04
Jul07
Moeda Verde: dois vereadores cassados
Em decisão inédita em Florianópolis, a Câmara dos Vereadores cassou o mandato de dois vereadores envolvidos com falcatruas ambientais. Juarez Silveira e Marcílio Ávila perderam os mandatos por falta de decoro parlamentar. Mais no ClicRBS.
29
Jun07
Minhas festas juninas de outrora
Hoje é dia de São Pedro. Uma das datas festivas mais importantes do Nordeste, só perde pra São João e pro carnaval. Tenho recordações bonitas das festas juninas de minha adolescência em Natal. O São João da Rua Bacopari, em Ponta Negra, fez história na primeira metade dos anos 80 – chegou a ser considerado o melhor da cidade.
Os preparativos já eram uma festa em si. Durante um mês inteiro envolviam toda a comunidade da rua e arredores. As pessoas colocavam cadeiras nas calçadas e botavam o papo em dia com os vizinhos. Os ensaios de quadrilha eram momentos deliciosos pra conhecer gente nova, paquerar as gatinhas – praticamente ninguém comia ninguém, o clima era de alegria e excitação ingênua.
Tinha decoração com bandeirinhas e palhas de coqueiro, iluminação, montagem da fogueira, busca dos músicos. O sanfoneiro era contratado pra tocar forró enquanto tivesse gente dançando ou até o sol raiar, o que viesse primeiro. Preparava-se o aluá, uma bebida de origem indígena feita com milho fermentado por quinze dias, mais especiarias… Quentão, adivinhações e simpatias, bolos de milho, pé-de-moleque…
Com o tempo a festa da Bacopari definhou e terminou morrendo, em parte pela mudança ou morte de alguns moradores que eram dínamos da mobilização. Ou talvez pelo natural ciclo de vida das organizações humanas. Mas as festas juninas continuam vivas e muito bem de saúde nas cidades nordestinas. Vim pro Sul, em que isso não tem a mesma força cultural, mas há coisas que não tem lá, como a bernunça e o jaraguá. Nunca mais pintei bigode, botei cadeira na calçada nem dancei quadrilha.
26
Jun07
Brasil Plural: cinema brasileiro na Europa
Adri, ontem à noite eu tava ocupado e não pude teclar com você. Aí quando me liberei você já tava offline. O Alexandre se adiantou. Então lá vai, reproduzo o post dele:
Minha amiga Adriane Canan avisa:
Atenção curta-metragistas: já estão abertas as inscrições para o Brasil Plural 10, mostra itinerante de cinema brasileiro na Europa, que acontece no segundo semestre de 2007. O regulamento e a ficha de inscrição estão no site www.brasilplural.org. Quem quiser saber mais sobre o que aconteceu na última edição pode encontrar as informações no blog http://blog.brasilplural.org.
29
May07
Breathing Earth
Cheguei a este saite impressionante via delicious por uma dica do Nando. Breathing Earth mostra num mapa-múndi, em tempo real, quantas pessoas nasceram, quantas morreram e quantas toneladas de CO2 foram liberadas na atmosfera desde que você acessou a página. No Brasil uma pessoa morre a cada 27 segundos e meio e uma nasce a cada 10,2 segundos. O mapa mostra também quais são os países que mais liberam CO2.
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Ah, Nando dá o toque: agora o blog dele é só http://dharmalog.com . Não vai ter mais o /aloha
10
May07
Os sons do planeta
Uma novidade bacana que acabo de ler no Plantão Info Exame: Google Earth terá sons do mundo. A notícia me trouxe a lembrança de um momento que vivi – e gravei – em 2005 numa comunidade quilombola de Alcântara, Maranhão: uma dança afro no meio do terreiro. Na noite iluminada só por fogueiras, mulheres e meninas com saia rodada em movimentos parangoléicos, homens e meninos tocando tambores numa cadência hipnótica. Magia pura do Brasil profundo. Dia desses digitalizo e compartilho aqui.
15
Apr07
Ecos da infância
Janela e chuva na rua. Cheiro de jaca, de manga, de cajá, de cupuaçu, de sapoti. Vendedor ambulante de cuscuz. Colcha macia de veludo vermelho. Banco de trás de Aerowillys numa viagem noturna. Garupa de lambreta. Sacada de uma ponte. Pena de galinha, susto e queda, testa em paralelepípedo, sangue. Mapa do Brasil, estados. A tia freira – cheiro bom, paz. Carnaval, azeitonas na geladeira, vômito. Comprar sapato – passos enormes, passos miúdos. Luzes refletidas no Capibaribe. Escotilha de navio. Meninos índios remando canoas, água grande. Perfume francês em vidrinho pequeno. Raio e fogo na árvore. O menino afogado no igarapé. Disco de Roberto Carlos, “a sua estupidez não lhe deixa ver/ que eu te amo”. Cabelos compridos, Hey Jude. Macaquinhos, bicho-preguiça. Cabeça de prego enfiada no pé, injeção. Coqueluche, passeio de carro pela floresta na madrugada. Pôr-do-sol no rio Negro, pescaria noturna, mosquitos, carro atolado. Banhos de chuva, muitos banhos de chuva.
