Posts de 2008

16

Oct

08

Prêmio Herzog pra Hermínio Nunes

O repórter fotográfico Hermínio Nunes, do Diário Catarinense, recebeu menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, pela foto Limpeza da Penitenciária, que mostra através de grades uma “operação pente-fino”. Fiquei muito contente com a notícia. Tive a honra de conviver com o Hermínio profissionalmente e em outras situações que envolviam a categoria – ele já foi diretor do Sindicato – e só tenho elogios a essa figura.

A preLimpeza na Penitenciária. Foto de Hermínio Nunesmiação vai ser às 19h do dia 27 no Tuca -Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. O Herzog, concedido pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo em conjunto com outras entidades, é um dos prêmios mais conceituados do país. Sua trigésima edição ocorre no marco do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para comemorar a data, no dia 10 de dezembro a ONU vai lançar um saite com o acervo de todas as reportagens premiadas nessas três décadas.
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Outros textos que publiquei aqui sobre o Prêmio Herzog.

Quem foi Vladimir Herzog e por que ele faz parte da história do Brasil.

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15

Oct

08

Amazônia, nome aos bois: vídeo

Este vídeo traz a íntegra da apresentação sobre as empresas envolvidas no desmatamento da Amazônia, ocorrida ontem no seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia”. É uma aula de Brasil real, que devia ser vista nas escolas, parlamentos e outros fóruns de debate. Os jornalistas Leonardo Sakamoto e Marques Casara relatam alguns estudos de caso que realizaram na região do Xingu sobre as conexões de cadeias produtivas da ilegalidade com a cidade de São Paulo – e, por extensão, com o restante do Brasil e com outros países. Essa relação é bastante próxima e consistente. No caso da carne, por exemplo, os principais supermercados e restaurantes do país compram de frigoríficos que adquirem gado criado sem licença ambiental.

O caso da madeira é semelhante. Madeireiras sistematicamente multadas por fazer derrubada ilegal de árvores vendem madeira “esquentada” para grandes empresas como a Tramontina e lojas de alto padrão como Louis Vuitton e Empório Armani. O produto chega ao consumidor final, no Brasil e em outros países, como “madeira certificada”. A Sincol, com sede em Caçador, Santa Catarina, é a maior exportadora de portas e janelas da América Latina. Embora afirme em seu site que vende madeira certificada, ela é dona de uma madeireira no MT que está sendo processada por invasão de terra indígena, grilagem de terras, derrubada e armazenamento ilegal de árvores. Procurada pelos repórteres, a empresa preferiu não se manifestar. Uma informação que causou surpresa no público: a Pampa Exportações, uma das grandes compradoras de madeira ilegal no Pará, é presidida por um membro do Conselho de Sustentabilidade do Banco Real.

Chamam a atenção na palestra as desculpas para justificar a participação nessas cadeias predatórias. Algumas empresas alegaram que não tinham conhecimento sobre a conduta de seus fornecedores, embora as informações sobre autuações do Ibama e a “lista suja” do trabalho escravo estejam disponíveis ao acesso público. Houve caso em que os repórteres constataram informação falsa no balanço social. Casara exortou o governo a assumir seu papel fiscalizador e as empresas citadas a romper relações com os fornecedores de produtos ilegais. Sakamoto chamou a atenção para a responsabilidade dos consumidores: “Comprar algo é um ato político”. Depois da palestra deles, o gerente do Ibama em Altamira (PA), Roberto Scarpari, explicou como funcionam os processos de esquentamento de madeira.

