Posts de 2008

19

Dec

08

Tempo de reconstrução

O Valor Econômico publicou ontem minha reportagem sobre a reconstrução em Blumenau e em Ilhota depois da enxurrada. O segundo texto, sobre a visita ao Morro do Baú, foi bastante condensado. Coloquei aqui a versão na íntegra, com diversas fotos de Juliana Kroeger que também não saíram no jornal.

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18

Dec

08

Lagoinha do Leste entre as 10+

Li agora no blog do Maurício que a praia da Lagoinha do Leste, em Floripa, foi incluída pelo Guia Quatro Rodas na lista das 10 melhores praias do Brasil. Com toda a desconfiança que tenho quanto a listas desse tipo, reconheço a coincidência de opiniões: a Lagoinha é uma das "10 melhores praias do universo conhecido por mim" (e olha que ainda nem fiz essa lista). O acesso a ela pelo costão da praia do Matadeiro, numa caminhada de duas horas com visual fantástico do marzão, é também a trilha mais linda da Ilha de Santa Catarina.

p.s.: Faltou a matéria lembrar que, como o acesso à Lagoinha é relativamente difícil – só a pé de de barco -, os visitantes devem trazer de volta todo o lixo que produzirem.

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17

Dec

08

Aventuras da Família Brasil

O menino: – Vô, papai noel existe?
O avô, lendo o jornal: – Este ano não.

Luis Fernando Verissimo, sempre atual.

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16

Dec

08

De enxurrada, guerra, jornalismo e odores

No domingo concluí uma reportagem pro Valor Econômico sobre a pós-tragédia no Vale do Itajaí. Eu já tinha enviado o texto pro jornal e precisei atualizar o número de mortos – agora são 128, acharam o corpo de um homem em Ilhota. As cenas e o cheiro de destruição no Morro do Baú continuam voltando à memória sem pedir licença. Efeito colateral da atividade do repórter que vai a campo: o envolvimento emocional é inevitável porque a gente cria vínculos, mesmo que superficiais. De perto, o olhar e a respiração das pessoas deixam marcas.

A enxurrada em Santa Catarina tem sido comparada com freqüência a uma guerra. Minhas referências bélicas são só de livros, reportagens (lidas/vistas), filmes e relatos de colegas, mas imagino que não seja de todo descabido o paralelo. No estado de suspensão momentânea ou duradoura da vida normal, as pessoas passam a depender muito mais dos instintos. Surgem os atos de bravura e os abjetos casos de ruindade. Tudo demasiadamente humano, sem verniz. No meio disso tudo, os repórteres colocam sua subjetividade a serviço do desafio narrativo. De certa forma pode ser excitante, mas qualquer glamour que se enxergue nesse tipo de trabalho é pura ilusão.

Amigos repórteres que cobriram conflitos armados (Marcelo Spina, Fernando Evangelista) comentaram comigo sobre como é difícil conciliar a emoção com a obrigação de apurar e contar. Os profissionais reagem de diferentes maneiras às situações-limite. Existem os que se abrigam na proteção do humor ou do cinismo. Outros se fecham. Alguns se tornam viciados em perigo e desenvolvem a sensação de ter o corpo fechado, como contou uma vez o José Arbex, que nos 80 era correspondente da Folha de São Paulo na União Soviética e cobriu a guerra do Afeganistão.

Medo: quem tem, tem. Quem não tem, é porque falta um parafuso. Marques Casara me contou que sentiu o cheiro fedido do medo no próprio suor enquanto entrevistava, usando um microfone escondido, um chefe de esquadrão da morte no sertão nordestino. No Afeganistão, Yan Boechat se empolgou ao ver um tanque russo abandonado na margem da estrada. Foi até lá e percebeu, pelos gritos dos nativos, que tinha caminhado por um campo minado. Voltou pisando nos próprios passos e sabe-se lá que cheiro sentiu. Em Ramallah, na Palestina, Fernando Evangelista viu uma senhora ser abatida por um franco-atirador a poucos metros dele, e nada pôde fazer pra ajudá-la. Na Somália, a câmera filmadora de Marcelo Spina foi atingida na lente por um tiro de fuzil. Depois, a janela de seu quarto no hotel foi metralhada e ele, em choque, decidiu sair do país.