20
Mar07
Deu na web e DVeras comenta: tevê e esgoto
Brasil tem mais casas com TV em cores que com esgoto, diz o PNUD.
Que merda!
15
Feb07
Segurança pública em debate
Recomendo a leitura da entrevista de Luiz Eduardo Soares, um dos maiores especialistas em segurança pública do país, no portal do PPS. Ele desqualifica o comportamento”demagógico e populista” do Congresso Nacional diante de tragédias como a morte bárbara do menino João Hélio, de seis anos. Defende uma reforma profunda na instituições para que as leis já existentes possam ser cumpridas, explica por que é contra a redução da maioridade penal e denuncia o genocídio de jovens brasileiros negros do sexo masculino. Abaixo, um trecho:
(…)
O problema da segurança pública é muito mais grave. Não pode ser tratado com enrijecimento de penas e outras medidas desse tipo, que já se comprovaram ineficazes, inteiramente distantes das reais necessidade. Nós precisamos de uma reforma profunda nas instituições da segurança pública, de mudanças constitucionais, de políticas preventivas articuladas num sistema único de segurança pública, que envolva compromissos de investimentos reais por parte do Estado em todas as esferas, desde o município até a União. Conceber um plano amplo e sistêmico exige um outro tipo de postura, muito diferente dessa que tem caracterizado a reatividade do Congresso Nacional. (…)No Brasil, há cerca de 45 mil crimes letais por ano e aproximadamente 40 mil homicídios dolosos anualmente. São números extraordinariamente elevados, que correspondem a 27 vítimas por 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos são oito; na Europa, menos de três; no Japão menos de um. Quando observamos os dados desses crimes mais de perto, compreendemos que há uma forte concentração nesse processo de vitimização. Apesar de os problemas dizerem respeito à sociedade brasileira em seu conjunto, há uma concentração numa determinada faixa social quando se trata do processo de vitimização letal. Quem está morrendo são sobretudo jovens entre 15 e 24 anos, pobres, moradores das periferias, das favelas, das comunidades e, em geral, negros e do sexo masculino. Isso é tão grave e tem atingido patamares tão elevados que já há um reflexo desse processo na estrutura demográfica brasileira. Há um déficit de jovens do sexo masculino nessa faixa etária, de 15 a 24 anos, que já caracteriza esse processo como genocídio. Quando um demógrafo observa essa configuração populacional sem saber a que sociedade se reportam esses dados, tende a deduzir que se trata de guerra porque só uma sociedade em guerra tende a produz esse tipo de conseqüência no perfil demográfico. Estamos diante de um quadro muito peculiar, extremamente grave; de um processo de genocídio dos nossos jovens; num processo autofágico, fratricida, do qual tem sido co-responsável, cúmplice, o próprio Estado, na medida em que, por omissão ou por ações ilegais, tem contribuído para esses resultados. (…)
07
Feb07
Sabonetes, comunicação e monopólio
“Na região Sul do Brasil, que abrange três estados, um único grupo, o RBS, possui mais de 40 empresas de comunicação, fatura 1 bilhão de reais por ano e tem o domínio de virtualmente 80% da audiência de rádio e de TV e da circulação dos jornais…. enquanto uma fábrica de sabonetes, pelas leis antimonopolistas, não pode ter mais de 40% do mercado, as empresas de comunicação de massa, cruciais na formação da democracia no Brasil, violam tranquilamente a lei e chegam a altas concentrações de mercado”.
Bernardo Kucinski, em seus “ensaios sobre o colapso da razão ética”, apontando os 10 paradoxos do jornalismo. O sexto paradoxo trata da concentração monopolista dos meios de comunicação no Brasil. [tks Casara]. Ele escreveu isso antes da compra do jornal A Notícia.
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Salsichas, jornais e tevê: se você souber como são feitos…
31
Oct06
Rede movida a sol
Bacana essa notícia da Agência Brasil: comunidades do Maranhão vão ter acesso à internet alimentada por energia solar. Sou fascinado pelas fontes alternativas de energia como solar, eólica, das ondas. Se eu fosse engenheiro ia me dedicar a isso. Em 1998 Laura e eu estivemos numa comunidade de seringueiros em Rondônia, perto da fronteira boliviana, a Reserva Extrativista do Rio Cautário. Foram dois dias extraordinários subindo o rio numa lancha “voadeira”, no meio da mata fechada, num lugar tão remoto que fazia divisa com terras de índios ainda não-contactados.
Uma das casas onde pousamos era a única em toda a reserva onde havia luz elétrica. Lá funcionava um rádio amador movido a energia solar, que também alimentava uma lâmpada de 25 watts. Graças à doação de uma ong norueguesa, eles tinham esse meio de comunicação com outras comunidades de toda a Amazônia. São soluções simples, relativamente baratas e que fazem a diferença na vida das pessoas.










