Posts de 2008

22

Jul

08

Gallo no Cerrado


A partir de hoje, a amiga fotógrafa Cristina Gallo publica a série de fotos Cerrado, com flores do Planalto Central. Três novas imagens por dia ao longo da semana.

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22

Jul

08

Encontro feliz no calçadão de Ponta Negra

Dia feliz! Eu caminhava com Flávio e João Augusto pelo calçadão de Ponta Negra. De repente ela se materializou na minha frente com um sorriso lindo. Nem sabia que eu estava em Natal e a procurava, com pouca esperança de encontrar seu rastro. Foi uma emoção forte, depois de tanto tempo sem contato – a última vez que falamos tinha sido há um ano e nove meses, por telefone, uma conversa áspera e triste. Pedi pra meus amigos continuarem a caminhada. Descemos pra areia, tomamos água de coco e botamos as pendências em dia – assuntos complicados de família que não interessam aos leitores. Minha irmã me pareceu bem. Mais amadurecida e confiante. Liberta. Combinamos de amanhã ou depois nos encontrarmos de novo, ela vai levar os três meninos à praia. Segui a caminhada com meus amigos, me sentindo leve. Pensando em como é inútil julgar os outros ou pretender que se pode viver a vida pelos outros. Pensando nas voltas que a vida dá pra que as pessoas encontrem seu lugar no mundo.

p.s.: Hoje fiz as pazes com o calçadão de Ponta Negra :)

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22

Jul

08

Amigos

Tou há 35 horas em Natal e três amigos já me convidaram pra caminhar no calçadão da praia de Ponta Negra. Ok, adoro caminhar, mas não deixa de ser engraçada essa preocupação dos quarentões com a saúde: nos velhos tempos, me chamavam era pra tomar cana :)

Pensando bem, a gente suava. Dançando forró (no meu caso, tentando, pelo menos), correndo pra pegar ônibus, fazendo trilhas pra chegar em praias desertas e acampar… As histórias de empurrar carro quebrado dariam um capítulo inteiro da minha fase natalense.

Ontem andei no calçadão com Flávio, amigo-irmão, um dos caras mais zenerosos e desapegados que conheço. Tomamos açaí e falamos de tudo um pouco. Nem parecia que nosso último encontro tinha sido há cinco anos. Com Marcello, no domingo à noite, o mesmo.

Voltar a Natal é um reencontro com minha juventude, com tempos risonhos em que a gente se sentia imortal, em que as amizades eram absolutamente desinteressadas. Tanto é que alguns amigos daquele tempo são os grandes Amigos com letra maiúscula.

A gente olha uns pros outros, se sacaneia (“E aí, gordo? Fala, careca!” “Digaí, tiozinho!”), comenta do colesterol e triglicerídeos, se congratula por sobreviver. E pela alegria do reencontro, sem a ilusão de que vai ser a mesma coisa. Tudo muda o tempo todo.

Hoje mais um queridão, João Augusto, passa aqui. Ontem ao telefone foi engraçado, ele me confundiu com outra pessoa e queria me vender mel. Depois me ligou de volta e rimos. João tá criando abelha no sítio dele, o CDB (Cu de Burro).

Esses são da turma do bairro. Compas de festas e velórios, viagens e carnavais. Os três cruzaram o Brasil pra me visitar em Floripa. Nos próximos dias vou encontrar a turma da escola e da universidade. Alguns não vejo há 23 anos. Mas vamos dar um tempo de calçadão, tá?

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21

Jul

08

8 coisas para se fazer antes de bater com as 10

Rogério Christofoletti me convidou pra este meme. Vou descumprir as instruções 2 e 4 por pura pirraça, mas se você também quiser fazer sua lista, não espere convite, vá em frente. Aliás, estou fazendo uma relação de fôlego, com 100 coisas… Essas 8 são parte do listão, escolhidas de forma semi-aleatória.

As regras:

  1. Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
  2. Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
  3. Comentar no blog de quem nos convidou;
  4. Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
  5. Mencionar as regras.

Minha lista:

  1. Caminhar na praia com meus bisnetos.
  2. Ter uma casa numa árvore do quintal, cheia de livros, jogos e brinquedos.
  3. Passar um tempo zanzando de barco pela Amazônia.
  4. Dirigir num país de mão inglesa – e me sentir um canhoto normal.
  5. Tirar um ano de folga pra visitar os amigos pelo mundo.
  6. Passar longas temporadas pelado ou descalço.
  7. Experimentar ayahuasca.
  8. Aos 97 anos, me oferecer como voluntário pras pesquisas com o implante cerebral de viagra.
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21

Jul

08

De futebol e modos de falar

Quem não conhece a região Nordeste muitas vezes pensa que o sotaque daqui é uniforme (algumas imitações em novelas são até constrangedoras de tão caricatas). É engano tão grande quanto achar que os catarinenses do litoral falam como os da serra, do oeste ou como os gaúchos de Porto Alegre. Muda a entonação, mudam as palavras e o ritmo. Meu irmão André cita um exemplo de futebol:
Atrito em campo numa pelada no CE: – Fi duma égua, baitola!
Numa pelada no RN: – Vou te rear, seu galado, fi de rapariga!

