Posts de 2007

20

Aug

07

O mapa do paraíso das águas

Passamos o fim de semana no Sítio Pasárgada, do paulista Fernando e da ilhoa Regina. É uma pousada de turismo rural no Rio da Prata, em Anitápolis, a uns 100 km de Floripa. Se eu tivesse que incluir o paraíso numa cena de filme, seria uma locação perfeita. Mata nativa, nascentes – muuitas nascentes! -, trilhas, bromélias. Casa centenária de colonos alemães, dois chalés, sauna artesanal. Comida ótima e farta, gente simples, hospitaleira e boa de papo, crianças lindas. E mais: não pega tevê nem internet nem celular. A gente tem vontade de ir ficando, ficando…

O mapa da mina: subir a serra pela BR-282, sentido Floripa-Lages. Pegar à esquerda no trevo de Rancho Queimado e seguir pela estrada de chão. A partir do trevo são uns 44 km até a cidade, os 13 últimos de asfalto. Depois dobrar na ponte e percorrer mais 6 km de estrada de chão, beirando o rio. Reservas: (48) 3256-0034 / 3256-0316. Aqui tem mais opções de hospedagem na região. É um projeto muito legal que envolve agricultores orgânicos, chamado Acolhida na Colônia.

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17

Aug

07

Miguelices: idéias para aproveitar a sesta do pai

Eu, depois do almoço: – Me deu um sono agora…
Miguel: – Vai dormir então. Aí eu vou poder fazer o que eu quiser, hehehe…
Eu: – O que você vai fazer?
Ele: – Destruir o sofá, subir no telhado…

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17

Aug

07

‘On the road’: banal e mal escrita?

Ana Paula fez um comentário interessante e respondo aqui. On the road é uma história banal? Talvez possa ser vista assim. Acho que nisso está boa parte da força do romance – os acontecimentos narrados são banais e o núcleo ocorre sob a superfície. Os protagonistas fogem da vida previsível e enfadonha da classe média conformista dos anos quarenta e se aventuram pelas estradas em busca do momento presente, em vez de sonhar com a ilusória estabilidade. Aos vinte anos eu faria isso (aliás, fiz); hoje a viagem é outra. Mas a magia simbólica da estrada está lá. Eu a reconheci inteira, porque já a tinha vivido sem palavras em minhas andanças, antes de ler o livro.

Texto pobre? Aqui há um detalhe importante: muito se perde na tradução. Rimas, aliterações, coisas assim. Nada entendo de teoria literária, mas minha impressão é que, mesmo tendo sido escrito em poucas semanas e sob inspiração do instinto (baixou o santo no homem), houve trabalho cerebral deliberado pra aproximar a prosa da poesia. O “fluxo da consciência” tenta reproduzir o fio dos pensamentos à medida que surgem, mas antes de ser colocado no papel, passou por um filtro de talento. Ele fez várias leituras públicas de trechos do livro ao som de jazz. Talvez esse ritmo seja a chave pra pegar carona no ritmo da narrativa, nas suas frases longas, elipses, digressões.

Trama fraca? Disconcordo. A história tem estrutura simples, mas focada na construção de um personagem com vida psicológica e afetiva riquíssima. Dean Moriarty é o miolo do romance, sua razão de ser. Um cara rebelde, irresponsável, hedonista, incoerente, amoroso, maluco, impulsivo, com pitadas de agressividade e sentimento autodestrutivo. Essa grande salada o torna uma espécie de mito aos olhos do narrador – e dos leitores que assim o enxergaram. O mito é construído e parcialmente demolido no desenrolar da narrativa. Mas é isso… Livros, pessoas, cervejas, impossível obter unanimidade, né?

Eu já tinha comentado sobre Vagabundos Iluminados (Dharma Bums), talvez seu melhor romance – On the road ofuscou todos os outros, para desencanto do autor. Lembrei de outro interessante que li há anos: Big Sur. É uma viagem de delirium tremens durante um isolamento voluntário do protagonista como guarda de um parque florestal na Califórnia. Nada muito brilhante, mas tem trechos bons. Vale conferir.

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17

Aug

07

Viajar a pé é uma virtude

A piauí deste mês traz um perfil muito bem escrito de FHC, por João Moreira Salles, que o acompanhou por dez dias e 19 compromissos nos States (“O andarilho”). Tem uma matéria interessante sobre o último preso político no Brasil, um italiano que militou nos “anos de chumbo” de lá. Um conto engraçado de André Sant’anna (“Meio ambiente é o caralho”). E uma entrevista curta com o louco do Werner Herzog (“O que aprendi”), em que somente as respostas são publicadas. Trechos desta:

Fatos não me interessam muito. Fatos são para os contadores. A verdade gera iluminação.

Eu estava fazendo um filme com um elenco só de anões e um deles pegou fogo e foi atropelado por um carro. Ele saiu completamente ileso e eu fiquei tão espantado que disse ao elenco que, se todos saíssem intactos da filmagem, eu pularia num cacto, para diverti-los. E eles saíram intactos, então eu pulei no cacto.

Por que os Estados Unidos? Porque me casei.

Los Angeles é a cidade americana que tem mais substância – substância cultural.

Não me tornarei cidadão de um país que tem pena capital. É uma questão de princípios.