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15

Oct

08

Dia do Professor

A Ana Paula fez um bonita homenagem aos seus mestres e me inspirou. Minha lista é quilométrica e sei que vou deixar de fora nomes fundamentais, mas quero lembrar alguns professores que me ajudaram a ser quem eu sou hoje, e outros que indiretamente são parte importante de minha vida. Pra começar, meus pais. Só essa menção já renderia um longo post, que deixo pra outra hora. Inês, a babá protetora inesquecível. Márcia, na pré-escola, linda com seus cabelos castanhos e olhar doce (deixou o magistério pra casar). Coquinho, professor de história no Marista. Engraçadíssimo, motivador. Contava do tempo em que morou em Londres e estimulava a gente a botar mochila nas costas. Irmão Milson, mestre zen-católico com voz e risada de trombone: lições preciosas sobre bem-querer e solidariedade. Airton, o vizinho em Natal, que comentava meus contos e me emprestava Monteiro Lobato. Ayres, o melhor professor de inglês que já tive, e que me deu a honra de sua amizade.

Rogério Cadengue, no jornalismo da UFRN, que me abriu os olhos pro que García Márquez chama de “a melhor profissão do mundo”. Na UFSC, Regininha, Kanitz e Gilka, guias na trilha do encantamento pela palavra. Scotto, com quem aprendi sem nunca ter frequentado suas aulas. Gatti, que me abriu as portas pra magia do cinema e da fotografia. Finco, uma luz num momento difícil. Nara, da Aliança Francesa, por seu entusiasmo contagiante. Ademar, paciente copidesque de meus toscos textos de aprendiz no jornal O Estado. Ademir, revisor-chefe e poeta. Miguel de Urabayén, jornalista espanhol. Núbia, chefe de redação do DC que apostou em minhas pautas. Caco Barcellos, por suas palestras e livros inspiradores. Augusto, o sábio mestre sorridente que nos deixou este ano, mas está sempre comigo. Renata e Vanessa, professoras queridas do Miguel; Katiúscia, ex-prof dele que se mudou e deixou saudade. Lu, a babá carinhosa e paciente dos nossos “rapazes pequenos”. E tantos outros a quem sou grato, alguns nas salas de aula da vida e de quem nunca soube o nome. Feliz Dia do Professor!

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15

Oct

08

Pacto pela Amazônia

Várias empresas e ongs vão assinar hoje pactos setoriais para estancar a devastação da Amazônia. Esses pactos envolvem os setores de pecuária bovina, soja e artigos florestais. A negociação vem sendo articulada há três meses pelo Movimento Nossa São Paulo e pelo Fórum Amazônia Sustentável.

Entre os signatários, informa o Valor Econômico, estão o Pão de Açúcar e o Wal-Mart, a Léo Madeiras, os frigoríficos Friboi e Marfrig, a Associação Brasileira das Indústrias de óleos Vegetais (Abiove), o Instituto Socioambiental, a Amigos da Terra-amazônia Brasileira, o Greenpeace e o Instituto Ethos. A Febraban foi procurada, mas não respondeu ao convite para aderir.

Ao contrário do que eu imaginava e escrevi ontem, houve boa cobertura da mídia para o estudo sobre empresas que se beneficiam com a destruição da Amazônia. Meu comentário sobre o incômodo que o assunto representa para os grupos de comunicação continua válido. Só que, nas circunstâncias em que foi articulado e divulgado, seria impossível ignorá-lo.

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14

Oct

08

A destruição da Amazônia: nome aos bois

Vou lhe passar o link pra um estudo que dificilmente terá o espaço que merece na grande mídia, por um motivo simples: suas conclusões são incômodas, contrariam interesses comerciais milionários. As 43 páginas de Quem se beneficia com a destruição da Amazônia (pdf, 9,35 MB), divulgadas hoje à tarde em São Paulo no seminário Conexões Sustentáveis, trazem informações estarrecedoras sobre a voracidade predatória das corporações. Também nos fazem refletir sobre nossa responsabilidade como consumidores. Várias dessas empresas que lucram fortunas às custas do desmatamento ilegal fabricam produtos que provavelmente usamos no cotidiano.

