 83.873.877/0001-14.Para doar alimentos, remédios, roupas, colchões e água potável:
Consulte lista de locais de doação separados por cidade no hotsite especial SOS SC do clicRBS, aqui.








