19
Jan07
Brunitezas: novas experiências sensoriais
Bruno já engatinha com desenvoltura e ensaia ficar de pé apoiado no sofá. Esses dias foi até a porta dos fundos e chupou um osso da cachorra.
18
Jan07
Ventania
Tem dias em que falta assunto. Hoje não. Um golpe de vento acaba de entrar pela janela do Sindicato dos Jornalistas, no mesmo andar em que eu trabalho, e tirou a parede divisória do lugar. Os vidros quase desabaram, estão inclinados. Foi um barulho assustador. Coisas da Ilha.
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UPDATE 19.01: A ventania de ontem provocou um pequeno acidente no centro – uma plataforma da PM caiu sobre uma mulher. E na Baía Sul, uma draga encalhou na praia em São José.
18
Jan07
O conto do seqüestro
Acabam de ligar pra minha casa. Era uma voz de mulher em tom choroso, dizendo coisas sem nexo. A pessoa que atendeu mencionou meu nome. Em seguida uma voz de homem disse que eu tinha sido seqüestrado e que não avisassem a polícia. Golpe velho. Comigo não colou.
18
Jan07
Crônicas da violência cotidiana (2)
Em janeiro de 2000, fazia duas semanas que eu me mudara pro Rio. Tinha terminado de jantar no restaurante Bella Blue, em Botafogo, e estava saindo quando me empurraram porta adentro. Três rapazes de uns 18 anos – um branco e dois negros, todos de calção, camiseta e tênis -, armados de revólveres, invadiram o restaurante:
- Perdeu, perdeu!
Foi tudo muito rápido, três ou quatro minutos. Que ninguém reagisse, senão ia ter morte. Fui confundido com o gerente porque estava na entrada. Um ficou na porta, o segundo saiu recolhendo os celulares nas mesas. O terceiro me apontou a arma e mandou abrir o cofre.
Expliquei que eu era só um cliente. Devagar, tirei vinte reais do bolso e botei na mesa. Imitando o garçom, levantei as mãos. Irritado, ele nos disse pra baixar os braços, chutou minhas costelas e mandou deitar no chão. Vi de perto seu Nike novinho e esperei o tiro.
Fugiram rápido, levando 4 mil reais e os celulares – eu tinha esquecido o meu no hotel. Desprezaram meus vinte paus. Um garçom me ofereceu gelo (depois tirei radiografia, tudo inteiro). Ainda tremendo, peguei um táxi e fui pro hotel no Catete. Lá vi que tinha esquecido a agenda. Peguei outro táxi e voltei. No caminho contei a história e o taxista comentou:
- Isso é comum aqui. Eu mesmo tenho uma bala alojada no pescoço faz cinco anos.
No restaurante o movimento tinha voltado ao normal, com novos clientes e comida quentinha. Meia hora depois do assalto, era como se nada grave tivesse acontecido. Peguei minha agenda e fui embora, pensando na banalização da violência e em como as pessoas se adaptam a tudo pra continuar vivendo.
Pensei, tenho duas opções: voltar ou insistir. Teimoso, fiquei. E vivi quase dois anos na cidade maravilhosa, sem presenciar nenhum outro incidente como esse – uma vez, na noite da Lapa, acompanhava um casal de amigos franceses e fomos seguidos, mas percebi a tempo e entramos num bar. Foram tempos divertidos, com muito cinema, samba de raiz e novos amigos. Aí voltei pra cidade-ilha em busca de sossego pra criar filho.
Nunca vou esquecer os olhos daquele rapaz que não tinha nada a perder, me apontando com raiva um 38 que podia ter interrompido toda minha história num segundo. Mas o que mais me chocou mesmo foi a atitude conformada com que as pessoas se submetem a viver um cotidiano desses. Ainda hoje penso nisso e não encontro respostas satisfatórias.
18
Jan07
Crônicas da violência cotidiana (1)
Essa é do Fernando Evangelista, nosso correspondente para assuntos aleatórios em Malta.
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Conto um fato que testemunhei recentemen
te. É uma história real: Cheguei na escola e vi os professores e funcionários reunidos. Falavam baixo, estavam muito sérios. Clima pesado. Manhã de chuva.
Pensei no pior: Alguém morreu. Quem será que morreu? Como tem morrido gente ultimamente. Fiz uma listinha de cabeça. Tudo gente boa. Os cacos, aqueles que devem morrer, não morrem nunca. Será que foi o diretor?
Perguntei a minha professora, no meio do corredor, quase pedindo desculpas, quase sussurrando:
-O que houve?
E ela, voz de choro:
-Hoje faz três anos do assalto ao banco HSBC.
-Hummm. Quantos mortos?
- Uma pessoa baleada.
- Era alguém da sua família?
- Não, era o John, o guarda. Todo mundo conhece o guarda.
- Ah, sim, o guarda…. mas quantos mortos?
- Nenhum. O John foi baleado, ela repetiu e eu senti – porque é fácil perceber essas coisas – que o tom de voz estava mudando de choroso para impaciente.
- Ele ficou muito ferido?
- Foi uma bala de raspão.
- Que bom! Que sorte!
E ela, estarrecida:
- Que bom?! Nunca tínhamos tido nenhum assalto aqui, uma pessoa foi baleada e você diz que bom!?! Aqui sempre foi tudo muito calmo, nunca teve dessas coisas. Assalto, com revólver, Meus Deus, só em filme.
- A senhora estava no banco?
-Não, mas o país todo ficou muito traumatizado. Será muito difícil esquecer. Parece que foi ontem.
Falou muito séria e saiu. Eu fiquei o dia inteiro pensando nessa história, pensando no guarda e pensando no Brasil.
18
Jan07
Anotação de leitura: o império do consumo
Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. (…)
“Gente infeliz, essa que vive se comparando”, lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango, deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires.
De O império do consumo, artigo de Eduardo Galeano.
18
Jan07
Você já usa RSS?
Seção Dicas de Bem Viver.
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18
Jan07
Chegadas: Nina
Chegou no dia 12 de dezembro às 2h08 da madrugada, no Rio de Janeiro, a menina Nina, filha dos meus amigos Marco Silva e Méa. Mais uma luz pra alumiar o mundão.
17
Jan07
Fragmento da metamorfose florianopolitana
Em poucos dias a escavadeira e os caminhões reduziram a reluzente clínica médica a um terreno de barro compacto e plano, cercado de tapumes. A demolição da casa na esquina abriu visão para a lateral da boate vizinha, prédio cinza escuro de dois pavimentos com seis exaustores e quase sempre de janelas fechadas. Uma moça sobe a escadaria do quintal e entra pelos fundos, sem pressa. Chinelos, blusa, cabelos pretos presos, zero glamour. Ali perto, o vendedor de flores aproveita o sinal fechado para oferecer seu produto aos casais com jeito de apaixonados – vende pouco. Na terra arrasada, estruturas de metal com roldanas dão a entender que em breve teremos um bate-estacas martelando nossa paciência e preparando a chegada de mais um edifício. A cidade não pára.
Ouvindo Chico Science na radiola-cachola.
17
Jan07