O estudo é iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo. Foi realizado pela ong Repórter Brasil, coordenada pelo jornalista e cientista social Leonardo Sakamoto, e pela Papel Social Comunicação, do amigo jornalista Marques Casara. Eles e uma equipe de colaboradores fizeram uma minuciosa investigação de meses para desvendar alguns elos de diversas cadeias produtivas, que na ponta amazônica têm atividades ilegais em Mato Grosso e no Pará. Esse processo de ocupação predatória, que desrespeita a legislação trabalhista e ambiental e em muitos casos viola direitos humanos, também tem sido financiado pelo Estado brasileiro – por exemplo, através de empréstimos do BNDES.

Segue um brevíssimo resumo com alguns nomes que pincei do texto (a íntegra dos estudos de caso traz preciosas informações de contexto e também as versões das empresas que quiseram se manifestar):

Quatro Marcos. Com sede em MT, é um dos maiores frigoríficos do Brasil. Um terço de sua receita vem das exportações.
O problema: Unidades de abate apresentaram graves problemas ambientais e trabalhistas. A empresa comprou gado de empregador que figura na “lista suja” do trabalho escravo. Por fim, o nono maior desmatador da Amazônia, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, pertence à família que controla o frigorífico.

Friboi. Com sede em São Paulo, é o maior frigorífico do mundo. Tem cerca de 40 mil empregados e faturou R$ 4,7 bilhões no ano passado.
O problema: A unidade do Friboi de Barra do Garças (MT) adquiriu gado de um pecuarista que teve área de sua fazenda embargada pelo Ibama por desmatamento ilegal.

Tramontina. Nascida no RS, fabrica utilidades domésticas. Tem dez fábricas no Brasil e centros de distribuição em cinco países.
O problema: A Tramontina manteve relações comerciais com empresas multadas diversas vezes por beneficiamento e transporte de madeira ilegal.

Sincol. Com matriz em Santa Catarina e filiais em São Paulo, Paraná, Miami (EUA) e Porto Rico, está entre as maiores empresas do setor madeireiro no país.
O problema: A empresa controla a madeireira Sulmap Sul Amazônia Madeiras e Agropecuária, com sede em Várzea Grande (MT), autuada por crimes ambientais e acusada de envolvimento em “grilagem” de terras.

Mahle. Multinacional de origem alemã com sede em Mogi-Guaçu (SP), desenvolve e fabrica peças para a indústria automotiva.
O problema: Um de seus fornecedores utiliza matéria-prima oriunda de garimpos localizados em Altamira (PA) que funcionam sem licença ambiental e não respeitam a legislação trabalhista.

Bunge. Multinacional holandesa, atua no Brasil na produção de insumos e na fabricação de produtos para consumo final na indústria alimentícia. Também fabrica fertilizantes.
O problema: A Bunge adquiriu soja de fazenda com área embargada pelo Ibama.

ADM do Brasil. Terceira maior trading de soja em atuação no Brasil, a Archer Daniels Midland Company exporta grãos e farelo de soja, fabrica biodiesel e produtos alimentícios.
O problema: A empresa manteve relações comerciais com produtor autuado por crimes ambientais na Floresta Amazônica.

Caramuru. Maior empresa no setor graneleiro no país com capital 100% brasileiro.
O problema: Foi identificada adquirindo girassol de produtor autuado por desmatamento em diferentes propriedades.

Esse estudo terá continuidade e trará surpresas nos próximos meses.

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14

Oct

08

Quem conta um ponto aumenta um conto

Tá chovendo granito em Floripa!
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13

Oct

08

Papo fralda

Extra! Extra! Frank e Anninha encomendaram uma menina! Viva a vida.

http://xinelao.blogspot.com/

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13

Oct

08

Quem se beneficia com a destruição da Amazônia

Um estudo inédito que será divulgado amanhã mostra como a cidade de
São Paulo, principal mercado consumidor brasileiro, também é
responsável pela destruição da Amazônia. A iniciativa é do Fórum
Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo, realizadores do
seminário “Conexões Sustentáveis: São Paulo – Amazônia”, que ocorre
nesta terça (14) e quarta-feira (15).