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21

Jul

08

Crônicas natalenses: Ponta Negra

Em Natal desde domingo à tarde. Emoções contraditórias ao rever, depois de cinco anos de ausência e 23 anos de mudança, a cidade onde passei a adolescência. Estou no apê do meu irmão André, perto da praia de Ponta Negra. Nesse lugar tive alegrias imensas e algumas tristezas gigantes. Minha mãe está enterrada no pequeno cemitério da vila. Lembranças agridoces me acompanham a cada passo.

Ontem dei uma longa caminhada pelo calçadão até quase o morro do Careca. Desapareceram aquelas barracas charmosas e anti-higiênicas da beira-mar. Agora há uma fieira de restaurantes, bares, pousadas, casas noturnas, imobiliárias anunciando terrenos em inglês e espanhol, carros da “tourist police” circulando devagar, gringos caçando putas. A parte baixa de Ponta Negra anda decadente, me conta mais tarde o amigo Marcello, entre um uísque e outro. Os natalenses não vão mais lá, preferem outros points. Há uma rua no conjunto Alagamar que hoje concentra os botecos legais.

A antiga Bodega da Praça, na Vila, onde tomávamos cachaça com laranja ao som de violão, hoje é um mercadinho. A casa do saudoso centro cultural Babilônia, onde viveram meus amigos Ayres e Gigliola – hoje na Itália – está abandonada e depredada (passei momentos muito bons ali, a cena me impactou). A Vila dos pescadores, que já foi bucólico refúgio de bichos-grilos, viveu um período de violência ligada ao tráfico. Hoje, pelo que relata a cunhada Andréia, está mais tranquila – os bandidos foram se matando uns aos outros e os estrangeiros continuam comprando terrenos num dos lugares mais bonitos de Natal. Enfim, tudo mudando o tempo todo, como manda a lei da vida.

Em duas décadas a ingenuidade provinciana deu lugar ao turismo internacional, ultra-profissional (“faça sua reserva e entregamos sua encomenda no hotel”, anuncia cartaz na loja de cachaças finas). Já foi bem maior o movimento. O turismo estrangeiro em Natal caiu 75% por causa do real forte, diz um jornal local. No alto de Ponta Negra, prédios de vinte e tantos andares rasgam a paisagem. Dezenas de pousadas, hotéis, locadoras de carros. Um xopin com sete cinemas. Um xopin só com “artesanato potiguar” – boa parte trazida do Ceará, que eu sei. Pra onde vai toda essa merda de tanta gente? Pelo que me contaram, há uma estação de tratamento de esgoto no bairro, mas em dias de chuva forte, a bostarada toda escoa pro mar.

Ah, o mar de Ponta Negra… Continua lindo, verde claro em dias de sol, cor de esmeralda em dias nublados de “inverno” como ontem. A brisa que sopra do oceano continua presente, deliciosa, perene. Os barquinhos de pesca continuam ali, ancorados perto da enorme duna de areia, cartão postal que resiste ao tempo. Já são mais de 10h30 e o dia está claro desde as cinco da manhã. Vou andar mais por aí.

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21

Jul

08

Drops cearenses 2

Sábado: banho no rio Jaguaribe, perenizado pelo açude Castanhão. Tava rasinho rasinho no lugar onde fomos. Ficamos tomando cerveja no meio do rio enquanto a criançada chapinhava na água. Depois, tilápia frita e cozida, galinha, arroz e feijão. Todo ano, quando chove muito, o rio enche e destrói os restaurantes da margem, que depois são reconstruídos. E o ciclo recomeça.
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Sentar em cadeiras na calçada quando cai a noite é hábito tradicional dos cearenses. Mesmo em Fortaleza, em muitos bairros de periferia as pessoas ainda mantêm o costume. No interior, mais ainda. No balançar das cadeiras feitas com fios de plástico trançado, as conversas fluem sem pressa, arejadas pelo vento Aracati. Esse vento soprado do mar é uma coisa inusitada, ele tem hora pra chegar em Russas: vem a partir das três da tarde pra aliviar o calorão do semi-árido.
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Dezoito de julho, meu pai completando 83 anos. Na cadeira da calçada, ele recorda um episódio de sua juventude, quando não havia a praça de Russas (praça lindinha na frente da igreja, ponto de encontro de famílias com crianças, casais de namorados, paqueras; em torno dela há lanchonetes com mesas ao ar livre, quiosques e duas lan houses).

- No lugar onde hoje é a praça havia um casarão da bailes. Um dia cheguei atrasado, a festa já tinha terminado. Os amigos se reuniram, mandaram chamar o sanfoneiro e a festa recomeçou – lembra o velho Camillo, voltando mais de meio século no tempo.

