Posts de 2007

19

Dec

07

Dia 4: Acidente

Peço licença aos leitores pra dar uma notícia inesperada aos amigos e parentes. Ontem no final da tarde, meus sogros Augusto e Nilza, que viajavam conosco de SC a Rondônia, sofreram um acidente na estrada em Mato Grosso. O estado dos dois é grave, mas estável. A camioneta deles foi atingida na lateral por uma carreta quando cruzava a BR para entrar no município de Pontes e Lacerda, onde os aguardávamos para o descanso do final do dia. Vimos tudo a 300 m de distância. Como não havia recursos na cidade, eu os acompanhei na remoção por ambulância até Cáceres, 250 km mais ao sul.

Nilza foi operada de uma hemorragia intestinal e está consciente, fora de perigo. Augusto está em coma na UTI. Fraturou ambas as bacias, teve hemorragia na bexiga e está sedado, com drenos nos pulmões para retirar secreção. A tomografia indica que não houve dano neurológico, o que é um bom indício. Estamos num hotel em Cáceres, junto com outras pessoas da família, dando todo o apoio possível. Eles estão recebendo excelente atendimento médico no Hospital Regional. Esperamos que se recuperem rápido e que, daqui a um tempo, a gente possa conversar sobre o dia de ontem como apenas um grande susto do destino.

Encerro aqui o diário de viagem. Nem sempre a vida é como a gente planeja – aliás, nunca. Dou também uma pausa neste blog, por motivos mais que compreensíveis. Espero retomar o quanto antes com boas notícias sobre a recuperação deles. Um abraço a todos e fiquem bem.

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18

Dec

07

Dia 3: Campo Grande-Rondonópolis

Chegamos ontem no fim da tarde a Rondonópolis, a primeira cidade grande de Mato Grosso. Até agora são 2.208 km percorridos. Saímos ‘a noite pra jantar (pintado, peixe da região), tomar sorvete e passear na pracinha, que tá com uma linda decoração de Natal. Miguel deu uma volta no carro de papai noel, puxado por “renas” de brinquedo. Ele sacou logo que era um fusca disfarçado.
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No MS fizemos uma parada de algumas horas em Rio Verde de Mato Grosso pra eu resolver um lance no cartório e enviar umas cartas. O correio fechava ‘as 11, mas o funcionário me quebrou o galho e abriu cinco minutos depois. Falei que vínhamos de SC e ele se entusiasmou, contou sobre as atrações da cidade e até me levou pra salinha oonde os colegas trabalham nos fundos, pra me mostrar fotos que tinha tirado de umas cachoeiras. Visitamos Sete Quedas, um lugar lindo na beirada do Pantanal, e tomei banho de rio com Miguel e Bruno. Quando Laura tinha nove anos de idade, parou no mesmo lugar durante a mudança de SP pra Rondônia. Antes era tudo selvagem, agora tá organizado, com churrasqueiras e placas proibindo birita. Continua lindo, mas pra ela não é a mesma coisa.
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Um mar de soja pelo caminho. E uma estrada reta a perder de vista. O céu do Centro-Oeste é lindo e o pôr-do-sol, de cartão postal.
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A estrada fica sensivelmente pior quando entramos em Mato Grosso. Mas nada que comprometa demais. É que o tráfego de caminhões é intenso e isso desgasta o asfalto.
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Devemos almoçar em Cuiabá hoje. Augusto e Nilza estão por lá consertando umas coisinhas na camioneta e vamos nos encontrar. Este trecho, subindo a serra, deve ser dos mais chatinhos de toda a viagem. Se tudo andar como o previsto, entramos em Rondônia hoje à noite.