Realizada pela ONG Repórter Brasil e pela Papel Social Comunicação, a
pesquisa constatou a existência de uma grande rede de “lavagem de
produtos” da Amazônia, que transforma produtos ilegais em legais para
serem comprados por grandes empresas, pelo poder público e financiados
pelo sistema financeiro. Os setores produtivos analisados são pecuária
bovina, plantio de soja e outros grãos, extrativismo vegetal e
políticas de financiamento para atividades produtivas.

Essas matérias-primas chegam a grandes redes varejistas, indústrias
automobilísticas e à construção civil. “O objetivo não é apontar
culpados, pois estes são muitos e incluem todos nós, consumidores”,
ressalta Marques Casara, da Papel Social Comunicação. “O objetivo é
relacionar exemplos que sirvam de referência para aprofundar o
conhecimento sobre o tema e a busca de soluções”.

A íntegra da pesquisa e os nomes das empresas serão divulgados amanhã
às 14h. Mais informações:
http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/1487

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13

Oct

08

Menino e barco


Menino e barco. Copyright dveras.

Miguel a caminho da Costa da Lagoa num domingo de vento sul.

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12

Oct

08

Uma tarde com Myltainho

Myltainho

Meu agradecimento público ao amigo Fernando Evangelista, professor do curso de jornalismo da Faculdade Estácio de Sá, por ter me convidado a participar de um atividade extra-classe especial na tarde de ontem. Fomos numa turma de vinte e tantas pessoas, a maioria estudantes da sexta fase, visitar o jornalista Mylton Severiano. Myltainho, como é mais conhecido, tem mais de quarenta anos de atividade profissional nos mais diversos meios, entre eles a revista Realidade, um marco na história da reportagem no Brasil (semana passada publiquei aqui uma historinha deliciosa que ele contou ao Luiz Maklouf Carvalho sobre os bastidores da revista).

Tarde chuvosa, tocamos em carreata pro Ribeirão da Ilha. Myltainho, 68 anos, mora em Floripa há cinco, numa simpática casinha verde e amarela no alto do morro, rodeada de mata e com uma vista espetacular pra Baía Sul. De segunda a sexta ele trabalha em São Paulo como editor-chefe da revista Caros Amigos – função em que substituiu o recém-falecido Sérgio de Souza. Nos fins de semana se refugia em seu cantinho com a mulher e três cachorros, um deles com três pernas. Num varandão em L nos aboletamos em cadeiras, sofás e no chão de madeira pra ouvir o mestre – e sabatiná-lo com perguntas, algumas incômodas. Afinal, como ele próprio enfatiza, a boa reportagem incomoda, é subversiva. Por isso há tão poucas hoje na grande mídia.

Por quatro horas ouvimos histórias saborosas sobre sua passagem pela Quatro Rodas, Realidade, Bondinho, Rede Globo, Folha, Estadão e vários outros. Os dribles que ele e seu grupo davam na censura da ditadura; as concessões que às vezes foi preciso fazer para conseguir publicar matérias; a aventura dos repórteres de Realide pelos rincões do país, fazendo história no jornalismo brasileiro sem se darem conta disso. Com voz baixa e pausada, sem qualquer sombra de empáfia “sabe-tudo”, Myltainho nos capturou com relatos envolventes. De vez em quando despertava gargalhadas ao contar alguma anedota pincelada por palavrões. Os temas saltavam de um pra outro sem lógica rígida, com as digressões próprias de uma conversa entre amigos.

Quando vimos já era noite. O papo estava tão bom que, entre despedidas e fotos, levamos uma meia hora pra ir embora. E mais não preciso contar porque a entrevista completa vai ser publicada pelos estudantes da Estácio, aguardem.

p.s.: Conheci duas blogueiras com quem eu já tinha esbarrado na web: a Bel (Quiet Things That No One Ever Knows), moça irônica de texto afiado de quem eu tinha comentado há poucos dias, e a Flora (EcoFlora), que tem o nome adequadíssimo ao que gosta de fazer, fotografar a natureza.

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