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May

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Leituras em família

Estamos vivendo uma temporada maravilhosa aqui em casa: o despertar da paixão pela leitura nos dois meninos, em diferentes fases de desenvolvimento – alfabetização e pré-escola. É uma onda boa que chega de mansinho, sem sobressaltos, sem lembrança exata de quando começou, assim como a mudança das estações. Acontece com uma simplicidade que encanta. Às vezes me pego encarnando o papel de pai típico, ao pedir pro Miguel apagar a luz do quarto que é hora de dormir (na real sempre fui flexível com isso, acho que a hora ideal é quando dá sono, mas o dormir muito tarde tem suas inconveniências práticas). E ele, sem tirar os olhos do mangá do Naruto que lê na cama, responde, “Espera um pouco”. Debruçado no tapete, Bruno desenha letras aparentemente ao acaso, mas que pra ele fazem todo sentido. Depois recorta papeizinhos e cola com fita adesiva pelas paredes. Às vezes simplifica o processo e escreve com caneta diretamente nelas.

Os sinais se multiplicam, sutis e eloquentes. Há cada vez mais gibis da Turma da Mônica no quarto deles e no banheiro. Nossas visitas a bibliotecas e livrarias são um programa muito apreciado, comparável a ir aos parquinhos ou à praia. Aquela bagunça de livros parcialmente lidos pelos cantos da casa já não é mais privilégio dos adultos. Uma cena bonita de se ver à noite é Miguel lendo livros em voz alta pro Bruno na cama. A tevê tem deixado de oferecer tantos encantos e fica cada vez mais tempo desligada. O segredo disso tudo? Não há segredo, esse é o fato. É o bom e velho método da educação pelo exemplo. Crianças que têm pais leitores tendem a se tornar boas leitoras. Esta é uma das heranças mais preciosas que podemos deixar pra eles.

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3 Responses:

  1. Em 01/06/10, 12:40, Daise disse:

    Lindo demais, Dauro. É assim mesmo que funciona, pelo exemplo. E dá um baita orgulho passar isso adiante (ainda não o fiz com filhos, que não os tenho, mas sei que fui/sou exemplo pra algumas crianças).

  2. Em 01/06/10, 10:02, Anita disse:

    “Uma cena bonita de se ver à noite é Miguel lendo livros em voz alta pro Bruno na cama”. Adorei… Dá pra substituir direitinho por Cecília e Catarina. Toda noite, rotina delas, criada por elas. Emociona. Bonito relato. :D

  3. Em 01/06/10, 08:06, fabricio disse:

    Coisa linda, Dauro. Pena que famílias como a tua sejam minoria. O que vejo acontecer, na maioria dos casos, entre amigos, familiares, conhecidos, enfim, é bem diferente, bem desalentador. Menininhas já apaixonadas pelo shopping, comprar roupas, maquiagem, sapatos, aparecerem como bonecas em fotos. Garotinhos já apaixonados por carrões. E a gente vai tendo uma boa noção do que o futuro nos guarda. Bom, pode ser uma visão um tanto parcial. O que me incomoda, acho, no fim das contas, é a forma como muitas criança são criadas com pouca independência, com pouco espaço, já metidas, com muita força, em um ambiente de tradições, convenções, onde certos elementos externos têm muita influência. Bom, tá ficando uma conversa meio desconexa, é papo para outra hora [risos].


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