Posts de 2007

07

Mar

07

Túnel do tempo

Um prato cheio pros historiadores e pra quem gosta de reler as palavras que soltou ao vento: a Wayback Machine já arquivou 85 bilhões de páginas web publicadas desde 1996 até há alguns meses. Fiz um teste com versões antigas deste blog. O resultado veio com muitas lacunas, mas consegui rever textos que achava perdidos pra sempre. Aproveitei pra recuperar algumas resenhas que escrevi em 2001 pra Editora Rocco quando morava no Rio – livros de Tom Wolfe, Gore Vidal, Julian Barnes e outros. Os links estão aí na coluna do lado, em Letras.

Bookmark and Share


06

Mar

07

Os postais de Cingapura

Antonio Rocha, mímico e atorA Nessa comenta que isso de fazer conexões mentais com outras pessoas acontece seguidamente com ela. Vou contar outra: em 1993 eu estava em Cingapura a trabalho. Pensei num grande amigo carioca que vive nos Estados Unidos, o mímico Antonio Rocha, e em como ele gostaria de conhecer aquele lugar. Eu passava perto de uma agência de correios, aí aproveitei e mandei um postal pra ele. Quando a viagem terminou e cheguei em casa, em Floripa, encontrei um postal dele pra mim. Escrito em Cingapura! Exatamente no dia em que eu enviei o meu postal! Imagino a cara dele quando chegou em casa no Maine e abriu a caixa do correio. Dá pra acreditar? Fomos pra um lugar improvável no outro lado do mundo, sem avisar um ao outro – eu trabalhando, ele de lua-de-mel -, estivemos na mesma cidade-país e não nos encontramos fisicamente, mas a sincronicidade aconteceu! Você acha que dá pra chamar isso de telepatia ou foi só coincidência?

Bookmark and Share


06

Mar

07

O dissidente da verdade

Morreu hoje aos 77 anos Jean Baudrillard, sociólogo e fotógrafo francês, polêmico crítico da mídia e do consumismo. Suas obras inspiraram a trilogia de filmes Matrix, que ele achou divertida, mas uma leitura ingênua da relação entre ilusão e realidade:

“Prefiro filmes como Truman Show e Cidade dos Sonhos, cujos realizadores perceberam que a diferença entre uma coisa e outra é menos evidente.”

Em 2003 ele concedeu esta entrevista a Luís Antônio Giron, da Época, com um bom resumo de suas idéias. Trecho:

“Sou um dissidente da verdade. Não creio na idéia de discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Aliás, sou um fotógrafo.”

Bookmark and Share


06

Mar

07

O jogo da amarelinha, últimos capítulos

105
(…)
Penso nesses objetos, nessas caixas, nesses utensílios que aparecem às vezes em galpões, em cozinhas ou esconderijos, e cujo uso já ninguém é capaz de explicar. Vaidade de crer que compreendemos as obras do tempo: o tempo enterra seus mortos e guarda as chaves. Somente nos sonhos, na poesia, no jogo – acender uma vela, andar com ela pelo corredor -, aproximamo-nos às vezes do que fomos antes de ser isto que ninguém sabe se somos.

Julio Cortázar

Bookmark and Share


05

Mar

07

Library Thing no NY Times

O New York Times deste domingo traz uma reportagem sobre LibraryThing, uma rede social na web em que seus 150 mil membros (entre eles, eu) já catalogaram mais de dez milhões de livros: A Cozy Book Club, in a Virtual Reading Room.

Bookmark and Share


05

Mar

07

Mapas de Floripa

Dica da Anacris: O hagah agora tem mapas de Florianópolis. O diferencial em relação ao GoogleEarth é que também é possível fazer rotas – com quilometragem e tempo estimado do percurso – e ver onde tem estabelecimentos por perto, com link pra cada um. Achei bacana, especialmente o serviço de rotas. Quanto aos estabelecimentos, pelo que pude ver, ainda falta incluir muita coisa.
Bookmark and Share


04

Mar

07

Mais obras

Fui testar um widget e inadvertidamente fiz umas lambanças de código aqui. Resultado: por um ou dois dias os comentários no Haloscan, que também aparecem na coluna aí do lado, foram substituídos pelo sistema original do Blogger. Pra consertar a repimboca tive que reinstalar o código do Haloscan. Assim desapareceram as participações de Donizetti, Biajoni, ph, Raulzito, Elton e Sônia. Moçada, li todos. Grande abraço procês. Voltem sempre e comentem mais vezes.

Bookmark and Share


04

Mar

07

Eclipse lunar

Bruno engatinhou na praia pela primeira vez ontem à noite. Enquanto víamos o eclipse da lua junto com Miguel, Tomate, Nega e Bebela, ele se divertia comendo areia e explorando o surrealismo da praia do Campeche no escuro.

Bookmark and Share


04

Mar

07

Um dos dias mais quentes do ano

Sexta-feira, nove e vinte e cinco da manhã, passando de carro pelo aterro da Baía Sul. Termômetro: 37 graus. Paguei meus pecados, pois deixei o carro na oficina pra ajeitar a trava elétrica, peguei vários ônibus e andei um monte a pé pelo centro.

Bookmark and Share


02

Mar

07

O Rei Roberto e a censura

Leio agora no blog Hedonismos, que acabo de conhecer no portal Interney Blogs, um texto muito bom sobre Roberto Carlos. Em Estupidez em Detalhes, Donizetti diz de sua admiração por um dos maiores nomes da nossa música popular, admite que o Rei não é mais aquele e lastima a censura, a pedido do cantor, da biografia escrita pelo historiador Paulo César de Araújo, Roberto Carlos em Detalhes (Editora Planeta, novembro de 2006).

Aprendi a apreciar o trabalho dele antes mesmo de saber direito o que era música. O primeiro disco compacto que ganhei na vida (Manaus, 1970) foi a história dos três porquinhos. O segundo era um com a canção Estupidez. Um tempo depois, em Natal, lembro de um programa de rádio chamado “A hora do rei”, que o pessoal lá em casa ouvia. Tínhamos uma empregada que era fanática e não perdia um programa, colecionava fotos do cantor e tudo mais.

Roberto Carlos foi responsável por alguns dos mais belos clássicos da música romântica – coisa que o pessoal na casa dos vinte anos hoje desconhece. Até que a fonte criativa dele foi secando. E o público, ou parte dele, é implacável com os gênios: ou produzem genialidades a vida inteira ou em algum momento caem no ostracismo – o que não é exatamente o caso do Rei, que embora seja hoje rotulado de brega, ainda idolatrado por muita gente nesse Brasilzão afora.

Se ele tivesse morrido em 1985, como diz Donizetti citando Biajoni, ninguém teria sentido falta da obra posterior a essa data. Concordo. Mas o que ele fez antes disso dá a ele o direito de ser chamado de Rei pelos fãs, com toda justiça. Não conheço os detalhes da disputa jurídica, mas acho uma pena que os leitores sejam privados do acesso a um livro que poderia resgatar essa história toda. Quem leu diz que é um trabalho sério que honra a biografia do cantor.

Bookmark and Share