27
Jun07
Caminhos das Américas: acidente de percurso
Acabo de ler no blog do Serginho Severino que ele capotou o Land Rover na Guatemala, num acidente envolvendo um caminhão. Mas ele está bem. O post foi escrito dia 18. Pelo que li nos comentários, Serginho tá procurando peças de reposição. Então a viagem ao Alasca continua.
28
May07
Caminhos das Américas: Panamá
Serginho já está no Panamá. No mapa acima, o traçado azul é a indicação do caminho percorrido por ele. O GPS tá marcando tudinho. Quem quiser o mapa completo é só pedir pra ele no blog. Dá pra visualizar todo o roteiro passo a passo em uma animação no Google Earth, desde a saída dele de São Paulo, rua por rua. Já não se faz mais aventuras como antigamente…
Trecho de um post bacana dele com um balanço da primeira etapa da viagem:
(…) A America do sul é uma região incrível com uma diversidade geográfica, cultural e social incrível. Talvez por isso muita gente que eu conheço viajando pelo mundo diz ser um dos melhores lugares no mundo pra conhecer. (…)
Concordo 100%, Serginho. Viajar pra outros lugares e deixar de lado a América do Sul é como conhecer o outro lado da rua e nunca ter entrado no próprio quarto. A riqueza humana e natural deste continente é imensa.
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24
May07
Brincadeiras na neve
Primeira neve do ano na serra. E o frio continua:
Os catarinenses podem ficar certos de uma coisa: vão sentir muito frio, pelo menos, durante os próximos 10 dias. A massa de ar polar que entra pelo Oeste e pelo Sul do Estado derruba drasticamente as temperaturas, e frio abaixo de zero deve ser registrado de hoje até domingo.
Por incrível que pareça, moro em Santa Catarina há 21 anos e nunca vi neve aqui, embora ela venha quase todo ano. Ou derrete quando chego à Serra, ou por algum motivo não posso ir lá conferir. O pessoal que vive nos países gelados deve achar graça do fascínio que os fiapos de neve provocam nos brasileiros. Culpa dos desenhos animados que passam no nosso Natal escaldante, mostrando a meninada que espera Papai Noel na maior friaca.
A primeira vez que vi neve foi na Bolívia, no topo das montanhas. De longe, pela janela do ônibus. Depois vi nevar em Praga, numa primavera gelada sobre a ponte Karluv – aquela famosa das estátuas de santos, cartão postal checo, talvez a ponte mais charmosa do mundo. Chovia fino, daí vieram uns floquinhos de nada e logo viraram chuva de novo. Mesmo assim deu tempo de abrir a boca e provar o gosto – a gente vira criança mesmo. Hmm, picolé de chuva ácida.
Na clareira de um bosque suíço fiz um piquenique romântico com a Laura. Ao redor de nós o chão tava coberto de neve misturada com lama. Preferi provar só pão e vinho.
Também vi nevar no topo da Zugspitze, maior montanha da Alemanha (2.962 m, diz a Wikipedia). Tinha uma grande quantidade acumulada e realizei uma antiga fantasia besta: me joguei no chão de braços abertos, de costas, que nem os Beatles num dos filmes deles. Me senti o Ringo, o mais narigudo e palhaço dos Fab Four.
Tinha uma fantasia de infância: brincar de batalha com bolas de neve. Realizei na Noruega, numa minúscula estação de trem chamada Flam, onde fizemos uma baldeação. Ao redor dos trilhos havia um labirinto de paredes de neve acumulada, com mais de três metros de altura. Meu adversário era o amigo Eirik Eng, exímio atirador de bolotas desde a infância. Acertei algumas na cachola dele, mas por melhor que fosse minha pontaria, não dava pra vencer um nativo.
Nunca me entusiasmei com esqui ou trenó. Mas tenho outra fantasia ainda não realizada que compartilho com o Miguel: fazer um boneco de neve. Quem sabe neste inverno. Nem que seja um pokemon de neve, pela quantidade que costuma cair em São Joaquim.
18
Apr07
Caminhos das Américas: um mês de viagem
Serginho tá em Arica, Chile, e amanhã entra no Peru. Destino: Alaska.
