06
Dec08
A enchente e a publicidade oportunista
Um leitor do blog chama a atenção pro podcast que acompanha esta matéria da Folha de S. Paulo (“Homem que perdeu tudo ajuda a resgatar vítimas da enchente em Santa Catarina”). A primeira coisa que a gente ouve é a dica sobre uma incorporadora de imóveis de onde o desempregado Elson Ferreira da Conceição, com a água até o pescoço e pensando nas crianças e nos idosos ameaçados pelas águas, pode encontrar uma nova casa. “Cirela. Basta um clique”. Comenta o leitor: “Isso é que é jornalismo-cidadão! Põe sensibilidade nisso. ;-)”
05
Dec08
O sistema suíço de proteção contra enchentes
Meu amigo Geraldo Hoffmann, jornalista catarinense que vive na Suíça, publicou hoje no saite de notícias swissinfo a primeira parte de uma reportagem sobre o sistema de proteção contra as enchentes naquele país. Os investimentos não tornam os suíços imunes ao problema, mas minimizam bastante os prejuízos humanos e materiais.
Nas últimas três décadas, as enchentes causaram prejuízos de mais de 10 bilhões de dólares na Suíça. Para reduzir os danos, o país adota uma "estratégia integral de prevenção às cheias".
Ela combina obras de construção civil com medidas de organização e planejamento, controle rígido da ocupação do solo e proteção ao meio ambiente. Um seguro obrigatório cobre os prejuízos em caso de catástrofe. (…)
04
Dec08
Alles Blau: a gênese de um blog coletivo
Reportagem de Manoel Fernandes Neto na revista digital NovaE relata como nasceu o blog coletivo Alles Blau, que durante a tragédia da semana passada, se transformou num ágil meio de comunicação e utilidade pública para quem buscava (e busca) de informações sobre Blumenau. O Alles Blau (“tudo azul” em alemão) nasceu da necessidade, conta a sua criadora, Juliana Maria da Silva:
(…) Não fizemos nenhuma reunião de pauta. Para falar a verdade, alguns dos colaboradores eu ainda não conheci pessoalmente. A melhor equipe colaborativa, juntada ao acaso, unida pelo único ideal de distribuir as informações. Não há pauta. Os assuntos postados no blog são de interesse coletivo e isso é o suficiente para que os colaboradores separem o que é relevante e adequado. Trocamos alguns e-mails no começo, ajustando nossa conduta. Tive que editar alguns post, mas foi só no início. Hoje todos os 11 são editores de seus próprios conteúdos. Eu acompanho como leitora e aparo arestas apenas quando há necessidade. Nesta semana quase todos retomaram suas vidas normais, o blog está sendo alimentado entre uma tarefa e outra. (…)
03
Dec08
03
Dec08
Hora de recomeçar
O texto abaixo é assinado por Cláudio, de Balneário Camboriú, vizinha a Itajaí, SC. Recebi por e-mail.
Meus amigos,Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta “folga forçada” a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa Itajaí.
As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.
Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.
Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros
– Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
– Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
– Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
– Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
– Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
– Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
– Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas.
– Que não sentiram preocupação por ninguém, algo está errado em seu coração.
– Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:
- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
– Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
– A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
– À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
– Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
– Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
– Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
– Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
– Aos Médicos Voluntários.
– Às enfermeiras Voluntárias.
– Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
– Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
– Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
– Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
– Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
– Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
– Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
– Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
– A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
– A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
– A todos que oraram por todos.
– Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
– Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
– A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
– A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
– A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:
COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.Anônimo.
É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.
Pelo menos é a minha hora, acredito.
Que Deus abençoe a todos.
Claudio
Balneário Camboriú-SC
“Hoje aqui amanha não se sabe… Vivo agora antes que o dia acabe…”
03
Dec08
Orientação para o combate à leptospirose
Um informe importante pra quem entrou em contato com água e lama contaminada:
A Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica está repassando uma Nota Técnica sobre conduta e tratamento da leptospirose.
As orientações da Nota Técnica são direcionadas apenas aos municípios atingidos pelas inundações e deslizamentos de terra. A vigilância sobre a suspeita de casos da doença deve ser rigorosa e permanecer até 40 dias após a baixada das águas.
Pessoas que entraram em contato com água e lama contaminada, principalmente pela urina de roedores urbanos (ratazanas, ratos de telhado e camundongos), devem ficar atentos aos sintomas como: dor de cabeça, dores musculares e febre, no caso de identificação destes sinais é indicado procurar a unidade de saúde mais próxima.
As demais cidades devem continuar seguindo as orientações anteriores para procedimentos de investigação de leptospirose.
Mais informações: www.dive.sc.gov.br
Fonte: Associação das Micro e Pequenas Empresas de Blumenau
03
Dec08
Google cria página para apoiar Santa Catarina
Li no Coluna Extra, conferi, gostei e passo adiante. Os funcionários do Google no Brasil, com apoio da Prefeitura de Blumenau, Defesa Civil e outras entidades, criaram uma página especial com informações relevantes sobre as enchentes em Santa Catarina. A ferramenta Google Maps identifica no mapa do estado os pontos onde há hospitais, helipontos, unidades do corpo de bombeiros, pontos de doações, postos da polícia rodoviária, abrigos, cemitérios etc. Há também links para notícias e vídeos.
