22
Oct07
Batizado
Em Sampa. Este post é pro meu sobrinho Estéfano, de sete anos, ler um dia. No sábado tive a honra de me tornar seu padrinho de batismo. Agora você é meu afilhado. Sua mãe é minha cunhada-comadre e seu pai, meu concunhado-compadre. Essa é uma experiência inusitada pra mim, cheia de significado simbólico. Sei que não sou a pessoa mais indicada pra educá-lo como bom cristão, mas pode acreditar: em mim você vai ter sempre um amigo fiel e um guia. Este é um compromisso pra toda a vida, uma responsabilidade que me deixa muito feliz. Ainda mais porque você é amigão do meu filho, que agora, mais que primo-amigo, é algo mais – pode chamar de irmão se quiser.
O curso de padrinhos e a cerimônia foram muito legais, cheios de ensinamentos sobre os valores éticos que nos ajudam na busca pela felicidade – nossa e também dos outros, impossível separar isso. Ignorei o conteúdo carola de algumas palestras, assim como os dogmas religiosos que não me tocam – meu caminho é muito mais a espiritualidade que a religião institucionalizada, mas não quero fazer sua cabeça nem a de ninguém. Apreciei as explicações sobre o que quer dizer cada passo do ritual: os óleos, a água… E guardei no coração as mensagens de amor, o exemplo daquela comunidade em que as pessoas trabalham com alegria uns pelos outros. O padre, que figuraça! Muito engraçado, espirituoso, um verdadeiro amigo dos paroquianos. Este foi um fim de semana especial, me senti irmão daquelas pessoas todas.
Acho bacana que isso tudo tenha acontecido a poucos dias de receber a menção honrosa no Herzog. É um reforço a mais pra manter a cabeça no lugar, dar o devido peso a cada coisa e evitar a soberba. Mas não me furto de comentar sobre a alegria que me deu essa conquista. Se tem uma coisa que não suporto é a falsa modéstia. A reportagem foi bem feita e esse prêmio vai ajudar indiretamente a proteger pessoas que correm risco todos os dias no trabalho. Isso é o que importa, afinal. Quando, aos 15 ou 16 anos, decidi estudar jornalismo, era isso que me motivava: transformar a realidade, por menor que fosse essa contribuição. Felizmente – e apesar de muitas frustrações pelo caminho – tenho conseguido isso, o que me salvou do cinismo que tantas vezes vejo nessa profissão. Acredito que pequenas e boas marolas podem representar grandes ondas de coisas boas. Sim, ontem foi um domingo especial. Deus te abençoe, Estéfano.
19
Oct07
Menção honrosa no Prêmio Herzog
A notícia me pegou ontem tão de surpresa que fiquei sem saber o que dizer além de eebaa!!!!!! Uma reportagem que publiquei em outubro de 2006 na revista do Observatório Social ganhou menção honrosa no Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais importantes do jornalismo brasileiro. É o terceiro reconhecimento público de destaque que nossa revista ganha em apenas 12 edições de existência: em 2003 levamos um Esso na categoria meio ambiente e em 2006, coincidentemente, também menção honrosa no Herzog.
A reportagem é sobre mutilações de trabalhadores na indústria moveleira de Santa Catarina. Fico feliz com a premiação porque ela dá visibilidade ao descaso de muitas empresas com as condições de saúde e segurança dos empregados. Se a repercussão desse prêmio ajudar a salvar dedos em fábricas Brasil afora, missão cumprida.
Procurei enfatizar que a responsabilidade pelos acidentes não é só das empresas, embora elas tenham, sim, culpa no cartório – omissão também mutila e mata. Uma mudança real nessa tragédia brasileira passa pela educação. Pelo amor ao próprio corpo e à mente. Quem trabalha não pode deixar sua saúde e segurança nas mãos dos outros. Isso vale pras atividades consideradas “perigosas” e também pras que parecem até inofensivas – há quanto tempo não limpam o ar-condicionado de sua sala e ninguém reclama?
Esse princípio da Não-Delegação foi sintetizado nos anos 60 pelo movimento sindical italiano e incorporado pelo movimento sindical cutista: o convencimento de que os trabalhadores não podem mais entregar a ninguém o controle sobre as suas condições de trabalho. Outro princípio herdado dos italianos é o da Validação Consensual: o julgamento sobre o nível de bem-estar ou de intolerabilidade de determinada situação de trabalho deve ser expresso pelos trabalhadores. Sei que estamos a anos-luz de uma epifania desse nível no Brasil, mas existem avanços.
Com o perdão pelo clichê – verdade pura -, jornalismo é trabalho de equipe. Compartilho essa menção honrosa com algumas pessoas em especial:
minha família, pela paciência em enfrentar o transtorno que as viagens de trabalho provocam no cotidiano de casa; Maria José H. Coelho, “mãe” da revista; Sandra Werle, a “madrinha”, que a diagramou por tantos anos; Zé Álvaro Cardoso, do Dieese/SC, que fez a ponte com o sindicato; Marques Casara, parceirão, um dos melhores repórteres que conheço; Sérgio Vignes, repórter fotográfico que me acompanha há tempo em aventuras e roubadas; Frank Maia, autor da arte e infografias desta e outras reportagens; Jeanine Will, suporte logístico nota dez; Kjeld Jakobsen, apoio fundamental ao jornalismo investigativo na organização; todos os demais colegas e ex-colegas do Observatório Social, que este mês apaga dez velinhas de aniversário; e aos trabalhadores e trabalhadoras de São Bento do Sul.
