11

Jan

09

A grande mídia internacional e o Oriente Médio

Recebi de um colega jornalista e passo adiante.

Doze Regras de Redação da Grande Mídia Internacional Quando a Notícia é do Oriente Médio

Regra Um – No Oriente Médio, são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.

Regra Dois - Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civil. Isso se chama “Terrorismo”.

Regra Três -Israel tem o direito de matar civil. Isso se chama “Legítima Defesa”.

Regra Quatro - Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama “Reação da Comunidade Internacional”.

Regra Cinco - Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama “Sequestro de Pessoas Indefesas”.

Regra Seis - Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente, são mais de 10.000, dos quais 300 são crianças e 1000 são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter os seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades democraticamente eleitas pelos Palestinos. Isso se chama “Prisão de Terroristas”.

Regra Sete - Quando se menciona a palavra “Hezbollah”, é obrigatório a mesma frase conter a expressão “apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã”.

Regra Oito – Quando se menciona “Israel”, é proibida qualquer menção à expressão “apoiada e financiada pelos Estados Unidos”. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo existencial.

Regra Nove – Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões “Territórios Ocupados”, “Resoluções da ONU”, “Violações de Direitos Humanos” ou “Convenção de Genebra”.

Regra Dez – Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre “covardes” que se escondem entre a população civil, a qual “não os quer”. Se eles dormem em suas casas com as sua famílias, a isso se dá o nome de “Covardia”. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso chama “Ações Cirúrgica de Alta Precisão”.

Regra Onze - Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidade do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama de “Neutralidade Jornalística”.

Regra Doze - Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são “Terroristas Anti-Semitas de Alta Periculosidade”.

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2 Responses:

  1. Em 14/01/09, 23:02, Geraldo disse:

    Trabalho num veículo de comunicação internacional e não acredito que as “regras” acima sejam regra geral na grande imprensa internacional. Acredito que, apesar das dificuldades impostas à imprensa nessa e em outras guerras, há colegas que fazem um trabalho na medida do possível honesto, equilibrado. Do contrário, provavelmente as atrocidades cometidas pelas partes conflitantes seriam ainda maiores.
    Um fato que pode parecer marginal, mas que me chamou a atenção: a Agência France Presse divulgou ontem uma nota informando que o governo dinamarquês estuda a possibilidade de pedir ressarcimento a Israel por danos causados pela ofensiva militar a projetos humanitários apoiados pela Dinamarca em Gaza. Numa busca rápida no Google, notei que essa informação não foi muito aproveitada pelas redações. Algumas exceções: o jornal dinamarquês Politike.dk (versão inglesa – http://politiken.dk/newsinenglish/article628230.ece), a revista Focus – versão alemã da Epoca (http://www.focus.de/politik/weitere-meldungen/gaza-daenemark-prueft-schadensersatzansprueche-an-israel-wegen-gaza-offensive_aid_361821.html) e o DCI, no Brasil (http://www.dci.com.br/noticia.asp?id_editoria=2&id_noticia=269165). Acredito que essa questão deve estar sendo levantada também em outros países que prestam ajuda aos palestinos, mas, como admite o próprio governo dinamarquês, pedir um ressarcimento desses é uma questão delicada e juridicamente complicada.
    O triste disso tudo é que a população que deveria ser beneficiada com a ajuda humanitária, no fim, acaba ficando de mãos vazias – independentemente de quem seja a culpa pela destruição dos projetos. Hoje vi também na TV alemã uma mulher palestina, em Gaza, que criticou abertamente o Hamas. “Eles escondem as armas em nossas casas, mas não nos defendem. Os líderes do Hamas somem e nos deixam entregues ao caos”, reclamou. Segundo o repórter, essa foi uma das primeiras críticas em público ao Hamas. Na minha opinião, não há santos nessa guerra próxima à Terra Santa.

  2. Em 11/01/09, 16:41, Marie disse:

    Caramba.
    E tem gente reclamando das novas regras de ortografia…


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