02
Dec08
Em memória de Dario e Giacomina
dentre as muitas histórias trágicas que tenho ouvido uma das que mais me entristeceu foi saber da morte de uma familia inteira de Rodeio (cidadezinha que fica perto de Blumenau): o casal Dario Eccel e Giacomina Cosi Eccel, ambos de 44 anos e os dois filhos Kelly (7) e Kendy (15), que foram soterrados junto com sua casa. conheci o casal uns oito ou dez anos atrás, la na propriedade deles. Tinham uma fábrica de deliciosos queijos. Ele era natural dali e foi pra Italia aprender as técnicas de queijaria e conhecer Giacomina, com quem casou. Falei recentemente com eles por telefone por conta de um trabalho sobre as bebidas e as comidas dos imigrantes. Lembro vagamente do lugar – acho até que a casa ficava bem longe do morro - mas lembro bem de um quadro que tinha na parede da casa e que na época me chamou atenção. era um retrato da terra natal dela que ficava num vale ao pe de um gigantesco e impressionante morro de pedras e terra desnuda (nos alpes, nao lembro o nome agora). que fiquem em paz!
materia sobre a eles no A Noticia…. http://www1.an.com.br/2000/jan/16/0ecc.htm
02
Dec08
Carta ao governador
Esta crônica de Felipe Lenhart, publicada ontem no Diário Catarinense, reflete a decepção de muita gente com a falta de estatura do governador do estado diante da tragédia humanitária ainda em curso. Passo adiante.
Senhor governador,Vou me apresentar: sou um turista endinheirado que mora longe da Santa e Bela Catarina. Mas visito o Estado todos os anos. Passo uma semana em Balneário Camboriú, percorro o roteiro de compras de Blumenau e Brusque, vou sempre a uma praia belíssima em Itajaí, durmo na casa de um parente distante em Bombinhas e invisto (este é o termo certo) o resto de minhas férias gastando nas boates da moda, nos restaurantes caros, nas lojas de grife e nos hotéis luxuosos de Florianópolis. Já estava tudo certo para a minha viagem de fim de ano: passagens compradas, reservas confirmadas, o convite para a festa de Réveillon aceito. Mas aí veio o cataclismo e tudo que aconteceu semana passada. E é com tristeza que lhe confesso, senhor governador: eu não irei mais a Santa Catarina esse ano, nem nos primeiros meses de 2009. Acredite: me custa muito tomar esta decisão.
Ora, o senhor deve ter lido a edição de ontem do Diário Catarinense. Eu li, e li tudo, na internet. Descobri que, neste momento, soldados, bombeiros e voluntários estão nas ruas de Santa Catarina, empunhando pás e picaretas, manejando escadas e maquinário, guiando tratores e caminhões, lutando contra a terra, o lodo e os destroços para desenterrar cadáveres, localizar desaparecidos, salvar o que restou daquele fim de semana tempestuoso. Milhares assistiram ao lar ser destruído e estão desabrigados; outros milhares abandonaram suas residências e estão desalojados. A maioria não tem o que comer e vestir. Alguns perderam familiares e amigos. Quantos mais estão sepultados sob as ruínas? Vou lhe confessar: chorei com os relatos espantosos, emocionados, desesperados. A sua gente está triste, senhor governador, abalada, pobre e enlutada.
É também por isso que lhe escrevo. Para pedir que me esqueça por um ano, senhor governador. Minha visita só atrapalharia. Verão e Réveillon tem todo ano, mas o que aconteceu em Santa Catarina não deveria sequer ter acontecido, e certamente não poderá se repetir. Portanto, senhor governador, não arrume Santa Catarina para me receber para as festas. Em vez de arrumar, conserte, resolva, dê jeito definitivo no seu Estado, para o seu povo abatido que tanto merece. Você tem muito a fazer pelos seus. Desejo-lhe fibra e sorte.
Com o forte abraço e as condolências do seu cliente mais importante.
01
Dec08
Tragédias anunciadas há mais de 150 anos
Um leitor do Fábio Brüggemann, Eloy Casagrande Jr. escreveu um longo e pertinente comentário sobre a história das enchentes no Vale do Itajaí, “para incentivar o debate e não deixar que mais uma vez se repita a tragédia”. Casagrande – professor na área de sustentabilidade e inovação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná -, mostra como essas são tragédias anunciadas há mais de 150 anos. De 1850 a 1992 foram 66 enchentes, das quais 11 até 1900, 20 nos 50 anos subseqüentes e 35 nos últimos 43 anos. Certamente, não foram os “caprichos da natureza” culpados pela catástrofe, diz o professor, relacionando diversos projetos preventivos que não saíram do papel por falta de vontade política. Esse texto devia fazer parte das leituras de cabeceira de nossos governantes.