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Conheci o Norte Grande chileno em 89, no retorno de uma aventura de mochila por Bolívia e Peru. Tive uma experiência pouco agradável com os carabineros da fronteira, que já relatei aqui. Depois foi tudo beleza pura. De Arica, encravada no deserto do Atacama, recordo a paisagem árida, as praias de areia grossa e água gelada, nada especiais em comparação com as praias brasileiras, uma cerveja gostosa (Cristal) e uma galera legal na escola pública onde fiquei hospedado. Ah, lembro que pra cruzar a fronteira pegamos em Tacna, no lado peruano, um táxi que era um enorme Chevrolet sem capota, como o do filme Hair. Naquele retão do deserto, com o vento batendo no rosto, tocava na radiola da cachola uma música da trilha: “Good morning, sunshine…”
02
Apr07
Caminhos das Américas: Puerto Natales
Serginho Severino já chegou em Ushuaia e agora ruma pro Norte, em direção ao Alaska. Está em Puerto Natales, no Chile. O carro deu defeito no alternador. Acompanhe a aventura em caminhosdasamericas.com
11
Mar07
De trem pela Ásia
Início de leitura: O grande bazar ferroviário: de trem pela Ásia. Quem escreveu, em 1975, foi o americano Paul Theroux, um apaixonado por trens e por viagens. Com essas duas coisas fortes em comum entre mim e o autor, dificilmente vou deixar de gostar. A indicação é do amigo Antonio Rocha, citado há poucos dias (O postal de Cingapura), ator, mímico e contador de histórias que vive on the road (e in flight) por prazer e necessidade profissional. E também ama os caminhos ferroviários. Pra começar, uma das epígrafes:
...a primeira condição de um pensamento correto é a sensação correta – a primeira condição para compreender um país estrangeiro é sentir seu cheiro…
T.S. Eliot, Rudyard Kipling
09
Mar07
Caminhos das Américas
Serginho Severino tá esquentando o motor pra mais uma aventura on the road: ele vai sair de Floripa até Ushuaia, no extremo sul da Argentina, e depois rumar pra Prudhoe Bay, no Alasca. A viagem pode ser acompanhada neste blog, onde ele vai escrever quando tiver saco.
05
Feb07
Anotação de leitura: introspecção
Nenhum homem deveria passar pela vida sem experimentar pelo menos uma vez a saudável e até aborrecida solidão em um lugar selvagem, dependendo exclusivamente de si mesmo e, com isso, aprendendo a descobrir sua verdadeira força oculta. – Aprendendo, por exemplo, a comer quando tem fome e a dormir quando tem sono.
Jack Kerouac, em Viajante Solitário, sobre um período que passou sozinho no topo de uma montanha como vigilante de incêndios.
19
Nov06
Vida na floresta
Em janeiro vão se completar nove anos que viajei com Laura à reserva extrativista de seringueiros do Rio Cautário, em Rondônia, perto da fronteira com a Bolívia. Foi uma experiência extraordinária. O Cautário é um dos lugares mais remotos onde já estive e uma das raras comunidades brasileiras que não têm luz elétrica nem tevê. Tão marcante quanto a presença poderosa da selva foi a hospitalidade dos ribeirinhos. Escrevi este relato com fotos de Laura e webdesign de Taíssa Abdala. O garoto da foto de chama Divino e tinha onze anos na época. Gostaria muito de saber como vive hoje.
02
Feb06
Dez mais caras
Pra quem gosta de viajar e de listas, esta pode ser útil. Depois de 14 anos no topo do ranking, Tóquio foi desbancada pela capital da Noruega como a cidade mais cara do mundo.
- Oslo, Noruega
- Tóquio, Japão
- Reykjavik, Islândia
- Osaka, Japão
- Paris, França
- Copenhague, Dinamarca
- Londres, Reino Unido
- Zurique, Suíça
- Genebra, Suíça
- Helsinque, Finlândia
Da BBC News, via Aidan Doyle, de Osaka.
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Laura e eu passamos duas semanas na Noruega em 97, metade do tempo em Oslo. Só conseguimos a façanha graças à generosidade dos amigos Eirik e Hélène – que nos hospedaram em sua simpática casinha à borda da floresta de Oslo, [tal como a de Sofia] e viajaram conosco pelo interior. E também à bondade de Kjersti – de quem fomos convidados especiais à sua festa de casamento -, Camilla, Kristian e Marianne, que nos mostraram a cidade e bancaram belos jantares.
Se você pensa em tomar um pilequinho por lá, melhor preparar o bolso. Um hábito comum dos noruegueses é servir água com limão aos visitantes. Isso se explica pelas severas restrições culturais/legais ao alcoolismo, que tem origens históricas no puritanismo e em questões de saúde pública. O preço da birita é proibitivo – um caneco de cerveja custa o equivalente a 7 dólares num bar, e a venda de bebidas fortes, incluindo vinho, é monopólio do Estado. Curiosamente, muita gente fabrica bebidas em casa, em alambiques clandestinos. E é possível comprar nos supermercados essências de bebidas como uísque e gim pra misturar no álcool de cereais.
A Noruega é um país de belezas naturais estonteantes e um grande choque cultural pra nós tupiniquins ( aliás encontramos lá dois índios tupiniquins de verdade, protestando contra a Aracruz Celulose). É uma sociedade materialmente resolvida. Lá os problemas são de outro tipo, mais existenciais e menos “sobrevivenciais”. Tudo isso me dava uma certa tontura, uma sensação de irrealidade, que talvez eles também sintam quando vêm às latitudes tropicais. Lá tive também uma forte experiência de vertigem mística, no Preikestolen (“Pedra do Púlpito”), um paredão natural de 604 metros de altura no alto de um fiorde de Stavanger. Outra hora conto essa.