Jornalista, bombeiro, policial ou médico na emergência de hospital público, o profissional que lida com situações de tensão e risco precisa ter estabilidade emocional pra realizar o trabalho – e estômago pra suportar cheiros bem desagradáveis -, senão termina atrapalhando mais que ajudando. Cada um emprega os artifícios mentais de sua preferência pra manter a sanidade e seguir em frente. A correta avaliação do tamanho do próprio ego é uma garantia a mais de avançar sem muitos arranhões – embora, na vida, qualquer garantia deva ser vista com ceticismo. Coloco tudo na balança e acho que encarar o tédio dos trabalhos sem sentido é um desafio bem mais penoso.

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16

Dec

08

Depois da sapatada no Bush

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16

Dec

08

Mais chuva em Santa Catarina

São Pedro voltou a abrir as torneiras. Entre ontem e hoje, choveu na região da Grande Florianópolis o equivalente à quantidade de chuva de todo o mês de dezembro. Em Palhoça, no continente, 120 pessoas tiveram que deixar seus apartamentos por causa de um deslizamento de terra. Houve quedas de barreiras em várias estradas do litoral. O sul da Ilha, onde moro, mais uma vez foi bastante atingido. Pela manhã a SC-405 teve o trânsito interrompido por causa da lâmina dágua que cobria o asfalto. Algumas famílias estão desalojadas no Campeche e várias ruas, praticamente intransitáveis – a minha, por exemplo.

Meu quintal alagou de novo. Amanhã, se a água tiver baixado, o pedreiro começa as obras de contenção do muro dos fundos, que ficou abalado com a pressão das águas de novembro. Também precisamos adotar uma solução efetiva pra evitar novos alagamentos – é isso ou assumir de vez a vocação pra dono de pesque-pague. Um engenheiro conhecido nosso fez uma vistoria e recomendou alternativas, entre elas a drenagem do quintal e a construção de uma cisterna com uma bomba dágua automática. Galerias pluviais nas ruas, uma obrigação da prefeitura, ainda são uma miragem.

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15

Dec

08

Troféu Olívio Lamas

Amanhã a partir das 20h, na Assembléia Legislativa, tem entrega do II Troféu Olívio Lamas de Fotojornalismo. O Lamas foi um cara muito legal, talentoso e íntegro. Sua memória é guardada com carinho pelos colegas. A promoção é do Sindicato dos Jornalistas de SC e da Associação Catarinense de Imprensa.

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15

Dec

08

Relatos sobre trauma e superação

A jornalista Raquel Wandelli, professora da Unisul, foi uma das companheiras de viagem ao Vale do Itajaí na semana passada. Ela escreveu dois relatos sobre os atingidos pela enxurrada: um sobre a visita ao Morro do Baú, em Ilhota, e o outro sobre o trauma da tragédia que atinge adultos e crianças. Fotos de Juliana Kroeger.

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15

Dec

08

Voluntários da safadeza e soldados da rapinagem

Reportagem de Edson Silva e Francis Silvy pra RBS-TV em Blumenau, com microcâmera escondida, mostra militares do Exército e falsos voluntários desviando donativos que iriam pros atingidos pelas chuvas.

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15

Dec

08

Livro sobre a origem das radionovelas

Ricardo Medeiros vai lançar nesta quarta 17, em Floripa, um livro sobre a origem das radionovelas até a sua chegada no meio radiofônico. O que é Radioteatro sai com o selo da Editora Insular e o apoio da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão, Acaert. O lançamento é às 19h no Espaço Cultural Jerônimo Coelho, na Assembléia Legislativa. Segue o minicurrículo formal do jornalista e o da minha memória afetiva:

Ricardo é doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans – França). Já publicou Dramas no Rádio – a radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60, História do Rádio em Santa Catarina, Caros Ouvintes-os 60 anos do rádio em Florianópolis e CBN Diário: uma luz no apagão. É professor do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá e assessor de imprensa da Secretaria Municipal de Educação.

Ricardo foi a primeira pessoa que conheci no curso de Jornalismo da UFSC quando cheguei a Floripa em 1986, e meu primeiro guia de boêmia catarina. Desde estudante ele já tinha paixão pela expressão oral – tanto que os colegas o chamavam de “coordenador do telefone”. :) Junto com Cacau Lino e Maneca Mendes, fazia um esquete humorístico que animou muitas festanças, a Rádio Fofinha. Como se vê, continuou a carreira fazendo o que gosta. Hoje ele é meu vizinho de bairro.

O quê: lançamento do livro O Que é Radioteatro
Quando
: Quarta-feira, dia 17
Horário: 19h
Local: Assembléia Legislativa de Santa Catarina, espaço Jerônimo Coelho
Preço do livro: R$ 25,00
Número de páginas: 112

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