20
Oct02
Frase lúcida pinçada de um editorial
“Se José Serra está em dificuldade, não é porque a nação virou petista. Em primeiro lugar, é porque o governo fracassou. Agora, pergunto: por que o bom cabrito não teria de berrar?”
Mino Carta, editor de Carta Capital e um dos melhores jornalistas do Brasil
20
Oct02
Nos labirintos da tradução
A Carta Capital desta semana traz uma ótima matéria sobre casos de traição ao texto original das obras. Na primeira edição de Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking, por exemplo, foram identificados 714 erros crassos de tradução – uma média de 2,7 por página. Coisas como o sobrenatural “diretamente do além” em vez de “verticalmente” (directly overhead). A polêmica rendeu até duas teses de pós-graduação. No romance O jogo de amarelinha, de Julio Cortázar, o tradutor confundiu lechuza (coruja) com lechuga (alface) e produziu uma alface empalhada em cima de uma escrivaninha. Em Rebeldes Primitivos, outra pérola: um tal de General Will, militar citado freqüentemente no texto, na verdade era “vontade geral”. Seria engraçado se não fosse um atentado à cultura. Pra economizar, as editoras contratam profissionais pouco qualificados e prestam um desserviço aos leitores.
19
Oct02
Café do BraZil: o sabor amargo da crise
Já está na web a reportagem que fiz com a colega jornalista Débora Lerrer e o repórter fotográfico Sérgio Vignes sobre a crise social na cafeicultura brasileira. A versão impressa foi publicada no dia 18 de setembro em São Paulo durante o lançamento de uma campanha mundial da Oxfam, O que tem no seu café?. A publicação foi editada pelo Observatório Social em parceria com CUT, Contag e Oxfam Internacional.
19
Oct02
Mídia, eleições e propaganda subliminar
Excelente a nota de Mário AV: “Operação Portugal” ou A mídia que não assume o que pensa. Até o momento ela já tem 29 comentários. Traz um debate de qualidade rara no meio blogueiro. Acrescento um detalhe curioso sobre cores e propaganda subliminar que uma amiga me chamou a atenção: recentemente a Veja publicou reportagem com o tema “Mentira” em cor vermelha na capa (leia-se Lula). Pouco depois, na semana da eleição, ela veio com a manchete “Você decide” e cor azul na capa (leia-se Serra). Coincidência tem limite.
18
Oct02
“A fantasia do medo é aquele perverso simiesco duende que pula sobre as costas do homem quando ele carrega justamente o fardo mais pesado.”
Friedrich Nietzsche, filósofo alemão (“Humano, Demasiado Humano. Um Livro para Espíritos Livres”)
18
Oct02
18
Oct02
17
Oct02
Cidade dos Homens (2)
Comentário lúcido do brodinho Marques Casara sobre a nova minissérie da Globo:
“Muita gente não gostou. Também quero dar minha opinião. Não acho que a série seja ruim. Acho até muito boa, bem escrita e bem dirigida. Esteticamente requintada e muito bem fotografada. Tem poucos efeitos especiais e usa muito a câmera na mão, o que dá esse efeito realista. Acho também que a TV Globo deixou para trás boa parte daquela mania de retratar um Brasil irreal, inclusive no Jornal Nacional. Na linha de show, as telenovelas há muito se tornaram um produto de grande valor cultural. Têm um papel central no processo de formação do imaginário brasileiro, o que é maravilhoso. Temos a mania de ver a cultura popular por uma perspectiva elitista e extremamente conservadora, baseada em modelos lineares. Conhecemos um pouco mais do que nosso próprio bairro e gostamos de palpitar a partir de valores preconcebidos. Numa perspectiva teórica, acho que a base da transformação social não está no emissor (TV Globo), mas no receptor (nós e as donas de casa). Cidade dos homens retrata o dia-a-dia a partir do receptor das mensagens e dos excluídos socialmente. Por isso achamos uma merda. Pertencemos a uma classe média que não gosta de ser esquecida na programação. Quando acontece, nos apavoramos. Estão de parabéns a TV Globo e a produtora O2.”
Concordo 100%.
17
Oct02
Candidato que apela ao terror não merece a presidência
Depoimento que a atriz Paloma Duarte deu no programa eleitoral desta quarta-feira:
“Eu estava ontem à noite na minha casa, com meu marido Marcos, e a gente estava assistindo ao programa eleitoral do José Serra. Há muito tempo eu não me sentia tão revoltada. Eu me senti desresepeitada, me senti violentada como cidadã brasileira, como eleitora. Veja bem, eu não estou aqui para falar mal de ninguém. Eu vim aqui registrar o meu protesto. Eu procurei o pessoal do Lula e pedi para vir aqui fazer esse depoimento. Para dizer o quanto eu estou chocada com o uso do terrorismo, com o uso do medo numa campanha para presidente da República do meu país. Será que já não basta o medo que o Brasil vive no seu dia-a-dia? O medo de você sair na rua e ser assaltado, o medo de milhões de brasileiros desempregados que não sabem como sustentar suas famílias, o medo de você morrer doente na fila de um hospital público. A eleição vai passar. O Brasil continua. E eu quero dizer que um candidato que precisa aterrorizar a população brasileira em vez de se calcar às suas próprias virtudes para tentar se eleger não merece meu respeito. Não merece minha confiança, e, no meu entender, não mereceria jamais ser Presidente da República.”
16
Oct02
Cidade dos homens
E pra não falar só de lixo na TV: que coisa BOA essa minissérie da Globo com os meninos atores de Cidade de Deus! O primeiro episódio mostrou os amigos Acerola e Laranjinha tentando descolar dinheiro pra ir ao passeio da escola em Petrópolis. Roteiro muito bem bolado. Enquanto a professora ensinava sobre as guerras napoleônicas e a vinda da família real pro Brasil, eles viam de perto a guerra de quadrilhas na favela. As gravações foram no Morro Dona Marta, pertim de onde morei em Botafogo. Não perca os próximos capítulos.








