24

Jan

08

Álcool nas estradas

Rogério Christofoletti faz um comentário lúcido sobre a decisão do governo de proibir o consumo de bebidas alcoólicas nas rodovias federais brasileiras.

Tenho visto e ouvido muita besteira nos últimos dias sobre a medida do governo que proíbe o comércio de bebidas em estradas federais. Tem chiadeira dos comerciantes, lei da mordaça entre os patrulheiros e algumas manifestações de motoristas. …

O governo está certo? Está. E a medida demorou. Deveria ter sido implementada antes, bem antes. O governo tardou em atuar. E agora, faz apenas o necessário, nada mais que isso. …

A proibição da venda de bebidas em estradas federais não é populista, nem moralista. As mortes no trânsito são questões de saúde pública. As estatísticas são suficientemente claras e trágicas. …

Concordo 100%. Não se trata aqui de uma lei que restrinja o direito individual de colocar a própria vida em risco, como pular de body-jumping ou tomar uma garrafa de uísque todas as noites na varanda de casa. É uma questão de saúde pública em que os infratores colocam em risco direto a vida de outras pessoas.

Não é preciso ser especialista em trânsito – basta ser brasileiro de estatura mediana – pra perceber um detalhe fundamental: só a lei, sem uma campanha forte de educação, periga não pegar. Uma campanha assim precisa ser sistemática (de longo prazo), de abrangência nacional (não só nas estradas federais, como bem coloca o Rogério) e com linguagens diferenciadas pra diversos públicos – motoristas, comerciantes, crianças e adolescentes.

As abordagens também precisam ser diferenciadas e complementares. Meu palpite é que informação sobre os riscos e sobre as punições aos infratores – ou mesmo a estratégia do choque, como outdoors mostrando carros esmagados – tem efeito limitado se não vier acompanhada de mensagens que incentivem comportamentos positivos. Por exemplo, o orgulho de contribuir para a fama do brasileiro como bom motorista (tou delirando?).

Tudo isso só caminha com a vontade política de todas as esferas de governo, o apoio maciço da mídia e o comprometimento coletivo. Mas o tamanho do desafio não deve desanimar. Um passo de cada vez. Espero que as estatísticas pós-carnaval possam indicar um avanço.

p.s.: Botelho, no comentário, toca num ponto fundamental: pra que a lei pegue, é preciso ter como fiscalizá-la. O efetivo da Polícia Rodoviária Federal no país é ridículo.

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3 Responses:

  1. Em 24/01/08, 16:39, Diógenes Botelho disse:

    Não discordo que a lei é boa. Porém, não tenho dúvida que não vai funcionar. Primeiro porque não adianta lei se não há como fiscalizá-la. O efetivo da PRF é ridículo para a extensão da malha viária brasileira. Depois, quem quiser beber vai sair da estrada, entrar no boteco da cidade que margeia a BR e encher os cornos. Nesse caso acredito que uma ampla conscientização vai trazer muito mais efeito do que a lei. Falando nisso, já tem uma peça muito boa sobre o assunto, do governo federal, em veiculação no horário nobre. Na prática, essa é uma lei simpática para encher a bola de Lula. Aliás, depois de ser chamado de pinguço pelo Larry, ele faz de tudo para se afastar “desse cálice”.

  2. Em 24/01/08, 15:31, Ana Oliveira disse:

    Dauro, claro que você não viu porque não está no Sul, mas a campanha RBS de 2008 é bem essa. Violência no Trânsito: Isso tem que ter fim. Dá uma olhada: http://www.gruporbs.com.br/quem_somos/index.php?pagina=campanhas
    No mais, estou emocionada com os mil tsurus e com toda a mobilização familiar.
    Beijos para todos.

  3. Em 24/01/08, 14:42, VALDISON disse:

    ESTOU ORANDO POR ELE, UM EXEMPLO DE PESSOA QUE MUITO ME ENSINOU E QUE CONTINUARA NOS ENSINANDO, dEUS ESTA CUIDANDO DELE…


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