Fiz um filme em que hipnotizei todo o elenco. Pessoas psicóticas não devem ser hipnotizadas.

É bobagem achar que a vida humana pode se sustentar neste planeta.

Respeite os indígenas.

Mais que em qualquer outro período histórico, nosso senso de realidade está gravemente ameaçado. É a Internet, o Photoshop, são os efeitos digitais do cinema, os videogames – ferramentas que surgiram com impacto imediato.

O turismo é um pecado. Viajar a pé é uma virtude. (…) Você ouve histórias que não foram contadas a mais ninguém.

Se eu abrisse uma escola de cinema, obrigaria todos a pagarem pelo ensino trabalhando. Não num escritório – lá fora, na vida real.

Levei um tiro no ano passado. Não me afetou porque eu já tinha sido baleado antes.

Não vou responder a isto. Uma revista não é o lugar para o significado da vida. Uma revista deve conhecer suas limitações.

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16

Aug

07

Agora com Twitter

Resisti um tempo, parte por birra, parte por preguiça. Mas finalmente hoje recebi um convite do Nando e resolvi testar o tal do Twitter, espécie de mini-blog e comunidade em que você conta aos amigos (ou ao mundo) em poucas palavras o que está fazendo ou pensando ou deixando de fazer. É a febre do momento entre os conectados. Dá pra atualizar de três maneiras – pelo saite do Twitter na web, por mensagem de texto no celular ou mensagem instantânea no Jabber ou GTalk. Também dá pra inserir um código pra mostrar as atualizações no blog, como fiz aí na coluna ao lado (Curtas). Minha primeira impressão é que o grande barato do Twitter é a mobilidade associada à facilidade de comunicação em comunidades. Me atrái isso do minimalismo das mensagens. Mas como eu uso pouco o celular e gosto de escrever posts telegráficos no blog, talvez seja pouco aproveitado e mesmo redundante. A ver.

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16

Aug

07

Um cinqüentão em boa forma

On the road, livro de Jack Kerouac que virou símbolo da geração beat, comemora 50 anos. O romance autobiográfico conta das andanças de Sal Paradise – personagem baseado no autor – e Dean Moriarty – inspirado em Neal Cassady, amigo de Kerouac – de carona pelos Estados Unidos e México, no ritmo de jazz. Foi escrito com a técnica do “fluxo de consciência” numa folha de papel com 36 metros e meio. Muitos especialistas o consideram mais uma curiosidade histórica e minimizam seu valor literário. Mas o livro ainda é bastante estudado nas escolas americanas e faz parte da bagagem de muitos mochileiros. Li pela primeira vez aos vinte anos e fiquei encantado com seu ritmo e prosa poética. Reli o ano passado, com olhar um pouco mais crítico. Mesmo assim a magia permanecia lá. Pra quem gostou ou quer conhecer mais de Kerouac, recomendo também Vagabundos Iluminados, uma viagem mais zen.

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15

Aug

07

Tarde cinzenta com promessa de primavera

Um passeio pelo campus da UFSC.

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15

Aug

07

Partidas: Joel Silveira

Morreu aos 88 anos o jornalista e escritor Joel Silveira, “o último dinossauro”, um dos mestres que aprendemos a admirar na profissão. Um de seus trabalhos mais marcantes foi a série de reportagens como enviado especial à Itália acompanhando a Força Expedicionária Brasileira. A pedido dele, não haverá essa mórbida convenção social chamada velório. Hoje, nos botecos deste Brasilzão, certamente ele vai ser homenageado com muitos brindes.

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14

Aug

07

Uma visita muitíssimo especial: João Camillo

Meu pai pegou o avião sozinho no Ceará e desembarcou domingo à noite pra uma temporada de férias conosco. Está em plena forma em seus 82 anos. Com as limitações naturais da idade. “Quem diria que um homem que já foi pára-quedista não pode hoje dar um salto de uma cadeira?”, comentou comigo. Ontem deixei o carro na oficina pra uma revisão e caminhamos bastante pelo centro e universidade. Ao todo, entre visitas a velhos amigos dele, paradas pra descanso e trajetos curtos de ônibus, caminhamos uns 3 quilômetros. Num ritmo tranqüilo, tirando fotos e observando detalhes cotidianos pelo caminho. Suas tiradas humorísticas e observações filosóficas pontuavam a jornada de uma forma que não tenho talento bastante pra reproduzir aqui. Tirei um mês de férias pra curtir esses dias.

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14

Aug

07

O sentido da vida pelo Barão de Itararé

O Esquerda Festiva do Ulysses traz um post que é biscoito fino: o genial Barão de Itararé, possivelmente um dos melhores humoristas do mundo, explica qual é sua filosofia de vida. Trecho:

(…) Descobrir o que há de material no espírito e o que há de espiritual na matéria; denunciar o que há de mentira na verdade e o que há de verdade na mentira, eis o trabalho principal a que me dedico para melhor sentir e compreender a vida.

Aqueles que não puderem entender as contradições da natureza tambem não me pode compreender quando as interpreto. E é por isso que há por aí muitas pessoas respeitáveis que ficam confusas quando me escutam e, afinal, não ficam sabendo se, quando brinco, estou falando serio ou se, quando falo sério, estou brincando…

Barão de Itararé

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