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16

Dec

07

Dia 2: Ourinhos (SP)-Campo Grande

Já não se fazem mais hotéis de beira de estrada como antigamente. Este aqui, na rótula que fica na saída de Campo Grande pro norte, também tem wireless nos quartos. Sou obrigado a continuar meu diário :)
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Almoço em Lins. Bacalhau num restaurante a quilo. Cidade bonitinha, com ar de prosperidade, cercada de um mar de cana-de-açúcar.
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Como tem penitenciária no oeste de São Paulo! Dar carona aqui deve ser atividade de alto risco.
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Estradas muito boas em SP, muitas duplicadas. Mas os pedágios são frequentes e salgados.
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Placa depois da divisa: “Bem-vindo a Mato Grosso do Sul. Aqui não cobramos pedágio”.
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Uma hora a menos aqui. O MS também tá com horário de verão e já tem normalmente o fuso GMT -4. Em Rondônia serão duas horas a menos. Vou aproveitar pra dormir mais.
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Bruno não vomitou hoje, mas continua com o intestino solto. Pra compensar, Miguel tá co intestino preso. Mas os dois estão adorando a viagem. Fora o estresse normal de ficarem tempo demais dentro do carro, estão de parabéns essas quiança.
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Já são 1.640 km percorridos. Pela última média que calculei, o Clio tá fazendo 16,5 km/l de gasolina. Com o ar-condicionado ligado quase o tempo todo. Calor africano esses dias. Carrinho nota dez, o motor 1.6 de 16 válvulas dá confiança total nas ultrapassagens.
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Já vimos um caminhão tombado na estrada e um carro capotado, ambos no interior de SP. No mais, tudo tranquilo. Alguns imbecis dirigindo, mas nada que tire a nossa alegria. Estar na estrada é bom demais!
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Miguel hoje no hotel, depois de mais de 800km na estrada:
- Pai, hoje nós vamos dormir dentro do carro?
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Vida de navegador não é moleza, Tem que olhar o mapa pro piloto e ainda servir de comissário de bordo, tipo essas da Gol, que servem o copinho pela metade pra não derramar.
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Trilha de hoje foi bem variada: Bob Marley, Gregory Isaacs, Odair José, Uatki (bom pra acalmar na hora da estressada dos minino), Jimi Hendrix, The Doors, Franz Ferdinand… No DVD, um filme de Jimmy Neutron já rolou mais de dez vezes (desde a semana anterior à viagem). E Alice no País das Maravilhas estreou hoje.
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O melhor do Guia 4 Rodas 2008 é o mapa atualizado indicando as estradas ruins a evitar. Mas o guia em si não foi muito prático até agora. Em Ourinhos descolamos hotel perguntando num posto de gasolina. Bom e barato, 70 paus a diária pra casal, os dois minino grátis. Aqui em Campo Grande o preço também é esse. Limpinho, honesto e com wireless. Acho que o Guia não foi feito pra viajantes ultra-econômicos e sem frescuras feito a gente.
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É lindo o ocaso no MS. A gente estranha um pouco a planura sem fim, a falta de montanhas. E os bois que não acabam mais. Uma das apostas de viagem é encontrar um boi que não seja branco. Quem vir um primeiro, ganha.
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Cansadaço. Eu nem precisava da caipirinha de vodca pra dormir feito uma pedra. Amanhã vamos ver uma cachoeira aí pela frente, depois conto mais. Fui!

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15

Dec

07

Dia 1 – Floripa-Ourinhos (SP)

Escrevo de um hotel em Ourinhos, 817,5 km depois de zarpar da Ilha às 5h50 de hoje. Tou contrariando minha intenção de permanecer offline durante a viagem, mas não resisti à conexão wireless aqui do quarto.

Trilha da viagem hoje: Norah Jones, Adriana Calcanhoto (músicas infantis), Bach e aquele músico surfista de quem comentei há pouco. Um pouco de forró também: Falamansa.
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Bruno, vendo ovelhas na beira da estrada:
- Boi de mamão!
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Miguel, depois de um tempão dormindo:
- Há quantos dias a gente tá aqui no carro?
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Um acidente na entrada de Curitiba provocou engarrafamento monstro. Pegamos um atalho empoeirado em meio a araucárias e paisagem campestre.
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Pra fugir de um trecho ruim de estrada no Paraná, pegamos atalho por uma cidade chamada Ventania. Bela estrada, apesar das curvas perigosas.
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18h: Bruno fez um mega-cocô e cumpriu a parte dele: nos avisou. Depois da limpeza num banheiro imundo de posto de gasolina – era a opção disponível – ao chegarmos em Ourinhos ele vomitou. Amanhã cedo, enquanto tomarmos café, a lavanderia do hotel vai dar conta da capa da cadeirinha e das roupas sujas de hoje.
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Dica aos pais que viajam com os filhos pequenos: castanhas são maravilhosas, mas em excesso têm seus inconvenientes.
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Se mantivermos a média de 800 km /dia, em quatro dias chegamos a Rondônia. Mas isso – a média, os dias – não importa muito. Chegar é o que importa.