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Nossa família tem figuras singulares. Meus primos gêmeos Cosme e Damião, por exemplo. Idênticos. Vivem em São Paulo há anos e sempre visitam o Ceará. Na festa de 80 anos do meu pai, há três anos, Damião, ou melhor, Cosme passou a noite inteira dançando de tudo, de forró a rock. Vitalidade enorme pra um sexagenário. Eles têm mania de dar presente. Um dia o Cosme, ou seria o Damião?, recebeu a visita do meu irmão em São Paulo. Olhou em torno pra ver o que daria, aí foi lá dentro e trouxe um facão pra presentear. Outro dia o Damião (ou Cosme?) estava com outro irmão meu e fez questão de lhe dar uma camisa sua. Abriu a mala e o fez provar várias até achar uma que servisse.
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Outro primo nasceu com duas vocações: fazer dinheiro rápido no comércio de carros e motos, perdendo mais rápido ainda; e espalhar sua carga genética pelo mundo. Festeiro, dono de coração generoso, ele tem três dezenas de filhos. Seu charme com as mulheres é um mistério incompreensível. Namorador contumaz, ele tem duas mulheres fixas, que aceitam a situação numa boa. Elas até já moraram e viajaram juntas. O problema é que agora surgiu uma terceira companheira e elas não estão muito dispostas a aceitar a situação. Fico curioso pra saber como essa história vai se encaminhar. Na santa paz, imagino.
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Os primos rendem muitas histórias. Há outro ainda que tem pavor de andar de avião. Como mora no extremo oeste do país, só se locomove pra visitar o Ceará em viagens de ônibus ou caminhão. Mas tem o hábito de telefonar pras pessoas da família inesperadamente: – Primo! Tudo bem? Saudade. Amanhã eu chego aí. – A gente espera, espera e ele não vem. Acho que desiste no portão de embarque.
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Fotografei muitas carnaúbas, essas palmeiras lindas que são a cara do interior do Ceará. A carnaúba é uma árvore fantástica, que na primeira metade do século passado teve grande valor econômico. Dela se aproveita tudo: o tronco pra construção civil (há casas centenárias com o madeiramento feito de canaúba), a cera (que era usada pra fabricar discos, antes que passassem a usar o vinil), as palhas pra artesanato… Na estrada entre Fortaleza e Russas, num trecho da margem esquerda, há um carnaubal que foi plantado pelo meu avô João Camillo, pai do meu pai. Na época ele levava mais de um dia pra ir até a capital, a cavalo. Hoje a viagem é feita em duas horas e meia, boa parte em estrada duplicada.

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19

Jul

08

Drops cearenses

Depois de um pit stop pra rever os amigos em São Paulo, estou no Ceará há dois dias. Em Russas, no Vale do Jaguaribe, onde mora meu pai. Durmo numa rede no alpendre e acordo cedo com o galo cantando. Tempo de rever os irmãos e sobrinhos, conhecer sobrinhos novos, comer tapioca, tomar suco de cajá, passear na pracinha à noite, reencontrar o sotaque e o finíssimo humor cearense.
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Fiquei algumas horas em Fortaleza. A cidade onde passei tantas férias da minha infância na casa dos avós maternos é hoje uma metrópole inchada, com uma pequena parte lindíssima pra receber os turistas e o restante, um amontoado de favelas. Uma das mais visíveis formas de transferência de renda entre as duas partes é prostituição focada no turismo. Me chamou a atenção a quantidade de casas e prédios protegidos por cercas eletrificadas. Mas claro que também tem muita coisa boa.
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Conheci uma creche pública mantida pelo município, onde trabalha minha cunhada Aline. Limpa, organizada, gerida por professoras que sabem o que fazem. As crianças se alimentam bem, fazem atividades lúdicas, dormem depois do almoço ouvindo música instrumental, tomam dois banhos por dia, enfim, são tratadas com amor e respeito. Há dezenas delas na cidade – não recordo o número agora, acho que 70. Segundo meu irmão Camillo, a prefeita Luizianne fez pouco asfalto, mas investiu pesado em obras sociais como as creches e 15 mil moradias populares.
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Falar em Fortaleza, acabo de ver mais uma grande charge do Frank, contando do rapaz cearense que tentou furtar o cordão do ministro do Supremo, Gilmar Mendes, e continua na cadeia apesar de seu réu primário. É de lascar.
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Hoje vamos almoçar peixe num lugar chamado Ilhota, na margem do rio Jaguaribe.

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14

Jul

08

Leitores amados, leitoras queridas,

Pausa de dez dias pra mergulhar nas origens nordestinas. Jornada de reencontrar pai, irmãos, primos de infância, amigos de adolescência. Até mais. Fiquem bem. Paz e amor, alegria e prosperidade, água, vinho, sol e música. Até a volta. Ou em flashes extraordinários do Ceará e Rio Grande do Norte. Fui.

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14

Jul

08

Cinzamarrom

Um blog lindo de uma amiga querida, Clarissa.

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