09
Dec07
Os autonautas da cosmopista
Li faz tempo e gostei muito de Os autonautas da cosmopista. Julio Cortázar e Carol Dunlop passaram um mês viajando em um carro-casa pela rodovia Paris-Marselha, que pode ser percorrida em cinco horas. “A estrada deixa de ser um percurso para tornar-se o destino da viagem”, diz a sinopse da Editora Brasiliense. Esse é o meu tipo de viagem – guardadas as proporções pras distâncias enormes do Brasil. E a contagem regressiva já começou.
08
Dec07
A vida por um triz

Está aberta a temporada de caça aos passarinhos na primavera-quase-verão 2007. Agora há pouco o Branquito abocanhou um pardalzinho. Conseguimos salvá-lo jogando água na cabeça do gato, mas o bichim voador perdeu sangue e algumas penas do rabo. Agora não consegue mais decolar e tá encolhido dentro de uma caixa de sapatos. O gato p&b, alheio ao drama humano para salvar um bichinho fofo (não faríamos isso por um ratinho, pode apostar), está deitado em nossa cama se lambendo tranquilamente, à espera de melhores oportunidades.
p.s. 22h50: E não é que a chance surgiu? Num vacilo nosso, o gato subiu na mesa, pegou o passarinho dentro da caixa e… dessa vez cheguei tarde.
08
Dec07
Cordão verde e amarelo
A vida segue e os meninos não param de crescer. Ontem Miguel foi à sua primeira “festa do pijama”, na casa de um colega de escola. Nós pegamos à meia-noite. Hoje participou do segundo Gingado do ABC e recebeu seu novo cordão da capoeira, agora verde e amarelo.
08
Dec07
Partidas: Alcides Faganello
Morreu hoje às 14 horas, no hospital de Concórdia, Alcides Faganello, pai do amigo cineasta Chico Faganello. Tive a honra de jantar várias vezes em Seara na casa dele e de dona Teresinha, durante as gravações de um documentário que estamos fazendo. Vou sentir falta da suas conversas bem-humoradas e inteligentes, regadas a vinho branco e massa caseira em torno do fogão a lenha da cozinha. Seu Alcides era um homem generoso e querido por todos. Vai deixar muita saudade.
08
Dec07
Nelson Motta na Folha de sexta
Metamorfose ou ouro de tolo?
SALVADOR – Quem diria, o anárquico fanfarrão Raulzito virou lição de filosofia política na boca do presidente da República, que sempre tem opinião formada e categórica sobre tudo. Seria um grande desgosto para ele ouvir a sua libertária “Metamorfose ambulante” a serviço da CPMF e das mudanças de opinião de quem, na luta pelo poder, fez de tudo para passar de pedra a vidraça.
Raul cantava a liberdade da dúvida e da contradição, da inteligência em movimento, em plena ditadura militar, quando a opinião só podia ser radical e estática: contra ou a favor. A ditadura proibia as opiniões contrárias; a oposição proibia mudar de opinião, sob a suspeita de estar servindo à direita ou para levar vantagem pessoal, como sempre.
A esquerda nacionalista sempre desprezou o “americanizado” Raul Seixas: ele era incontrolável, individualista e anárquico, detestava partidos, igrejas, instituições, torcidas, escolas e blocos. E certezas. Mas driblava a censura e ridicularizava os sonhos de felicidade da classe média governista, no “milagre brasileiro” dos anos de chumbo, com “Ouro de tolo”, aquela que diz: “eu devia estar contente /porque tenho um emprego, /sou um dito cidadão respeitável/…
O baiano Raul, auto-intitulado “um magro abusado”, desempenhou com grande coragem, independência e custo pessoal o papel de mosca na sopa dos que têm opinião formada sobre tudo, de esquerda, de direita e de centro, e debochava dos que pensam por slogans e palavras de ordem e mudam de opinião de acordo com os interesses de suas causas, chefes e bolsos.
Quem diria que as palavras de Raul serviriam para legitimar algumas das coisas que ele mais abominava. Coitado, virou camiseta de Che Guevara. O magro abusado não merecia esse abuso.
06
Dec07
06
Dec07
Brunitezas: isso aí não é de comer
O Bruno (1 ano, 8 meses e 3 dias), me olhando enquanto eu passava o fio dental:
- Papai tá comendo caca!
06
Dec07
Uma proposta de parceria
O blog todoscomsaude.blogspot.com propôs parceria com DVeras em Rede e com vários outros blogs catarinenses. Até já me linkou. Agradeço a gentileza, mas li sua política de parcerias e, apesar de não ter nenhum reparo ético a ela, vejo que não me encaixo. O motivo é simples: DVeras em Rede não tem finalidade comercial nem cria conteúdo pra vender produtos. Aliás, como regra geral desta casa, não me imponho qualquer obrigação de trocar links ou banners com quem quer que seja. A popularidade e os rankings de acesso têm pouca relevância no que faço aqui. Boa sorte em seu projeto, siga em paz e com saúde. Se as pessoas gostarem de seu conteúdo, os links virão naturalmente, sem que seja preciso qualquer política formal de reciprocidade.
p.s.: Alexandre Gonçalves, Rodrigo Lóssio e Dora Garrido, comparsas no +D1, escreveram sobre a mesma coisa, e bem melhor do que eu.
06
Dec07
Retoques
Pequenas mudanças no template. Uma linha horizontal curta no fim da página, antes da licença Creative Commons; aumento na entrelinha – afinal, as entrelinhas são o que há de melhor neste blog; aumento no maior corpo e redução no menor corpo da nuvem de tags. A linha minimalista permanece sem grandes alterações, conforme a lei do menor esforço.
06
Dec07
Bela música, linda letra
Força Estranha
Composição: Caetano Veloso
Eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
E acho que nunca os tirei.
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.
Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta,
é a coisa mais certa de todas as coisas.
Não vale um caminho sob o sol.
É o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.