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14

Dec

07

Sem título

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14

Dec

07

Pausa pra pegar a estrada

Cada maluco com seu jeito de descansar. A partir deste sábado vou atravessar o Brasil de carro com a família. São uns 3.000 km de estrada de Santa Catarina até Rondônia, cruzando Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Sem pressa, mas sem atravancar o trânsito. Certamente não vai faltar conexão banda larga pelo caminho, mas resolvi ser um cara offline por uns dias. No devido tempo as anotações do diário de bordo vêm pra cá. Aos que me devem alguns caraminguás, favor depositar assim que possível. Credores, não tenham pressa, a gente volta a conversar em 2008. Leitoras e leitores, amigas e amigos, irmãos, primos, sobrinhos e agregados, um ótimo Natal pra vocês!

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14

Dec

07

DVeras Award 2007: mais premiados

Software: Gimp. Instalei há poucos dias esse poderoso programa gratuito de tratamento de imagens. Ainda tou patinando pra descobrir os comandos, mas a impressão é que ele não deixa a dever a nenhum fotoxopi. Menção honrosa 1: Google Docs. Usei muito este ano, tanto individualmente como fazendo edição compartilhada de textos e planilhas com colegas de trabalho. Menção honrosa 2: Twitter. Interatividade + concisão + ludismo.

Revista: piauí. Muito acima da média. Nem sempre consigo ler inteira antes da chegada do próximo número, mas é satisfação garantida. Menção honrosa 1: Galileu. Leio pouco, mas dia desses esbarrei em uma na sala de espera do dentista e ela me deixou ótima impressão. Menção honrosa 2: The New Yorker. Baita revista que eu só conhecia de nome.

Jornal: sem premiados. Sou leitor infiel de vários na internet, mas compro poucos em papel. Destes, os que mais me informam são, curiosamente, os tablóides populares e os jornais de bairro, que costumam trazer novidades não encontráveis na rede.

Viagem: Pousada Pasárgada, em Anitápolis, aqui pertinho de Floripa. Uma experiência única. Faz parte do projeto Acolhida da Colônia, que promove o turismo rural em casas de agricultores na serra catarinense. Recomendo pra quem quer ficar um tempo sem rádio e sem notícia das terra civilizada e se energizar com a força das nascentes da mata atlântica.

Gastronomia: Sou um ignorante em comida sofisticada, mas aprecio as artes da boa mesa. Este ano, o jantar mexicano feito pela Christiane Balbys pros amigos ficou com o destaque especial na minha memória gustativa e olfativa. Sem falar que jantar com amigos é sempre um grande aperitivo. Menções honrosas pro Restaurante Girassol, no Campeche, e pro mexidão mineiro da minha sogra Nilza.

Blog: a nova versão do +D1, renascido na forma de coletivo de blogs catarinenses, deu um impulso bacana à galera da terrinha. Tiro o chapéu pra iniciativa do Alexandre e do Rodrigo. Menção honrosa: Pensar enlouquece, pense nisso. O premiado Alexandre Inagaki nem precisaria de mais este elogio, mas merece. Um dos melhores textos da internet em português.

Fotografia: Tatiana Cardeal, especializada em fotografia social, dispensa comentários. Vá lá, confira e veja se eu exagero ou não.

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13

Dec

07

DVeras Awards 2007: cinema e literatura

O melhor filme que vi em 2007 foi O cheiro do ralo. Menções honrosas pros dois de Clint Eastwood sobre a guerra no Pacífico.

Difícil dizer qual foi o melhor livro, foram tantos bons. Um que me causou forte impressão foi Os vultos das torres, sobre a história do fundamentalismo islâmico.

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13

Dec

07

Eu escaipeio, tu escaipeias

Ontem usei bastante o Skype da maneira que mais gosto: pra conversar com as pessoas amadas. Sem pressa, sem objetivo, sem qualquer utilidade prática que não fosse a convivência. Falei com meu irmão em São Paulo – que estreava no uso do programa -, com um amigo no RN, também novato, com a cunhada em Rondônia e com um amigo na Argentina. Fiz também umas conferências a três com essas pessoas e um monte de palhaçadas no vídeo. Tudo de micro pra micro, free.

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13

Dec

07

No som do carro: Álbum Branco

Reouvindo com prazer o White Album dos Beatles, meu segundo preferido dos Fab Four, empatado com Rubber Soul (o primeiro é Seargent Pepper’s Lonely Heart Club Band). O “Álbum Branco” – que na verdade se chama “The Beatles” – foi lançado em 1968 depois de um retiro da banda na Índia e oito meses de trabalho. Suas trinta músicas passeiam do rock ao soul, do reggae ao blues, do country ao pop, com pitadas experimentais. Minhas favoritas: O-bla-di-o-bla-da, Blackbird, Julia, Revolution 1 e Goodnight. Vamos ouvir muito esses dois discos nas rádios em 2008, quando completam quarenta anos.

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