19
Oct07
Amante na China
A Zeca – Maria José Baldessar, professora de jornalismo da UFSC – me passa mais uma indicação legal de blog: Amante na China. É do Richard, ex-aluno dela que se formou em 2002 e agora está por aquelas bandas estudando mandarim, entre outras coisas que não tive tempo de descobrir. Texto bem-humorado e informativo, com muitas fotos bonitas, relatos do cotidiano em Beijing e de viagens – ele esteve na Mongólia há pouco. Gostei muito. É um grande incentivo pra um dia fazer essa aventura. Trecho:
(…) No meio de uma dessas conversas, uma chinesa parou e perguntou se eu entendo chinês. Eu disse que falo pouco, muito pouco, aí ela começou a conversar com a Lauren, que já entende e fala um pouco mais. Resumindo, ela era produtora de cinema e estava procurando dois estrangeiros para fazer uma gravação de última hora, ainda hoje, para um filme chinês. Seriam dois policiais, um bem magro e um gordinho, que teriam algumas falas em chinês, e receberiam, cada um, ¥300 – o equivalente a R$ 75,00. Acabou não rolando, por causa do meu chinês, e eu adiei a minha estréia no cinema asiático. Bom, até agora eu não sei qual seria o meu personagem, o magrinho ou o gordinho. Eu até perguntei, mas ela não respondeu, apenas riu.
18
Oct07
Edição de aniversário

Mais uma saindo do forno. A 12ª edição da revista do Observatório Social comemora os dez anos de existência da organização – pra qual presto serviços há cinco anos. Outros assuntos: o que pensam os trabalhadores sobre trabalho decente, responsabilidade social das empresas e meio ambiente; o impacto negativo das negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio) no setor de serviços no Brasil; a construção da ISO 26000, diretriz de responsabilidade social. A versão em pdf pode ser baixada aqui, em três partes (1, 2 e 3). A arte da capa é de Frank.
18
Oct07
Novo fone
Mudei o número do celular. Quer anotar o novo? Me liga pro antigo, que ainda fica ativo por uns dias. Ou manda e-mail. Ou deixa recado aqui.
18
Oct07
Leite amigo do trabalhador
O leite Batavo em caixinha está circulando com esta frase:
“Denuncie trabalho em condições análogas à de escravo ao Ministério Público do Trabalho – endereço na internet e telefone”.
17
Oct07
Em busca do próximo lugar quente
Esta reportagem de Candace Jackson, do Wall Street Journal, conta como um seleto grupo de profissionais testa praias paradisíacas e outros lugares lindos e anônimos pra transformá-los nos futuros points do turismo mundial. O infográfico mostra quais são os lugares que a indústria do turismo espera que entrem na moda nos próximos anos. Entre eles, Montenegro, Minneapolis, Honduras, Nicarágua, Abu Dhabi e Ruanda.
[dica de Emerson Gasperin]
17
Oct07
Meme da página 161
Gosto dos memes com elementos aleatórios e um quê de surreal. Quando eles têm a ver com livros, então, ficam irresistíveis. É o caso deste que pesquei no Inagaki e passo adiante:
1ª) Pegar um livro próximo (PRóXIMO, não procure);
2ª) Abrir na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.
Meu livro é o sensacional O vulto das torres, de Lawrence Wright, que acabo de ler e já está na minha lista de 5+ de 2007. A frase:
Bin Laden arregaçou a manga e esperou o médico enfiar a cânula em sua veia.
Repasso a mais cinco blogueiros a missão de prosseguir com a corrente: Felipe Lenhart, Rafael Ziggy, Rogério Christofoletti, Ulysses Dutra e Isabel Colluci (todos comparsas no coletivo +D1).
p.s.: Confesso que falhei na primeira tentativa: o livro mais próximo só tinha 151 páginas
17
Oct07
Dia da Leitura
Assino com gosto essa petição do Instituto Ecofuturo para transformar o Dia 12 de outubro no Dia da Leitura. A iniciativa está sendo apresentada no Senado pelo senador Cristóvam Buarque. O projeto visa chamar a atenção para a importância de levar a literatura às crianças de fase pré-escolar e de renovar as bibliotecas públicas e salas de leitura.
17
Oct07
De gato, água corrente e máquina de lavar roupa
Tenho uma teoria bizarra sobre gatos: na verdade, eles é que domesticam a gente. Tomemos o Branquito, por exemplo. Ele entra em casa e sai quando bem entende, a qualquer hora do dia ou da noite. Se as portas e janelas estiverem fechadas, simplesmente mia e mia e mia até encher o saco de alguém, que vai lá e faz sua vontade. Água de beber, pra ele só serve se for corrente ou então morna. E lá vamos nós abrir a torneira de pia do tanque quando ele tem sede, ou a porta do box do banheiro pra ele lamber o chão. Uma descoberta recente: temos que deixar a máquina de lavar roupa fora da tomada quando não está em uso. Senão, quando ele sobe nela, pisa nos botões e liga.







